2003/07/31

Re: Protestantes e Católicos 

Os escolásticos que mostraram uma "abertura crescente ao juro" eram, de facto, do séc. XVI (tardio), não do séc. XV, e, portanto dificilmente anteriores ou sequer contemporâneos do início da Reforma (era o caso de Luis de Molina) - mas há que dizer que essa parte muito pequena da Escolástica não fez escola no catolicismo e manteve-se praticamente desconhecida durante séculos, pelo que os méritos da Igreja Católica no assunto são, no mínimo, altamente duvidosos... (Já numa troca de impressões mantida há um ano sobre este assunto, eu defendi o meu ponto de vista de que o que ajudou estes poucos escolásticos sobre os problemas do juro e do valor, tal como depois Menger, foi a lógica aristotélica e não qualquer ligação ao catolicismo) Depois, bem ou mal - e sem termos de aderir ao esquematismo da tese weberiana -, o facto é que foi em países de predominância protestante que o mercado financeiro floresceu nos sécs. XVII e XVIII (Países Baixos e Grã-Bretanha), o que parece querer dizer que o protestantismo, podendo não ter sido a causa, também não foi uma barreira...! Finalmente, gostei do reconhecimento que AAA fez de que as encíclicas podem errar: mas a doutrina católica, que proclama a infalibilidade do Papa, dificilmente está de acordo com essa constatação tão "protestante"! Lutero não é importante para os protestantes como profeta (que não foi) ou anunciador da "nova interpretação verdadeira" da Bíblia: ele é importante por ter negado que alguém, sob Deus, possa reclamar uma tal autoridade de magistério. E é por isso que AAA, ao concluir o que concluiu, é muito mais "luterano" do que imagina...

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Re: Ainda a Iª Guerra Mundial 

A questão está mal colocada. A Grande Guerra no seu todo foi a responsável, não os pormenores, ainda que importantes, da forma como terminou. Sobre isso falei aqui e aqui.

O comunismo e o nazismo saíram precisamente da política de alianças, responsável que um pequeno conflito localizado (em causa estava o terrorismo da Sérvia) fosse desaguar num conflito planetário que acabou com a velha Europa, claro que hoje em dia, tudo o que é Neo é que está a dar, portanto, alguns acharão que os milhões de mortes totalmente inúteis da Grande Guerra foram necessários para uma Novo mundo despontasse (é a chamada teoria NeoCons sobre a "Creactive Destruction").

Mas o resultado foi mesmo o comunismo, nazismo e a social-democracia. E estas despontaram na medida em que as monarquias desabaram. A Guerra faz estas coisas. Destrói não só o património e vidas, mas também as invisíveis linhas civilizacionais que são tecidas pelas tradições e costumes.

Quanto ao iliberalismo da época: Porventura saberão quanto era a carga fiscal na época? Sabem qual era o tamanho do sector público? Sabem que a moeda ainda era moeda? A Alemanha continha vários Principados (era uma Federação - esse sistema mítico dos Hayekianos que tudo resolve) e a Áustria uma monarquia Dual.

Na Rússia, Lenine apareceu precisamente a prometer a paz e um mundo novo - e essa mensagem só passou porque as populações assistiram à destruição daquilo que lhes era familiar, ficando receptivas à Utopia.

Culpar o Czar, a Prússia, as monarquias, de tudo e mais alguma coisa, não será um discurso um pouco Jacobino e esquerdista?

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Protestantes e Católicos 

LAS escreveu uma excelente resposta à  minha provocação sobre o anti-capitalismo de Lutero.

Citei Lutero a partir de "O Capital" porque foi lá que li pela primeira vez essa passagem, mas claro que o relevante é o texto e não a fonte da citação (não se trata de uma acusação de "culpa por associação".

Quanto às ideias dominantes sobre a usura, relembro que um número crescente de escolásticos católicos vinha, ao longo dos sécs. XV e XVI demonstrando uma maior abertura ao juro (veja-se por exemplo a argumentação de Luís de Molina com base no conceitos de risco e de lucrum cessans, que antecipa a noção fundamental de custo de oportunidade). Estas ideias não eram, infelizmente, ainda dominantes entre os católicos, mas penso ser justo afirmar que Lutero (ao contrário de Calvino em matéria de usura) foi buscar o pior da tradição católica neste âmbito.

As encíclicas papas e a Doutrina Social da Igreja (Católica) não estão certamente isentas de críticas. São, afinal, feitas por seres humanos (por vezes, demasiado humanos...) que cometem erros, como todos nós, independentemente de questões de fé.

Não duvido que há muitos protestantes (como também há católicos) liberais e nada de particular me move contra o Protestantismo. Quis apenas alertar que não é apenas entre os católicos que há escritos profundamente anti-liberais e que o liberalismo não pressupõe nem se fundamenta necessariamente numa qualquer "ética protestante" (weberiana?).

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Financiamento Partidário 

Um chamada de atenção preciosa, no Valete Frates!, no que respeita ao financiamento público dos partidos.

Que ideia é esta de tornar os partidos "estanques" à influencia da sociedade civil, obrigando esta a financiar colectivamente (leia-se, compulsoriamente [leia-se coercivamente]) a sua actividade?

Mas a ideia é boa. Vamos estendê-la ao resto das actividades. Para tornar o exercício da advogacia realmente independente, passam os advogados a exercer a sua actividade sendo integralmente financiada por dinheiros públicos (leia-se compulsoriamente [leia-se coercivamente]). Depois podemos estender à educação (opps, essa já está), medicina (opps, também), obras públicas (check), teatro (check), jardins de infância (check), etc, etc.

Realmente, pensando bem no assunto, porque haviam logo de ser os partidos a ter que fazer pela vida para financiarem a sua actividade, que se resume essencialmente a providenciar o financiamento público (leia-se compulsoriamente [leia-se coercivamente]) a toda e qualquer actividade?

Repetindo o dito de Joseph Sobran: "Politicians never accuse you of 'greed' for wanting other people's money - only for wanting to keep your own money."

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Ainda a Iª Guerra Mundial 

O Intermitente respondeu a CN aqui.

Manifesto mais uma vez a minha concordância quanto ao carácter profundamente anti-liberal da Alemanha prussiana (que já não era a Alemanha das cidades-estado e dos principados...) e da Rússia czarista (cujas caracterí­sticas imperiais foram em larga medida adoptadas pelo regime comunista).

Será no entanto que foi o "isolacionismo das democracias ocidentais que levou à  instabilidade política na Alemanha"? Ou terão sido mais importantes as pesadí­ssimas e irrealistas condições impostas no Tratado de Versalhes?

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Taki (um antiwar "unpatriotic conservative") responde a David Frum 

A couple of weeks ago, I flew to San Francisco and taped “Uncommon Knowledge,” a public television show on politics. The host of the program, Peter Robinson, an ex-speechwriter for Ronald Reagan and an old friend, let slip that someone had suggested he ask me how my family was rich in 1940 and continued to be rich in 1945. The implication was obvious: my father must have collaborated with the Germans. Robinson was outraged. “Taki was four-years-old back then.” He was twice as outraged when I told him the truth. From the main English newspaper of Greece upon my father’s death in 1989: “John Theodoracopulos was a member of the Greek Resistance and was awarded with the Order of the Phoenix and Golden Cross Resistance medals and published the then illegal newspaper Greek Blood.” He did better than that. He won the highest medal for gallantry in action during the 1940 Albanian campaign, blew up the Gestapo headquarters in Athens, and shut down his factories for the duration despite German demands to keep production going. By 1945, he was ruined, but in appreciation for his wartime activities was given a second chance by the Truman administration when he was allowed to purchase a Liberty ship. (These ships were sold at rock-bottom prices by Uncle Sam to those who had lost ships during the war. My father was the only non-ship-owner permitted to buy).

Who started this whispering? I am not at liberty to say—he did, after all, whisper it à la Iago—but if any of you have read my recent columns, you will guess it rather easily. Such are the joys of modern neoconservatism.

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2003/07/30

James Madison 

“Of all the enemies to public liberty war is, perhaps, the most to be dreaded, because it comprises and develops the germ of every other. War is the parent of armies; from these proceed debts and taxes; and armies, and debts, and taxes are the known instruments for bringing the many under the domination of the few. In war, too, the discretionary power of the Executive is extended; its influence in dealing out offices, honors, and emoluments is multiplied; and all the means of seducing the minds, are added to those of subduing the force, of the people.”

