terça-feira, 26 de Junho de 2012

Em Defesa do Euro: Uma Abordagem Austríaca, por Jesús Huerta de Soto

(Contendo uma Crítica aos Erros do BCE e ao Intervencionismo de Bruxelas)

1. Introdução: o sistema monetário ideal

Os teóricos da Escola Austríaca realizaram um considerável esforço no sentido de explicar qual o sistema monetário ideal para uma economia de mercado. A nível teórico, desenvolveram toda uma teoria do ciclo, que explica como este é gerado recorrentemente pela expansão creditícia, sem um suporte de poupança real, orquestrada pelos bancos centrais através de um sistema bancário que opera com reserva fraccionária. A nível histórico, explicaram o surgimento evolutivo do dinheiro e de que forma a intervenção coerciva do Estado, incentivada por poderosos grupos de interesse, se afastou do mercado e corrompeu a evolução natural das instituições bancárias. Do ponto de vista ético, evidenciaram as exigências e princípios jurídicos do direito de propriedade relativamente aos contratos bancários, princípios que decorrem da própria economia de mercado e que, por sua vez, são imprescindíveis para o seu correcto funcionamento.

A conclusão de toda a análise teórica realizada é que o actual sistema monetário e bancário é incompatível com uma verdadeira economia de mercado, padece de todos os defeitos enunciados pelo teorema da impossibilidade do socialismo e é uma fonte permanente de instabilidade financeira e de perturbações económicas. Torna-se, pois, imprescindível uma profunda remodelação do sistema financeiro e monetário mundial, que solucione de raiz a fonte dos problemas que nos afligem e que deverá assentar nas três reformas seguintes: (a) restabelecimento da reserva mínima de tesouraria de 100 % como princípio essencial do direito de propriedade privada relativamente a todos os depósitos à vista em dinheiro e seus equivalentes; (b) abolição de todos os bancos centrais, desnecessários como prestamistas de última instância, caso seja implementada a reforma (a) atrás referida, e que enquanto verdadeiros órgãos de planificação central financeira constituem uma fonte permanente de instabilidade, devendo ser igualmente suprimidas as leis de curso forçado e o emaranhado de regulamentações administrativas em constante alteração que daí decorre; e (c) o regresso do padrão-ouro clássico, como único padrão monetário mundial capaz de proporcionar uma base monetária não manipulável por parte dos poderes públicos e de restringir e disciplinar os ímpetos inflacionários dos diferentes agentes sociais.

As prescrições atrás referidas não só permitiriam, tal como se disse, solucionar de raiz todos os problemas que nos afectam, impulsionando um desenvolvimento económico e social sustentável nunca antes visto na história, como também encerram a potencialidade de dar indicações sobre quais as reformas incrementais que vão ou não na direcção certa, ao mesmo tempo que tornam possível um juízo mais certeiro sobre as diversas alternativas de política económica do mundo real que nos rodeia. É nesta perspectiva, estritamente conjuntural e «possibilista», que se deve exclusivamente entender a análise de «apoio» relativo ao euro que, do ponto de vista da Escola Austríaca, se pretende desenvolver no presente trabalho.

(continuar a ler)

quinta-feira, 21 de Junho de 2012

(Vídeo) Murray Rothbard Gives a Tribute to Ludwig von Mises

In this never-before-seen video, Rothbard gives a tribute to his mentor in Austrian economics, Ludwig von Mises, at a Libertarian Party convention in Pennsylvania in 1984. Rothbard discusses Mises's work and life, and the growing popularization of his ideas in the United States.

quinta-feira, 12 de Abril de 2012

capital virtual

A propósito de um post do Ricardo Arroja sobre o recente anúncio de um aumento de capital do BES:

A irrealidade do sistema monetário e a prova de que os próprios reguladores e eu diria até os próprios banqueiros percebem mal o próprio sistema em que operam (de resto, a própria constatação das recorrentes bolhas/crises bancárias provaria isso de qualquer forma) pode ser visualizada nos aumentos de capital dos bancos onde estes oferecem incentivos para que os clientes ou outros participem no aumento de capital com o recurso ao crédito do próprio banco.

Eu já referi este assunto várias vezes. Aqui vai outra vez:

Banco anuncia aumento de capital e oferece crédito para os subscritores do capital (estas operações já tiveram lugar e foram públicas e por isso têm o conhecimento e consentimento dos reguladores)

1. Vamos ver o que se opera ao nível do balanço partindo de uma situação inicial:

Activo: 1000

Passivo: 900

Capital: 100

2. Concessão de crédito pelo Banco aos futuros subscritores de capital

Activo: 1000 + 100 = 1 100 (100 é novo crédito criado “do nada”)

Passivo: 900 +100 = 1000 (100 é dinheiro criado “do nada” e depositado na conta DO dos subscritores que solicitam o crédito)

Capital: 100

3. Realização do aumento de capital

Activo: 1000 +100 = 1 100

Passivo: 900 + (100 – 100) = 900, a conta de DOs é debitada pelo aumento de capital

Capital: 100 +100 = 200 o capital aumenta por contrapartida do débito das DO´s dos subscritores (que tinham sido creditadas pelo crédito concedido)

4. Situação Final:

Nada em termos reais se passou, dinheiro criado do nada serviu para aumentar o activo (crédito concedido) e o capital foi aumentado e para cúmulo, os rácios de solvabilidade aumentaram:

Rácio inicial = Capital / Activo = 100 / 1000 = 10%

Rácio final = 200/ 1100 = 18%


Se alguém quiser por em causa o raciocínio faça o favor. Isto não quer dizer que este efeito se passa na totalidade dos aumentos de capital em bancos, mas em parte pode. O mais relevante é a aparente falta de entendimento generalizado sobre este efeito.