2003/12/30

Para quando um partido liberal? 

O Adufe comentou o meu anterior post em que alertei que o liberalismo não é uma teoria de gestão e considera que o mesmo é enquadrável numa "inspiração liberal pura". Como é dessa fonte que reclamo "inspiração", resta-me agradecer o elogio.

No Adufe pergunta-se também:

À parte: para quando um partido liberal depurado por estas bandas? Faz cá muita falta, bem mais do que o nosso pobre Manuel Monteiro.


Pela minha parte, tenho algumas dúvidas quanto à viabilidade de um partido liberal depurado "por estas bandas", pelo menos no actual contexto social e cultural. Historicamente, em Portugal, as condições para esse tipo de empreendimentos também não têm sido encorajadoras. Para os tempos mais próximos, penso que será mais realista contar com os esforços dos (poucos) liberais que, ainda assim, vão resistindo, dispersos por vários dos partidos políticos nacionais ou independentes deles.

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Ranking dos artigos de 2003 da Causa Liberal mais lidos 

Em altura de balanços, aqui fica a lista dos artigos de 2003 mais lidos do site da Causa (ordenados por pageviews acumulados desde a publicação):

1- Catolicismo, Protestantismo e Liberalismo - Por Luís Aguiar Santos e André Azevedo Alves

2- Crise do Direito Contemporâneo - Perspectivas de um Direito Liberal (Resumo dos tópicos abordados na reunião de 22 de Fevereiro de 2003 da Causa Liberal) - Por Carlos de Abreu Amorim

3- Prostituição e as mães de Bragança - Por Carlos Novais

4- A reforma da Política Agrícola Comum e o alargamento da UE - Por André Azevedo Alves

5- Hayek versus Keynes - Por João Miranda ("articulista" convidado)

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2003/12/29

Ouro avança para máximo de sete anos 

O preço do contrato futuro do ouro, com entrega em Fevereiro, que já subiu 19% este ano, ascendeu a 416,50 dólares (334,91 euros) por onça, o preço mais elevado desde Fevereiro de 1996.

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Mises sobre Grover Cleveland 

(via Simbiótica)

"Contudo, foi um presidente democrata dos Estados Unidos, o presidente Cleveland que, em fins da década de 1880, vetou uma decisão do congresso de conceder uma pequena soma de auxílio - cerca de 10 mil dólares - a uma comunidade que sofrera uma catástrofe. Esse presidente justificou o seu veto escrevendo as seguintes palavras: "É dever do cidadão manter o Governo, mas não é dever do Governo manter os cidadãos" Estas são palavras que todo estadista deveria escrever numa parede de seu gabinete, para mostrar aos que viessem pedir dinheiro".

- Ludwig von Mises, As Seis Lições

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Lord of The Rings e Al Qaeda 

"Tchernignobyl" avança com uma peculiar hipótese interpretativa no BdE.

Nota ao Sr. Tchernignobyl: na hipótese avançada, o "cúmplice moral" seria J.R.R. Tolkien e não Peter Jackson.

Uma leitura "alternativa" (e, arrisco eu, menos do agrado aos autores do BdE) da obra de Tolkien pode ser encontrada neste artigo de Alberto Mingardi e Carlo Stagnaro: Tolkien v. Power

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Re: A pobreza na Europa II  

Paulo Pereira respondeu no Blogo Social Português ao Jaquinzinhos e a este meu anterior post e afirma: "se quiserem, também estou de acordo que o índice é insuficiente, já que mede apenas a desigualdade e não a pobreza absoluta"

Pela minha parte, a principal crítica que faço a este tipo de estudos e ao modo como são muitas vezes tratados na comunicação social é confundirem pobreza com desigualdade. A própria designação "pobreza relativa" (largamente difundida, mesmo entre economistas) é, na minha modesta opinião, infeliz e potencialmente enganadora, com prejuízo, inclusivamente, para a visibilidade e atenção concedida às situações de verdadeira pobreza (dita "pobreza absoluta").

Admito perfeitamente que a desigualdade seja uma preocupação para muita gente (embora tenha de confessar não saber, ex-ante, qual é o nível "ideal" de desigualdade. Deve no entanto ser tratada como desigualdade e não confundida com o conceito de "pobreza" por razões de impacto mediático ou propaganda política.

Quanto às PPC, caro Paulo, não tenho dúvidas quanto às vossas capacidades para recolher informação e apreender novos conceitos. É isso que me leva a ver em cada "alternativo" inteligente um potencial liberal...

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Nota ao Adufe: o liberalismo não é uma teoria de gestão 

Pode ler-se no Adufe:

Há de facto a necessidade de exercer "jurisprudência" no governo dos organismos, há espaço para a criação, espaço onde a cartilha não se adequa, há um desafio de ajustamento entre os vários instrumentos que tenhamos em acção ou como opção.
Digo-vos, por exemplo, que acredito que o poder da transparência, da sinceridade e do envolvimento no governo de uma empresa (que poderemos ver como de inspiração liberal pura num certo sentido) tem sido largamente desprezado face ao poder do chicote (também ele tantas vezes defendido pela lógica do trabalhador manhoso prolifera na boca de neo-liberais conservadores). Olho para a forma como a AutoEuropa decidiu em conjunto enfrentar a crise e vejo um exemplo, uma excepção. É demasiado fácil confundir autoridade com autoritarismo e ainda ninguém me convenceu que sustentar uma empresa com base no autoritarismo e mecanicismo do força de trabalho seja mais vantajoso do que apostar no respeito, no compromisso. Demasiadas vezes vejo o liberalismo a “despedir” como primeira opção, raras vezes vejo-o a procurar alternativas e não compreendo a razão deste caminho quando é a própria razão que consegue ir provando em muitas desta excepções que há alternativa que estas, a médio prazo, se traduzem em ganhos bem mais interessantes (e mutuamente vantajosos) para a empresa e empregados.