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Lobo Xavier contra a "cabala" 

A dra. Paula Borges Santos, que nas horas vagas acede a namorar comigo, chamou-me atenção para o artigo de Lobo Xavier no "Público" de hoje sobre Ferro Rodrigues e a teoria da "cabala"; diz o articulista a determinada altura: "A teoria da cabala não é só inadmissível, assim, por se afigurar delirante, ou por causa da especial responsabilidade em que os seus autores estão investidos. Ao descredibilizar levianamente uma investigação e a actuação dos magistrados, ela representa a pior forma de fazer a política entrar num processo em que a única certeza de que dispomos consiste na horrível brutalidade a que foram sujeitas as vítimas". Ámen!

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Trotsky e Russel Kirk 

"You may not be interested in war but war is interested in you." - Leon Trotsky

Não sei como ainda não li esta na National Review ou na Weekly Standard, com tantos editorialistas a fazer jus do seu ex-marxismo trotskista internacionalista e anti-estalinista. Por exemplo, aqui temos Stephen Schwartz, na NRO (será uma revista de direita? É que não parece...):

Trotskycons? Pasts and present

"To my last breath I will defend the Trotsky who alone, and pursued from country to country, and finally laid low in his own blood in a hideously hot little house in Mexico City, said no to Soviet coddling of Hitlerism, to the Moscow purges, and to the betrayal of the Spanish Republic, and who had the capacity to admit he had been wrong about the imposition of a single-party state, as well as about the fate of the Jewish people. To my last breath, and without apology. Let the neofascists, and Stalinists in their second childhood, make of it what they will."

Para uma breve explicação desta influência no pensamento Neo-Conservador:

DO NEOCONS EXIST?

"As many of the original neocons were ex-Trotskyists, or independent left-wing critics of Stalinism – whose Russian colleagues were sent to the gulag, and whose leader met his end on Stalin's orders – their foreign policy monomania is best understood as Trotsky's revenge. The founder of the Red Army had wanted to carry the struggle into Poland, and Germany, after the 1917 Revolution, and this later developed into a comprehensive critique of Stalin's policy of "socialism in one country." Throughout the cold war era, Trotsky's renegade followers called for "rolling back" their old enemies, the Stalinists – but even the implosion of the Soviet empire did not calm their crusading instincts.

All this is ancient history, Boot and his fellow crusaders complain. Yet "benevolent world hegemony," the fatuous phrase in which William Kristol and Robert Kagan summed up the goal of a neocon post-cold war foreign policy, has a positively Soviet ring to it. The idea that the U.S. government must "export democracy" at gunpoint all around the world is a frankly revolutionary program, profoundly alien to the American conservative ethos that considers hubris a sin and distrusts power in the hands of imperfect men. The idea of democratism in one country – that constitutional republicanism can thrive only in the West, because of cultural and historical factors – is anathema to these militant internationalists. The neoconservative anomaly is that they have succeeded in redefining "conservatism" as Trotskyism turned inside out."

Mas já antecipando os tempos de hoje, podiamos ler no "THE POLITICS OF PRUDENCE"-"The Error of Ideology" do Conservador Russel Kirk:

“Ideology is inverted religion, denying the Christian doctrine of salvation through grace in death, and substituting collective salvation here on earth through violent revolution”

“I suggested that some Americans, Conservative-inclined ones among them, might embrace an ideology of Democratic Capitalism, or New World Order, or International Democratism

“I am not of the opinion that it would be well to pour the heady wine of a new ideology down the throats of the American young…what we need to impar tis political prudence, not political belligerance. Ideology is the disease, not he cure. All ideologies, uncluding the ideology of vox populi vox dei, are hostile to enduring order and justice and freedom. For ideology is the politics of passionate unreason.”

Foi Russel Kirk, biógrafo de Edmund Burke, que escreveu, a seguir à queda do muro, que a hegemonia soviética não devia ser substituída pela hegemonia americana. Mas hoje temos a força militar nas mãos de ideólogos - a corte do Estado moderno.

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A Primeira Guerra Mundial 

Bom, é verdade. Confesso. Como “conservative-libertarian”, acho o mundo pré Grande Guerra muito mais civilizado e liberal que o actual. O grande Estado centralista, socialista e progressista foi construído precisamente nas cinzas desta catástrofe. As monarquias europeias eram muito mais descentralizadas do que a nossa realidade actual e foi um desastre o seu desaparecimento. Enquanto subsistiram, formavam um elemento de resistência (um anti-corpo social) ao comunismo e socialismo.

Falando de Hayek, é melhor recordar os presentes que este serviu no exército do Império Austro-Húngaro e, portanto, combateu os “aliados”. E quanto aos “aliados”, foram “aliados” de quem? A Rússia achou por bem proteger a Sérvia das alegações de terrorismo por parte dos Austríacos. A Alemanha, aliada da Áustria (se bem que uma dezena de anos antes, a Áustria tinha estado em guerra com a Prússia), declarou Guerra à Rússia e a França começou a mobilizar.

Assim, a Grande Guerra foi um conflito entre Impérios Europeus e teriam sido evitado os grandes males que provocou, precisamente se cada um se tivesse metido na sua vida (esta mania das alianças...), principalmente Woodrow Wilson, que era marcadamente anti-monárquico e Democrata (esquerda americana).

Quanto à monarquia da Prússia que tinha sido derrotada por Napoleão (contínuo com a minha, de que os intelectuais NeoCons têm uma admiração secreta por este grande lutador contra a Velha Ordem na Europa e no Médio Oriente) e o Czar: uma coisa é procurar explicações distantes no tempo, outra coisa é não reconhecer as causa mais directas: a Áustria, por causa da sua “guerra preventiva”, perdeu 75% do território tendo sido criados Estados artificiais em abundância (tendo nós podido assistir ao fim do “nation-building” Wilsoniano na Jugoslávia e Checo-Eslováquia). A Alemanha esteve 8 meses sob bloqueio económico e alimentar, (sempre o método preferido das democracias liberais anglo-saxónicas) já depois do armistício, sendo forçada a assinar aquilo que o Congresso Americano recusou 2 vezes ao seu Presidente: o tratado de Versailles e a Liga das Nações.

A monarquia Russa podia ter os seus problemas, mas devemos nós celebrar a sua queda e o assassínio da família real? Talvez, tendo sido evitada a “aliança” da Rússia com a Sérvia, ou, em sequência, tivessem todas as outras “alianças” sido evitadas, poderia a monarquia ter sobrevivido, fazendo do comunismo apenas uma escaramuça momentânea.

Quanto à Alemanha e Japão: ambos eram países bastantes avançados e civilizados. Por exemplo, o Japão era aliado da Inglaterra; afinal, ambos eram Impérios com interesses na China. A Alemanha era constituída por vários Principados, Feudos e Cidades-Estado.

Não estou a ver como um Liberal Hayekiano pode acreditar que sendo o Estado incompetente para gerir a escola pública local poderá ser competente para reconstruir socialmente nações com séculos de história depois de as destruir totalmente.

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Lutero, papas e liberalismo económico 

Acho comovente que se cite Lutero a partir de "O Capital", mas espero que sem a intenção de sugerir aquele tipo de "genealogias do erro" tão típicas de certa apologética católica...! De qualquer forma, não valeria a pena o esforço: Lutero apenas se pronunciou contra a usura (mostrando aliás ter apreendido bem uma das ideias dominantes entre a cultura monástica católica em que se formara) e não contra o "liberalismo" - coisa que dos bispos de Roma a que eu me referia não se pode dizer. É que quando Lutero escreveu, no princípio do século XVI, sobre assuntos "profanos" como a usura, a ciência económica estava longe sequer da definição quanto mais da elaboração que já tinha quando os papas dos séculos XIX e XX começaram a redigir as encíclicas que deram corpo à chamada Doutrina Social da Igreja (Católica). Ou seja, onde Lutero reagira por "instinto", os papas reagiram elaborada e deliberadamente contra um corpo já definido de ideias. Pelo que não percebo a provocação de AAA, respondendo à minha provocação sobre a DSI com referências a Lutero e à usura - quando muito, poderia AAA citar o "social gospel" que atravessou boa parte das denominações protestantes no século XX (sobretudo as mais "instaladas"), mas eu gostaria de ver, do lado católico, críticas tão consistentes às falácias do socialismo cristão (do ponto de vista evangélico) como aquela que se encontra nos escritos do Rev. Edmund A. Opitz (veja-se o seu livro "The Libertarian Theology of Freedom") - ou à presença do Estado na educação como visceralmente incompatível com a liberdade de consciência dos cristãos, que se lê nos textos do Rev. J. Gresham Machen.

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Pluralismo e relações internacionais 

Isaiah Berlin num ensaio sobre pluralismo:

"If pluralism is a valid view, and respect between systems of values which are not necessarily hostile to each other is possible, then toleration and liberal consequences follow, as they do not either from monism (only one set of values is true, all the others are false) or from relativism (my values are mine, yours are yours, and if we clash, too bad, neither of us can claim to be right). My political pluralism is a product of reading Vico and Herder, and of understanding the roots of Romanticism, which in its violent, pathological form went too far for human toleration.

So with nationalism: the sense of belonging to a nation seems to me quite natural and not in itself to be condemned, or even criticized. But in its inflamed condition -- my nation is better than yours, I know how the world should be shaped and you must yield because you do not, because you are inferior to me, because my nation is top and yours is far, far below mine and must offer itself as material to mine, which is the only nation entitled to create the best possible world -- it is a form of pathological extremism which can lead, and has led, to unimaginable horrors, and is totally incompatible with the kind of pluralism that I have attempted to describe."

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2003/07/29

Leis e Juízes 

Mais dois excelentes posts sobre o sistema judicial no Mata-Mouros que é obrigatório ler: o primeiro de CL, e o segundo de CAA.

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Iª Guerra Mundial 

Resposta do Intermitente a este post de CN.

Concordo com o Intermitente quanto à raízes dos totalitarismos comunista e nazi nos regimes czarista e prussiano.

Não estou de acordo quanto à desejabilidade do nation building e confesso que observo com preocupação a manifestação de um estado de espírito wilsoniano nalguns sectores da administração Bush.

Parece-me que uma política externa prudente deve procurar seguir a famosa frase de Jefferson: "Peace, commerce, and honest friendship with all nations - entangling alliances with none".

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Rendimento Mínimo Garantido como praga social 

JPP escreveu um excelente post sobre as consequências sociais do RMG no Abrupto.

Para além dos mais fequentemente debatidos efeitos económicos negativos, a desagregação social e moral provocada pelo intervencionismo das políticas de redistribuição estatal como o RMG é matéria que merece maior atenção.

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Festa do Avante 2003 

Depois de uma referência a Marx, e para não frustrar quem nos visita a partir do link do anarca constipado, aqui fica a informação, retirada do site do PCP: a festa do Avante 2003 realiza-se nos dias 5, 6 e 7 de Setembro. Não é provável que conte com a presença de membros da Causa Liberal.

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Against Liberal Intervention 

"To the extent that the Bush-Blair doctrine of pre-emptive war encompasses human rights and the “right” to overthrow tyrants, this one was very much a “left-wing” war.

Of course, I don’t buy George Bush’s human rights rationale for Gulf War II any more than I bought his father’s epiphany in 1990 that Saddam Hussein was the new Hitler. Too many murderous American clients, including Saddam, have gone in and out of favor since 1898 (the year we “liberated” Cuba from Spain) for me to take seriously the altruistic prattle emanating from this White House.

But a surprising number of liberals did take Bush at his word (as they had his father) whenever he turned misty-eyed about Baathist atrocities (real and fabricated), as well as the urgent need for “liberating” the Iraqi people. Behind their dovish compassion lay a ferocious streak of Wilsonian [Woodrow Wilson, ídolo dos NeoConservadores, foi o presidente que quis fazer a "Guerra para acabar com todas as Guerras" e fazer o "Mundo mais seguro para as democracias" - resultado: o fim das monarquias, o comunismo e nazismo e a Segunda Grande Guerra e ainda a vitória de Estaline sobre metade da Europa e do mundo...isto porque a Áustria resolveu combater o "Estado terrorista" da Sérvia..."unintended consequences"] hawkishness that had first presented itself during the Bosnia crisis in the early ’90s.

It was then that human rights hawks adopted the principle of “liberal intervention” laid down in the ’80s by two Paris-based intellectuals, the international law professor Mario Bettati and the physician-activist Bernard Kouchner. Eventually, as Ian Buruma recently wrote in the New York Review of Books, the rhetorical grandstanding by Kouchner—“the day will come ... when we are able to say ... ‘Mr. Dictator, we are going to stop you preventively from oppressing, torturing and exterminating your ethnic minorities’”—took hold and nice liberals started sounding like nasty, pre-emptive militarists."

Comentário: Blair já afirmou publicamente que é favor da intervenção militar para acabar com todos os maus regimes. Como Conservador, assisto descrente à construção da nova ordem mundial e o fim do Estado Nação. O que diria Burke? Bem, não sei. Sei que se tivesse sido NeoConservador diria que Thomas Jefferson e George Wasghinton eram 2 terroristas separatistas e que Napoleão assumiu unilateralmente o ónus de deitar abaixo, pela força militar, as barreiras da "velha ordem" Europeia e Médio Oriente, na prossecução de um "Império benevolente" mais esclarecido.

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2003/07/28

Stiglitz: Globalization and Its Discontents 

(via Intermitente)

Daniel T. Griswold, do Cato Institute, analisa o livro de Stiglitz aqui.

Claudio Tellez gerou externalidades positivas para a comunidade lusófona traduzindo o artigo para português aqui.

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Provocação a LAS 

Caso o Professor João César das Neves decida seguir a sugestão de LAS, acrescento que uma análise completa de textos importantes com contradições entre a liberdade e o intervencionismo anti-capitalista não pode ficar completa sem uma reflexão sobre os escritos de Lutero. Senão vejamos as suas ideias sobre a usura e a sua indignação face à tolerância católica desta "hedionda" prática:

"The heathen were able, by the light of reason, to conclude that a usurer is a double-dyed thief and murderer. We Christians, however, hold them in such honour, that we fairly worship them for the sake of their money.... Whoever eats up, robs, and steals the nourishment of another, that man commits as great a murder (so far as in him lies) as he who starves a man or utterly undoes him. Such does a usurer, and sits the while safe on his stool, when he ought rather to be hanging on the gallows, and be eaten by as many ravens as he has stolen guilders, if only there were so much flesh on him, that so many ravens could stick their beaks in and share it. Meanwhile, we hang the small thieves.... Little thieves are put in the stocks, great thieves go flaunting in gold and silk.... Therefore is there, on this earth, no greater enemy of man (after the devil) than a gripe-money, and usurer, for he wants to be God over all men."

Fonte: Lutero citado por Marx no capítulo XXIV do primeiro volume de "O Capital"


Para além da condenação da usura, note-se a estranha compaixão cristã demonstrada na passagem "he ought rather to be hanging on the gallows, and be eaten by as many ravens as he has stolen guilders".

Para os interessados em leituras suplementares recomendo o Capítulo V "Protestants and Catholics" da obra Economic Thought Before Adam Smith de Rothbard e, em particular, os pontos 5.1. ("Luther, Calvin, and state absolutism") e 5.2. ("Luther's economics").

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Four fundamental pillars of freedom 

Com a crise da Justiça à mesa do PR seria bom que os convivas dessem uma vistinha de olhos ao ensaio que titula este post:


Four fundamental pillars of freedom, jury trial, Double Jeopardy, Presumption of Innocence, and Habeas Corpus, are threatened by an unprecedented alliance between populism (to sound tough on crime) and modernizing zeal. The net result will be to make the British people more vulnerable than ever to arbitrary action by the State. While it is important to tackle crime, sacrificing the liberties that protect the innocent will not help bring the guilty to justice. And every time an innocent person is convicted, the real culprit is left free to commit more crimes.

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Provocação a JCN 

Artiguinho confuso, esse... (porque as contradições, verdadeiras, são insinuadas, mas não explicadas, o que para o leitor comum deve resultar um pouco estranho). Mas o Prof., já que está interessado em explorar textos importantes e com contradições entre a liberdade individual e de consciência e as exigências da "justiça social" e do planeamento, tem ampla matéria de análise... nas encíclicas papais!

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A Constituição inconstitucional 

Artigo do Professor João César das Neves sobre a inconstitucionalidade da Constituição da República Portuguesa:

"Também a «obrigação de o Estado promover o aumento do bem-estar social e económico e a qualidade de vida das pessoas» (art. 81.º a) choca com artigos como o Serviço Nacional de Saúde (64.º n.º 2 a), a política agrícola (93.º-98.º), a exigência do «planeamento democrático do desenvolvimento económico e social» (81.º i, 90.º e 91.º), etc., assim feridos de inconstitucionalidade."

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"Justiça Social" e liberdade 

"I am certain that nothing has done so much
to destroy the juridical safeguards of individual freedom
as the striving after this mirage of social justice."

F. A. Hayek

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Lula e o mercado livre 

De facto, por vezes aqueles de quem pouco ou nada esperávamos, acabam por vir ao nosso encontro e alinhar connosco, pelo menos nalgumas medidas de política. Vide esta notícia retirada do Jornal Digital:

"Brasil reforça no Canadá posição contra subsídios agrícolas

2003-07-28 10:09:32
Brasília - O ministro da Agricultura do Brasil, Roberto Rodrigues, participa esta segunda e terça-feira, em Montreal, Canadá, na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde irá reforçar a posição do país contra os subsídios agrícolas. Durante o encontro, os ministros dos países-membros da OMC discutirão propostas para abertura plena do comércio agrícola internacional.

No encontro, que serve de preparação para a Conferência de Ministros da OMC que terá lugar de 10 a 14 de Setembro em Cancún, no México, Roberto Rodrigues vai reiterar a posição do Brasil em defesa da redução dos subsídios à produção e às exportações agro-pecuárias concedidos pelos países ricos, avançou a Agência Brasil.

O país vai ainda posicionar-se a favor da eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias que dificultam o acesso dos países agrícolas em desenvolvimento ao mercado internacional. O ministro da Agricultura terá também um encontro com o seu homólogo canadiano, Lyle Vanclief.

(c) PNN - agencianoticias.com "

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2003/07/27

O "esquerdismo" da TSF 

Pedro Mexia responde no Dicionário do Diabo a Carlos Vaz Marques, que não apreciou a qualificação da TSF como "esquerdista".

Mexia fundamenta consistentemente a classificação atribuída à TSF e ilustra de forma inequívoca o "esquerdismo" da estação pelo que não vale a pena insistir nesse ponto.

Merece no entanto atenção o facto (frequente) de os media "esquerdistas" (que estão em esmagadora maioria) não só não assumirem a sua evidente orientação como se revelarem indignados sempre que alguém aponta essa realidade. No fundo, demonstram estar interessados em manter o jogo viciado, promovendo uma agenda política de esquerda mas simultaneamente reclamando a mais absoluta isenção e imparcialidade.

Parece-me que este estado de coisas é pouco saudável. Seria preferível que, à semelhança do que acontece por exemplo no Reino Unido, cada orgão assumisse publicamente a sua orientação política. Provavelmente seria uma forma mais eficiente de garantir um tratamento noticioso equilibrado.

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2003/07/26

The Road to Serfdom 

(via Intermitente)

Recomenda-se a leitura deste sucinto resumo crítico da obra de Hayek.

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Sindicatos e Corporações 

Mais um excelente apontamento de LR no Mata-Mouros, desta feita sobre a questão dos sindicatos e das corporações.

Já anteriormente expus aqui que, na minha opinião, os principais malefícios do sindicalismo resultam dos privilégios estatais atribuídos à acção e funcionamento dos sindicatos e do carácter coercivo da negociação colectiva.

LR alerta, no entanto, para o facto de que a acção dos sindicatos deve ser analisada no âmbito mais vasto das corporações, algumas das quais têm tido efeitos bem mais nefastos do que os sindicatos.

Subscrevo inteiramente a conclusão de LR sobre as corporações:

Daqui retiro uma última ilacção: corte-se em definitivo o “cordão umbilical”, revogue-se toda a legislação que outorga poderes indevidos às ordens e deixaremos de ter corporações delapidadoras de recursos públicos


Apenas discordo que faça parte do "core business" do Estado "garantir" a educação e a saúde, como LR afirma no último parágrafo do referido post. Mas isso fica para outra discussão...

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2003/07/25

Oportunidade perdida? 

O Correio da Manhã noticia:

"Ao ignorar as recomendações da Comissão Europeia sobre a aplicação à Habitação de um IVA reduzido (cinco por cento) e ao insistir em levar por diante a reforma da tributação do património (onde se inclui a Sisa, com uma taxa máxima de 6,5 por cento), o Governo vai "travar" a descida do preço das casas.

As contas são fáceis de fazer; por um lado, temos um IVA a cinco por cento que pode ser integralmente repercutido em todas as fases da construção. Por outro, temos um imposto com uma taxa de 6,5 por cento, que será suportado pelo comprador no momento da transacção."


O fim da Sisa e a introdução do IVA a taxa reduzida permitiria, para além de reduzir a carga fiscal (especialmente através da possibilidade de deduzir o imposto), promover maior simplicidade e transparência fiscal no sector da construção.

Será lamentável que se perca esta excelente oportunidade para introduzir maior justiça fiscal e simultaneamente dinamizar a economia nacional...

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Valetetest 

Não resisto a citar a última linha do post do Valete Fratres! em que dá conta dos resultados de uma recente sondagem da Marktest:

BE 4.7% (entre jornalistas 83.3%, Fonte: Valetetest)

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Mais Ferro Rodrigues 

CAA argumenta que o artigo de JPP no Público desvia a discussão do verdadeiro problema: o estado da Justiça portuguesa.

É possível (e natural) que JPP procure com o seu artigo marcar pontos em termos políticos contra uma já muito debilitada liderança do PS (e na minha opinião consegue fazê-lo de forma brilhante). Não contesto também que haja sérios problemas no funcionamento do poder judicial em Portugal e tenho seguido atentamente as interessantes e qualificadas exposições do Mata-Mouros sobre a matéria. Parece-me no entanto que uma questão não anula a outra.

A existência de problemas no sistema judicial português não pode legitimar afirmações não fundamentadas tão graves como as que foram proferidas pelo líder do maior partido da oposição. Não se trata necessariamente de obrigar Ferro Rodrigues a produzir prova em Tribunal das suas informações; trata-se de concretizar as acusações, explicar os motivos da "conspiração" e os meios através dos quais actua. O que não me parece responsável é lançar repetidamente, sem mais, a ideia de que tudo está "podre" sem nada fundamentar.

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Pacifistas e libertários 

Correndo o risco de gerar alguma confusão no debate, acrescento que a maioria dos libertários não são, de facto, pacifistas, mas há importantes excepções.

Considerem-se por exemplo as ideias de Bob Murphy (libertário, "isolacionista" e pacifista) sobre o assunto, apresentadas nos artigos "On Pacifism" e "Further Thoughts On Pacifism".

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Isolacionismo 

o LAS falou erradamente de "isolacionismo pacifista" num blog anterior. Ninguém é pacifista no isolacionismo. Nem no lado conservador, nem no lado "libertarian" (muito menos os “conservative-libertarians” como eu). Nem sequer os países isolacionistas como a Suiça o são, muito pelo contrário. Todos defendem o direito natural à posse de armas e à legítima defesa. A enorme eficácia da defesa da soberania Suiça está na sua organização sob a forma de (proto) milícias armadas.

O que todos têm comum é a saudável relutância em por em risco as vidas e bens dos seus cidadãos e os interesses estratégicos de defesa da sua Nação, nos conflitos, intrigas e problemas dos outros, e em especial na desconfiança quanto à doutrina que entra em ruptura com princípios éticos de relacionamento entre Estados soberanos: o "preemptive strike" e aindução exterior de revoluções.

As revoluções são para ser feitas pelas próprias populações, devem ser estas a decidir quando fazer, como fazer e o que fazer aos seus próprios tiranos. Senão, teremos a anarquia (no sentido comum do termo - sem princípios ou regras) instalada nas relações internacionais e abundantes e não imediatas (com frequência até distantes no tempo) “unintended consequences”.

Nota: nunca esperei ver tanta direita falar tão abundantemente de revolução, libertação com tanto hiper-moralismo democrático e vontade de levar a transformação social ao mundo. "We live and learn".

Um exemplo da prudência Conservadora, por quem escreveu sobre " A Republic, not an Empire" no ínicio dos anos 90.

"Contain Iran, don’t attack it"Patrick J. Buchanan, em The American Conservative

"Thus, before President Bush heeds the counsel of a War Party that has us bogged down in Iraq, he should reconsider the merits of the policy that won the Cold War: deterrence and containment.

For in power, Islamic fundamentalism has proven itself as great a failure as Bolshevism and Maoism. Time is on our side.

What America needs in its clash with rogue regimes like North Korea and Iran is not pre-emptive wars, but what Mark Twain called the “calm confidence of a Christian with four aces.”

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Good fences and free trade 

A propósito desta notícia "U.S. PRESSURES ISRAEL TO STOP SECURITY FENCE".

Porque razão não deverá Israel assegurar a sua defesa pela forma mais eficaz? Porventura será preferível perpetuar o ciclo de violência por causa de sonhos de ingénuos ideais de imigração "livre" e "livre" circulação?

"Good fences and free trade" é o melhor "road map" que palestinianos e israelitas poderão implementar.

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2003/07/24

Ainda Ferro Rodrigues 

Admitindo que se sinta perseguido, eu até sou capaz de entender a indignação de Ferro Rodrigues. O problema é que não pode simultaneamente ocupar a liderança do maior partido da oposição e lançar "para o ar" acusações de que há uma sinistra conspiração em curso a minar o Estado de Direito sem as fundamentar minimamente.

Words have consequences...

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Reaposta a LAS sobre FR 

Só tenho um singelo comentário a fazer relativamente ao desafio do nosso LAS: a dita figura faz-me pena ! É o único comentário que tenho a fazer: o homem não foi mesmo dotado para isto. Faz-me lembrar o seu antecessor, e a respectiva caricatura do contra-informação, lembram-se? Só sabia dizer "eu não vim preparado para isto", "eu não vim preparado para isto" !
Entre um e o outro, se calhar o PS ainda estava mais bem servido (ou menos mal, para ser mais rigoroso) com o anterior. Quem diria que eu alguma vez viesse a dizer uma coisa destas?...

Já agora, um pouco mais a sério, e sobre todo este debate que tem animado os blogues no dia de hoje, recomendo o subscrevo o comentário do Liberdade de Expressão. O caso dos "palermas" é o que melhor caracteriza aquela hilariante figura da nossa vida política.

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Sobre F.R. 

Peço aos ilustres causídicos que façam comigo um exercício de memória conducente a uma eventual constatação: lembram-se, nos vinte e tantos anos que leva esta 3.ª República, de uma personalidade política de "primeira linha" tão ou mais paranóica que Ferro Rodrigues no exercício das suas funções? A minha resposta: não (creio que é o mais baixo que já se viu neste regime). Respondido isto, só se pode constatar das duas uma: ou o homem tem problemas de personalidade ou se sente bem "entalado" (nenhuma das hipóteses é muito animadora).

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JPP sobre Ferro Rodrigues 

JPP coloca várias questões interessantes e pertinentes no Público de hoje a propósito das afirmações sobre a existência de uma "conspiração" proferidas por Ferro Rodrigues:

"Onde se localizam essas forças, a montante ou a jusante do processo da pedofilia, que, segundo Ferro, é o pretexto para as calúnias? Esta é uma questão muito importante e uma das que Ferro tem que esclarecer. Acaso esse grupo informal no interior do Governo controla os juízes e magistrados e está a usá-los como instrumento para atacar o PS, a pretexto da pedofilia? Ou a origem da tentativa de "decapitação" está nos próprios juízes e magistrados, numa acusação muito semelhante à que foi feita aos magistrados italianos, e a referência ao "populismo" é para eles? Ou esse grupo informal actua essencialmente gerindo fugas de informação dos processos, passando-as à comunicação social segundo uma estratégia deliberada, actuando inteiramente a jusante do sistema judicial? Ou é um pouco disto tudo, como Ferro diz, "esta mistura sem nome, esta arrogância sem princípios, esta força que não se sabe de onde vem". Mas nesse caso a referência a "coordenação de pressões" não teria sentido. É um grupo no Governo, são juízes populistas ou existe uma ligação entre ambos, "coordenando-se". Em que ficamos?"


A minha previsão é que ficamos, como de costume, pelas insinuações...

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Direito de Secessão e Liberalismo Clássico 

A ETA mata pessoas inocentes e deve ser combatida e perseguida. Dito isto, agora temos um proposta do Governo Basco para a independência. Noticiado no Público:

"O documento, para além de admitir a separação de Espanha, considera a possibilidade de incorporar a Comunidade de Navarra e pugna por acordos entre Euskadi e o País Basco francês. É a vigência do mítico conceito de territorialidade da grande nação basca, que além dos territórios divididos entre Espanha e França alberga Navarra.

O inequívoco sentido nacionalista está também presente nas competências reivindicadas para o novo Estatuto, de trâmite a caminho da independência."

Como pode isto ser resolvido? Com muita, muita dificuldade. Uma vez que o Estado representa o monopólio legal do uso da força (por isso é que a violência exercida pelo Estado tem sempre os mais elevados motivos ainda que financiada por meios coercivos e por mais mortes em massa que resultem e a violência da autoria de "civis" é sempre pelos piores motivos ainda que totalmente voluntária e por menor incidência que tenha) como resolvemos a disputa de duas agências concorrentes pelo mesmo espaço territorial? Com muita, muita dificuldade.

Mas temos o exemplo do Principado de Lichtenstein que concede constitucionalmente o direito de Secessão a qualquer comunidade ou até bairro que queira fazer-se autónomo.

Temos também o que disse o campeão da luta contra o Socialismo em “Liberalism”, Ludwig von Mises, no capítulo “Liberal Foreign Policy - The Right of Self-Determination”.

“The right of self-determination in regard to the question of membership in a state thus means: whenever the inhabitants of a particular territory, whether it be a single village, a whole district, or a series of adjacent districts, make it known, by a freely conducted plebiscite, that they no longer wish to remain united to the state to which they belong at the time, but wish either to form an independent state or to attach themselves to some other state, their wishes are to be respected and complied with. This is the only feasible and effective way of preventing revolutions and civil and international wars.”

Mises tem até o cuidado de vincar que não está a falar do direito de uma unidade política – o seu governo – mas dos habitantes em concreto.

"To call this right of self-determination the "right of self-determination of nations" is to misunderstand it. It is not the right of self-determination of a delimited national unit, but the right of the inhabitants of every territory to decide on the state to which they wish to belong."

Existe um problema muito sério quando uma nacionalidade incorporada, tendo estado sujeita a uma política de "imigração livre" ou até de imigração forçada, como na União Soviética, perca a homogeneidade cultural e étnica que permita chegar a um consenso alargado com facilidade.

Em todo o caso, perante vontades conflituantes, a única solução pacífica será porventura operar ao Direito de Secessão em zonas contíguas onde se verifique um consenso alargado, deixando o tempo operar mudanças adicionais. O Direito de Secessão é o calcanhar de aquiles dos estados modernos e a última mas mais forte forma de pressão das comunidades sobre o hiper-centralismo dos Estados, empenhados hoje na formação de Supra-Estados.

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Ainda sobre os Federalist Papers em edição portuguesa 

Pois é, os meus amigos anti-federalistas adiantaram-se aqui ao vosso fellow "federalista jeffersoniano" falando na publicação de tão importante obra em Portugal. Culpa minha...
Esqueci-me de dizer que estive presente na solenidade de lançamento, que ocorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, com muitos convidados, entre os quais o Prof. Adriano Moreira, que fez a apresentação da obra.
E de facto acabei por dizer ao Prof. Viriato S. Marques que em seguida havia que traduzir os "Anti-Federalist Papers". Ele riu-se...
A tradução é excelente, a encadernação é muito boa e atractiva (capa dura).
Já mora, desde o dia do lançamento, na minha biblioteca pessoal ao lado das suas congéneres norte-americana e espanhola.
Madison é a minha referência nos "Federalist Papers" - na esteira do "meu mestre" Thomas Jefferson... -, e a ovelha negra, é sobretudo, Hamilton (apesar de em algumas coisas não poder discordar dele, mas em pontos centrais é até, de certo modo, arrepiante (por ex. o seu centralismo).
A obra é díspar na qualidade/importância/ acerto dos textos apresentados pelos três autores, não deixando de tratar-se, como é sabido, de uma colectânea de escritos.
Para mim a correspondência entre Jefferson e Madison e também, a contenda ideológica entre o primeiro e Hamilton, a propósito dos "Federalist Papers", é de uma riqueza incrível, e muito mais interessante que aquela obra.
Todavia, "O Federalista" (nome em português) é muitíssimo importante e saúda-se com efusividade.
Parabéns ao Prof. Viriato Soromenho Marques pela tarefa, aliás, na esteira de "A Revolução Federal", seu anterior livro, e à Colibri.
Venham mais livros destes...


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Educação "livre" = Escravatura 

Em Denmark: A Case Study in Social Democracy

"It was recently proposed by one of the three economists from the Danish Economic Council that if young people in Denmark wish to move abroad after they have completed their education, they should first have to pay back the costs of their education. Only when they have paid enough taxes to cover all the expenses of their education, would they be able to move abroad without having to pay the government first.

Thus do we have proposed the social-democratic version of the Berlin Wall, an economic barrier to prevent emigration so that the state can continue to tax people to sustain a system that is unraveling. The mere suggestion is a telling sign that Denmark has nearly reached the end of the road. "

Comentário: O Federalismo tem uma alternativa melhor. Criar um sistema de educação federal e impostos federais. Com isso ficamos mais livres. Já só não vamos poder emigrar da "Federação Europeia". São tão atenciosos com a nossa liberdade.

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2003/07/23

National Security Aide Says He's to Blame for Speech Error 

Não gostei nada desta notícia. Uma assunção de erro forçada e deslocada. A velhíssima tese do bode expiatório (em futebolês, "respiratório").

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Burke, Hayek e Conservadores 

Concordo basicamente com tudo o que LAS escreveu sobre Burke. É certo que a oposição de Burke à "experiência" francesa pode ser considerada conservadora, mas o facto é que essa oposição teve por base uma fundamentação essencialmente liberal.

Estou também de acordo com LAS ao não concordar que se catalogue Hayek como conservador. O próprio Hayek, como é sabido, rejeitou essa classificação de forma bastante assertiva em "Why I Am Not a Conservative":

This fear of trusting uncontrolled social forces is closely related to two other characteristics of conservatism: its fondness for authority and its lack of understanding of economic forces. Since it distrusts both abstract theories and general principles, it neither understands those spontaneous forces on which a policy of freedom relies nor possesses a basis for formulating principles of policy. Order appears to the conservative as the result of the continuous attention of authority, which, for this purpose, must be allowed to do what is required by the particular circumstances and not be tied to rigid rule. A commitment to principles presupposes an understanding of the general forces by which the efforts of society are co-ordinated, but it is such a theory of society and especially of the economic mechanism that conservatism conspicuously lacks. So unproductive has conservatism been in producing a general conception of how a social order is maintained that its modern votaries, in trying to construct a theoretical foundation, invariably find themselves appealing almost exclusively to authors who regarded themselves as liberal. Macaulay, Tocqueville, Lord Acton, and Lecky certainly considered themselves liberals, and with justice; and even Edmund Burke remained an Old Whig to the end and would have shuddered at the thought of being regarded as a Tory.

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Federalistas e Anti-Federalistas 

A publicação da tradução dos Federalist Papers no nosso paí­s, de que LAS nos dá¡ conta aqui, é inequivocamente uma excelente notícia. Estão de parabéns a Colibri e o Prof. Viriato Soromenho-Marques.

Tal como LAS, sou anti-federalista (o que não me impede de simpatizar com muito do que foi escrito por Madison e mesmo por Hamilton) e, uma vez dado este importante passo com a publicação dos Federalist Papers, julgo que era óptimo que se seguisse num futuro próximo a edição portuguesa dos Anti-Federalist Papers. Fica a sugestão...

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Good old uncle Eddy again 

Não li (ainda) o artigo de João Pereira Coutinho na "Nova Cidadania" sobre Burke, mas desde há muito tempo que discordo da sua catalogação como conservador (não é a primeira vez que falamos sobre isto); mas não sei sequer se o artigo defende essa tese... O termo não existia no tempo de Burke e, no cenário partidário da época, ele era uma das principais figuras dos Whigs (não dos Tories), defendendo com unhas e dentes nas "Reflexões sobre a Revolução em França" (1790) que as suas ideias eram as que esse partido sempre defendera e que eram "whigs" como C. J. Fox que, ao quererem transplantar para a Grã-Bretanha a então recente experiência francesa de ruptura constitucional, estavam a abandonar os princípios do partido (ver também "An Appeal from the New to the Old Whigs"). É evidente para mim que Burke estava coberto de razão. Dito isto, chamar-lhe "conservador" depende da perspectiva de onde partimos e eu julgo que o problema é Burke ter sido habitualmente lido do lado dos radicais e catalogado dessa forma (p.e. também não concordaria que Hayek fosse assim catalogado), para além de ter sido posteriormente apropriado pelo Partido Conservador britânico (o qual, no entanto, se visto do continente, se assemelha mais a um partido liberal...). Como já disse noutra ocasião, há uns meses, não concordo com o CN que alguém como Burke possa ser reclamado para o isolacionismo pacifista e volto a recomendar, para o esclarecimento de dúvidas que subsistam, a leitura das suas "Letters on a Regicide Peace".

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O CN lá volta a falar dos neoconservadores num tom crítico (Aquilo é que é uma mania que ele tem!...)

Mas o que motiva o seu post (aqui) é Edmund Burke, e o facto de um artigo sobre Burke ter sido publicado na revista Nova Cidadania. Em primeiro lugar é preciso notar que o facto de esse artigo estar lá não indica que a revista esteja ou queira associar Burke ao neoconservadorismo ou aos neoconservadores. O tema principal da edição é esse (o neoconservadores), mas isso não significa que todos os artigos sejam sobre esse tema, como aliás o prova o facto de se incluirem outros aritigos sobre temas variados, comentários a livros, etc.

Mas eu li o artigo sobre Burke (do JPC) e achei bastante interessante. E quanto a essa eventual associação, que o CN tanto repudia, eu tenho opinião diversa.
É certo que Burke era um conservador (o Pai do conservadorismo moderno, para muitos), mas isso não implica que não fosse um combatente pelos seus ideais, e pelos valores que defendia.
Como se sabe, Burke lutou com grande empenhamento por várias causas - pela destituição do Governador da Índia e em defesa dos direitos dos indianos, em defesa dos direitos dos católicos na Irlanda, pelo aumento dos poderes do Parlamento britânico contra as intenções autoritárias do Rei, contra a Revolução Francesa, entre outros combates. Num deles, o da Revolução Francesa, ele foi tão intenso na sua luta, que isso lhe custou o lugar de deputado, e levou mesmo a que durante muito tempo, os seus pares o tivessem considerado louco. Mas, mesmo assim, nunca desistiu de lutar por aquilo que ele achava certo, pelos valores em acreditava.
Em suma, era um conservador mas um lutador. (Não poderemos dizer algo de semelhante dos actuais neoconservadores?)

Não quero com isto dizer que se Burke vivesse hoje teria as mesmas ideias que os neoconservadores. Mas também me parece que as ideias simplistas que o CN nos apresenta sobre a matéria são um bastante tendencisosas.

O que tem a dizer o nosso LAS ?

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Russia Warning 

Um post curioso no Yahoo! Message Boards: GFI, um Forum sobre a empresa produtora de Ouro Sul-Africana GoldFields:

"Here is an anecdote that is every word a true story. Take it for what it is worth to you.

I had lunch yesterday with some colleagues including a scientist of Russian descent now living in the US. We were discussing Russian history and politics and he made the following comment: "the government would give us their propaganda about how great the economy was but everyone knew it wasn't so great, and how everything was getting better but we knew it wasn't. Then they created every kind of social program, got heavily into the space program, and finally pursued all of their military adventures. Then the whole thing collapsed."

I then got a laugh from the group by making what I thought was an obvious remark. I said "Are you still talking about Russia or are you talking about the US?" Think about it. The ruble was a valuable currency until one day it was worthless. Overnight it happened in Russia. Are the economic fundamentals and political shenanigans so different in the US? We may find ourselves someday holding worthless dollars just as some held rubles, and for the exact same reasons. The decision is yours, but I advise you to own gold. "

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É o ouro, senhores... 

O ouro está novamente "rijo": numa altura em que, depois de umas semanas de dança entre o US dólar e o euro (mas em que parece já evidente que o euro não vai continuar a valorizar-se em relação à notinha verde), a onça de ouro está a aguentar firme nos $US 350 e a parecer assentar arraiais nos 310 euros. Quanto à cotação em $US, é o valor em que estava antes da iminência da intervenção militar no Iraque, o que pode querer dizer que esse valor não estava assim tão inflacionado pelo receio da guerra como se julgava. Para mais informação, ver www.kitco.com.

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The Passion, Mel Gibson 

Ao mesmo tempo que lemos a notícia de que:
"'Jesus' banned from brick walkway. Park district tells family it can't use name on inscription."

E quando já tinhamos lido em Abril que:

State Senate bars Christian prayer. Jewish lawmakers threaten walk-out over reference to Jesus

" A Maryland minister was barred from giving the opening prayer in the state
Senate after he refused to drop a reference to Jesus.

(...)

Miller issued the orders after two Jewish lawmakers threatened to stage a
boycott of the legislative session if the phrase was not removed.

"I'm shocked by the response. I've never had this happen in 26 years,"
Hughes told the Frederick News-Post. "It just makes me feel that they've
taken away my right as an American to pray, and this is the seat of
government, and that's scary."

Começam a chegar-nos as reacções ao filme "The Passion", do Católico tradicionalista Mel Gibson, sobre as últimas horas de Jesus Cristo e falado em aramaico. Joseph Farah comenta no WorldNetDaily:

"I saw a movie this week that moved me, changed me, inspired me and deepened my faith.

I was blessed to be part of a small group of people invited to a screening in Washington of Mel Gibson's "The Passion."

(...)

Before seeing the picture, I had read quite a bit about this movie. I had read it was controversial. I read some considered it anti-Semitic. I had read there was great concern expressed over the story.

I don't understand why.

(...)

To take issue with this movie is, essentially, to take issue with the Gospels, to take issue with the Christian faith and to take issue with a monumental artistic achievement by a filmmaker of increasing stature.

I wouldn't recommend that path to my friends in the Jewish community. It would be a dreadful mistake. It would set back Christian-Jewish relations – now at a high point in this country.

This is a movie that may not be the biggest box-office success ever, but it will resonate in the hearts and souls of millions and millions of Christians when it is released next spring – and, I suspect, for generations to come.

I am impressed beyond words"

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"Federalist Papers" em Português! 

Não sei se os ilustres causídicos sabem que o Prof. Viriato Soromenho-Marques editou recentemente, com a chancela da Colibri, os "Federalist Papers" (O FEDERALISTA) em Português (europeu). É edição integral e com aparato crítico. Tenho um exemplar prometido pelo Prof. (vantagens de contactos profissionais: haja algumas!). Também deveria merecer alguma atenção o seu "A Revolução Federalista" (Colibri), que se debruça sobre os debates políticos que conduziram à Constituição Federal de 1787; apesar de diferenças de perspectiva de análise (sobretudo para anti-federalistas como eu, CN e AAA), não deixa de ser interessante observar que, nalgumas partes do nosso meio académico, a história política anglo-saxónica esteja a suplantar a doentia e estéril curiosidade pela experiência política francesa... Eu, de qualquer modo (e sem desprimor para Hume, Burke e os Founding Fathers), continuo a pensar que, depois de Aristóteles, é nos grandes escritos políticos do século XVII inglês que estão a nossa "Lei e os Profetas" (para adaptar a descrição de Burke pelo Acton da primeira fase).

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Estados terroristas e a teoria das alianças 

Noticiava-se então no NYT:23 Julho de 1914, o Ultimatum da Austria-Hungria à Sérvia:

"It demands the punishment of all accomplices in the murder of the archduke Francis Ferdinand and the fomented rebellion in Bosnia. The Servian Government must publish on Sunday an official disavowel of its connection with the anti-Austrian propaganda. It is understood here that Belgrade will refuse to comply with the demands for the suppression of the societies. Grave importance is attached to the fact that Baron Hoetzendorf, Chief of the Austrian army would invade Servia. Seven corps have been ordered to be held in readiness and several monitors have proceeded to Semlin. In case of Servia's non-compliance with the ultimatum the army will invade the kingdom without further parley. Germany and Italy have expressed full approval of the Austrian programme and announced their readiness to go to extremes to "keep the ring" for their ally in case interference in support of Servia is offered from any quarter."

E depois? No Portal de História (www.arqnet.pt) podemos ler a sequência de acontecimentos:

28 de Junho O arquiduque Francisco Fernando, herdeiro presuntivo do imperador austro-húngaro Francisco José, é assassinado em Sarajevo, capital da província da Bósnia-Herzegovina, por revolucionários sérvios..
28 de Julho A Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia. A Rússia mobiliza, dando início às movimentações que levarão ao desencadear em 4 de Agosto da Primeira Guerra Mundial.
1 de Agosto A Alemanha declara a guerra à Rússia. A França ordena a mobilização geral dos exércitos.
3 de Agosto A Alemanha declara a guerra à França, e invade o Luxemburgo e a Bélgica.
4 de Agosto A Grã-Bretanha declara a guerra à Alemanha, devido à violação do Tratado de 1831 que declarava a Bélgica território neutral perpetuamente.
12 de Agosto A França e a Grã-Bretanha declaram a guerra à Áustria-Hungria. O Japão declara a guerra à Alemanha.

Comentário: É esta a teoria das alianças. Um pequeno conflito transforma-se numa carnificina planetária, ainda por cima porque a Austria quis combater um "Estado Terrorista".

Conclusão: "Mind your own business". Mas pelo menos, naqueles bons velhos tempos, existiam Declarações de Guerra.

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A mão invisível no Iraque 

No meio da anarquia, mas onde a propriedade é reconhecida, encontramos o desenvolvimento:

Chaos spurs Iraq small business

"Iraq "is a totally unique situation in comparison." For all the corruption and inefficiency of the former Soviet Bloc, there were still laws on the books and judges in courts, trying to work through the mess.

"We don't have a system in place in Iraq," Handy says. "We have a totally blank sheet of paper."

(...)

But if the task of drafting an entire commercial code in the midst of violence seems daunting, a partial answer is emerging at a more grassroots level - one that doesn't require approval from the Americans, Hussein, or anyone else.

Small businesses in Baghdad are stepping into the void, helped by the very lack of formal regulations and customs fees (...)"

Um conselho: Keep it that way!

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2003/07/22

It's Official: Saddam's Sons are Dead (via Valete Fratres) 

Segundo o The Command Post, os dois filhos do ex-ditador do Iraque estão entre as vítimas do ataque americano de hoje.

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2003/07/21

Edmund Burke e NeoCons 

O que faz João Pereira Coutinho escrever sobre Edmund Burke numa edição da Nova Cidadania sobre NeoConservadores?

Burke era Conservador e falou contra os ventos de transformação do mundo vindos da Revolução Francesa e o Jacobinismo.

Os NeoConservadores são sociais-democratas que se dizem Conservadores, muitos vindos da extrema-esquerda (Irving Kristol, James Burhman e muitos, muitos outros), proclamam a transformação do mundo, aplicando uma estratégia de fusão entre a esquerda e a (nova) direita Revolucionária, Militarista e Jacobina (o espírito de Napoleão vive!) para impor uma visão internacionalista do "fim da história” por meios violentos. "Destruição criativa", Revolução permanente", "Império benevolente" são alguns dos motes lançados pelos seus mais brilhantes intelectuais.

Quando menos se espera, o maior ataque ao Estado Nação vem duma nova espécie política: a do centrismo radical que se inspira à esquerda (a revolução e o internacionalismo) e à direita (a segurança e o militarismo). Afinal Blair já declarou que é favor do uso da força militar para acabar com todos os “maus” regimes. Não só ganhamos os ataques preventivos como os ataques ideológicos apimentados com o hiper-moralismo democrático. Não chega a defesa, é preciso atacar, operar a mudança. O pensamento e a prudência Conservadora foram simplesmente tomados de assalto.

Até enviaram como seu emissário o ex-leftie NeoCon Michael Novak ao Vaticano para tentar que o Papa repudiasse a doutrina da Guerra Justa a favor do ataque preventivo (preventivo de coisa nenhuma, estamos nós a descobrir agora).

Falta saber quem são os maus regimes e quem o vai decidir. Serão as autocracias do médio oriente? O Irão? Os paraísos fiscais? Seria Pinochet, Palhevi no Irão, o antigo regime na Indonésia e Filipinas, seria Portugal antes do 25 de Abril? Será o Vaticano, que é um Estado não democrático? O Liechenstein que decidiu conceder ao seu Príncipe poderes (horror e consternação!) absolutos?

Será preferível esperar que as próprias elites e populações cuidem do seu regime e assumam uma responsabilidade que só aos próprios diz respeito, operem uma mudança serena ou, pelo menos, a possível, das suas idiossincracias, ou que bombardeamentos e baionetas de um qualquer "Global State" e a sua “Nova Ordem Mundial” apressem a história?

O que diria Burke? O que devem os Conservadores pensar sobre o assunto? Uma coisa eu sei. O sentimento Conservador e a "fatal attraction" pela truculência libertadora ("liberation, liberation"!) são incompatíveis. Mas o "minding our own business" está fora de moda e eu provavelmente também o estou. O ser “ex-everything and neo-everything” de Irving Kristol é que está a dar.

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2003/07/20

Berlusconi na Time 

Pequena entrevista de Silvio Berlusconi à Time. Reafirma o apoio à intervenção no Iraque, faz as acusações esperadas e tem algumas tiradas com graça. Destaco esta: "I'm not a traditional politician, and I have a sense of humor".

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2003/07/17

"BCE diz taxas de juro estão no nível «apropriado» para sustentar retoma economia" 

Diz o negócios.pt

Comentário: Antes da criação dos Bancos Centrais e o fim do padrão ouro, não existia inflação e ninguém tinha de se preocupar com o nível "apropriado das taxas de juro". E afinal de conta o que é a taxa de juro?:

Diz Mises:

"Originary interest is the ratio of the value assigned to want-satisfaction in the immediate future and the value assigned to want-satisfaction in remote periods of the future. It manifests itself in the market economy in the discount of future goods as against present goods. It is a ratio of commodity prices, not a price in itself."

"Originary interest is not "the price paid for the services of capital." The higher productivity of more time-consuming roundabout methods of production which is referred to by Bohm-Bawerk and by some later economists in the explanation of interest, does not explain the phenomenon. It is, on the contrary, the phenomenon of originary interest that explains why less time-consuming methods of production are resorted to in spite of the fact that more time-consuming methods would render a higher output per unit of input."

"People do not save and accumulate capital because there is interest. Interest is neither the impetus to saving nor the reward or the compensation granted for abstaining from immediate consumption. It is the ratio in the mutual valuation of present goods as against future goods.

The loan market does not determine the rate of interest. It adjusts the rate of interest on loans to the rate of originary interest as manifested in the discount of future goods."

Se a taxa de juro resulta da preferência entre bens actuais e bens futuros, e essa preferência pertence às pessoas, como pode ester ser manipulado, aumentado, diminuido? Pode o gosto (e a sua procura) por sapatos pretos ser apropriado ou não? Pode o preço relativo, ou rácio de troca entre sapatos pretos e café estar desajustado para "sustentar a retoma da economia? A verdade é que com a nacionalização do dinheiro apareceu (na verdade, limitaram-se a acabar compulsivamente com a prática desde o início dos tempos de usar a moeda ouro como meio de troca. Razão principal? A necesssidade de obter receitas "públicas" pelo "counterfeiting" do papel moeda - uma prática que no sector privado é classificado como crime) também a crença que:

"The economy is treated as a potentially workable, but always troublesome and recalcitrant patient, with a continual tendency to hive off into greater inflation or unemployment. The function of the government is to be the wise old manager and physician, ever watchful, ever tinkering to keep the economic patient in good working order. In any case, here the economic patient is clearly supposed to be the subject, and the government as "physician" the master.

It was not so long ago that this kind of attitude and policy was called "socialism"; but we live in a world of euphemism, and now we call it by far less harsh labels, such as "moderation" or "enlightened free enterprise." We live and learn."

"Economic Depressions: Their Cause and Cure", Murray N. Rothbard

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Golpe em S. Tomé  

No JN:

"Maldição do petróleo. Acordos assinados deixam muito a desejar.

Existência de vastas jazidas de ouro negro poderá estar na origem do golpe. EUA estudavam construir base militar no arquipélago . A conclusão, mais ou menos óbvia, de analistas familiarizados nos EUA com a situação na África Ocidental é de que o petróleo está por trás do golpe militar que depôs o Governo de S. Tomé. "

Comentário: Parece que Salazar, quando lhe foi comunicado que existia petróleo em Angola terá dito "Só nos faltava Esta!"

Porquê é que onde existe petróleo só existe miséria, atrasos, guerras, conflitos? Se alguém o descobrir em Portugal, por favor esconda-o para si, não precisamos de mais desgraças.

E para acabar, parafraseando o que já tinha dito sobre o anunciado apoio financeiro dos EUA à autoridade palestiniana: "Depois do Egipto e Israel, o Welfare Warfare Global State chega à Palestina" e, pelos vistos ... a caminho de São Tomé e Príncipe.

Por outro lado: "Aviso muito sério dos americanos. Os Estados Unidos lamentaram o golpe ocorrido em S. Tomé e já ameaçaram suspender, embora de forma velada, a assistência que prestam ao arquipélago, o qual depende, quase exclusivamente, da ajuda internacional. "

Acompanhemos.

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Do Conservador Robert Nisbett 

"The state is born of war and its unique demands. Those social evolutionists who have tried to derive the political state as a development from kinship – that is, as an emergent of household, kindred, or clan – have simply not recognized the issues involved. The first political figure in history is not the patriarch but the military leader. (…) the kinship group and the militia were thus set into complete and unremitting opposition so far as their aims and needs were concerned”. War is unavoidably statist and anti-family.

"It was not easy for the young Romans, after a number of years in the field where every form of violation of the canons of continence was scarcely more than routine, to return to the iron morality of the traditional Roman family system, with its built-in coercions, constraints, and subjections to patriarch and matriarch."

"I do not think it extreme to link the breakdown in moral standards in all spheres – economic, educational, and political – as well as in family life – the effects of two major wars – celebrated wars! – in this century. What is in the first instance licensed, as it were, by war stays on to develop into forms which have their own momentum."

"Many of the basic values of war and revolution are identical. In each there is legitimization of violence in the name of some moral or social end that transcends violence. The appeal in each is overwhelmingly to youth – its unique energies, strengths, and also values, the latter so often subordinated in peacetime to the values of the older and established members of the social order. In both war and revolution there is an emphasis upon loyalty, honor, and cause that is all too often difficult to find in ordinary political and economic society."

Comentário: Robert Nisbett expressa aqui a ligação entre a decadência de valores morais, económicos, etc, e a natureza da guerra, que muitos subestimam da sua característica revolucionária (no que pior podemos entender desta palavra), induzindo o espirito humano a esquecer aquilo que é antigo e tradicional, e abrindo uma página branca onde serão escritas novos (no que pior podemos esperar pela palavra "novo") e porventura degenerados valores impostos pelo crescimento do Estado. Exemplos: o fim do padrão ouro, os déficits e dívida pública como norma, o ataque legislativo à família, a educação programática, impostos extorsionários, a redistribuição coerciva, as politicas a favor da igualdade imposta, o ataque à propriedade e o direito à exclusão, a lei como peça legislativa e não como deriva do costume e interacção entre a Justiça (suposto "orgão de soberania" independente do Estado) e a sociedade civil, etc. Quanto destes novos valores estranhos ao século 19 (e ao liberalismo clássico) não o devemos às guerras do século 20 (em primeira linha a Grande Guerra) e o assim induzido crescimento do estado progressista e centralista?

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2003/07/16

S. Tomé e os americanos 

A notícia do golpe no único diário são-tomense on-line que conheço aqui. Ao contrário do que afirma "O Intermitente", parece haver argumentos para envolver os americanos no assunto. Fradique de Meneses está na Nigéria, para participar numa cimeira com"o seu homologo nigeriano, Olesung Obajanjo, (...) num encontro com uma representação dos negros americanos, o grupo com quem São Tomé e Príncipe assinou acordo ainda esta semana, na capital São Tomé (...) O encontro objectiva, sobretudo, a mobilização dos afro-americanos para investirem em África em iniciativas que contribuam para o desenvolvimento do continente, bem como o fortalecimento de laços políticos, culturais e sociais entre estes e os países africanos." (aqui)...
Agora a sério, há várias semanas que o ambiente estava tenso no arquipélago, com um pequeno partido (FDC) a reclamar, publicamente, a deposição do Governo de Maria das Neves, declarando, em conferência de imprensa (transmitida pela própria RTP África) defender o recurso aos meios necessários para o efeito.
Não deixa de ser curioso que o Golpe ocorra precisamente no dia em que o Presidente (que terá conseguido o adiamento de uma manifestação convocada pela FDC) se encontra na Nigéria (sede da empresa que assegurou, em condições leoninas, os direitos de exploração de petróleo no mar de S. Tomé) e ao mesmo tempo que o Ministro dos Negócios Estrangeiros está em... Lisboa (aqui)

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16 Julho de 1918: O Czar da Rússia é morto 

Ao mesmo tempo que é noticiada uma vitória sobre os Alemães "All Germans Pushed Back Over the Marne; Allies Gain Three Miles South of Soissons; Now Hold 20,000 Prisoners and 400 Guns" cai a primeira monarquia a que se iria juntar a monarquia dual do Império Austro-Húngaro, os Principados Germanicos e o Império Otomano.

Caiem as monarquias, mas ganha o fanatismo comunista, fascista e nazi. Terá dito Leon Trostsky em 1935 sobre da morte da família imperial:

"The decision was not only expedient but necessary. The severity of this punishment showed everyone that we would continue to fight on mercilessly, stopping at nothing. The execution of the Tsar's family was needed not only to frighten, horrify, and instill a sense of hopelessness in the enemy but also to shake up our own ranks, to show that there was no retreating, that ahead lay either total victory or total doom."

Foi esta a consequência da declaração de guerra do Império Austro-Húngaro ao Estado terrorista da Sérvia que incentivou o atentado que vitimou o Príncipe Herdeiro austríaco (a caminho duma visita a feridos de um atentado anterior). De que lado tiveram os "aliados" (na altura, Impérios a disputar as colónias dos derrotados)?

E o que dizer da participação americana forçada pelo idealista Presidente Woodrow Wilson (eleito com a promessa de cumprir o tradicional afastamento dos EUA dos problemas, intrigas e interesses em conflito dos Impérios Europeus)?

Citado num curioso artigo da Reason, "Teddy Roosevelt’s Hidden Legacy, How an "imperialist" president’s record makes the case for military restraint.":

“Winston Churchill suggested as much in 1936:

"America should have minded her own business and stayed out of the World
War. If you hadn’t entered the war the Allies would have made peace with
Germany in the spring of 1917. Had we made peace then there would have been
no collapse in Russia followed by Communism, no breakdown in Italy followed
by Fascism, and Germany would not have signed the Versailles Treaty, which
has enthroned Nazism in Germany. If America had stayed out of the