O liberalismo não "despede" (nem contrata) ninguém.
Convém notar que o liberalismo não é uma teoria de gestão nem estabelece de que forma ("autoritária", "mecaninicista" ou qualquer outra) devem ser geridas as empresas e restantes organizações. Essa é, aliás, uma das mais importantes características de uma ordem liberal (ou "espontânea", seguindo a terminologia de Hayek), por contraposição ao planeamento centralizado. O liberalismo determina apenas que todas essas empresas e organizações devem estar sujeitas à mesmas regras, não sendo beneficiadas nem prejudicadas por intervenções governamentais, de modo a que, precisamente, os modelos que se revelem mais vantajosos para as partes envolvidas possam prevalecer.

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2003/12/28

Re: Aborto 

Recomendo a leitura deste interessante post no Cataláxia sobre o aborto.

Concordo que é de facto uma das questões onde é mais difícil a um liberal consciente tomar uma posição, precisamente pelo conflito de direitos que está subjacente.

Duas observações laterais relativamente a partes do post:

1- "por um lado, está o inegável direito à vida, direito fundamental antes de todos os demais, sem o qual não há liberdade nem propriedade"

Parece-me possível defender que o próprio direito à vida é, em certo sentido, um direito de propriedade. Assim sendo, seria do conceito de propriedade do indivíduo sobre si mesmo (self-ownership), que decorreria o direito à vida e não o contrário. Veja-se, por exemplo, esta sintética formução de Rothbard, em For a New Liberty:

The most viable method of elaborating the natural-rights statement of the libertarian position is to divide it into parts, and to begin with the basic axiom of the "right to self-ownership." The right to self-owner­ship asserts the absolute right of each man, by virtue of his (or her) being a human being, to "own" his or her own body; that is, to control that body free of coercive interference. Since each individual must think, learn, value, and choose his or her ends and means in order to survive and flourish, the right to self-ownership gives man the right to perform these vital activities without being hampered and restricted by coercive molestation.


A discussão é, admito, melindrosa, em grande medida devido à forma particularmente estreita e limitada como o conceito de propriedade é empregue na tradição continental, comparativamente com a utilização do conceito de property rights na tradição anglo-saxónica (como oportunamente me alertou ainda recentemente CAA). A questão exigiria também maior desenvolvimento e sai, em certa medida, fora do âmbito do post em causa, mas não quis deixar de assinalar este ponto.

2- "Existe uma dimensão existencial que é metajurídica. O Estado não deve arrogar-se o direito de legislar sobre tudo."

De acordo. Mas parece-me que, entre as áreas onde o Estado deve legislar, deve estar incluída a protecção do direito à vida, pelo que tenho dúvidas de que a questão possa ser resolvida recorrendo a esse argumento.

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2003/12/24

Re: PRESENTE ENVENENADO 

José Mário Silva recomenda, em complemento à George W. Bush Action Figure, este livro, um complemento que seria também certamente do agrado de alguns libertários... :)

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2003/12/23

Top Gun: George W. Bush Action Figure 

A prenda ideal para Barnabés e BdE's. :)



The figure captures the good ol’ boy essence of the original George, from his rugged Texas back country good looks and characteristic placid political face. Its resemblance to the 43rd President is amazing, duplicating his crystal blue eyes, engaging smile and chiseled features. The box in which the figure comes in is larger in scale than other Talking Presidents figure boxes. A flip open front panel reveals the full speech the President gave during his historical visit to the U.S.S. Abraham Lincoln on its inside, while the front of the box displays the 12-inch articulated figure behind a clear plastic pane.

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O regresso da Cataláxia 

Saúdo o regresso ao activo, ainda que num tom de carregado pessimismo, do Cataláxia.

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Re: A pobreza na Europa  

Paulo Pereira responde no Blogo Social Português ao post Manipulações com Números do Jaquinzinhos onde se faz uma crítica certeira ao conceito de "pobreza relativa".

Estranhamente, logo no ponto 1 da resposta, Paulo Pereira afirma:

1 - O Índice é questionável (são considerados pobres os que auferem menos de 60% do salário médio nacional), mas a verdade é que tem sentido fazer um índice relativo, já que o custo de vida nos diferentes países impossibilita fazer um índice absoluto: de certeza que o carapau sabe que alugar uma casa em Londres, pagar o metro ou comer (na mesma cidade) é muito mais caro que em Portugal.

Será que pelos lados do Blogo nunca ouviram falar no conceito de Paridades de Poder de Compra? A avaliar pelo resto da resposta, não me espantaria que fosse o caso...

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Comunistas chineses reconhecem propriedade privada 

(via Mata-Mouros)

Assim vai o mundo...

O Partido Comunista Chinês (PCC) pretende que a Assembleia Nacional Popular aprove na próxima Primavera uma proposta de revisão constitucional que reconhece o direito à propriedade privada e que concede pela primeira vez um papel privilegiado aos empresários.

Com esta emenda pretende-se confirmar a presença na Constituição da teoria das três representações elaborada por Deng Xiaoping e defendida pelo Presidente Jiang Zemin, ao qual sucedeu há nove meses Hu Jintao.

A China tem agora no poder a sua quarta geração de políticos comunistas, que estão a levar a cabo uma transição cuidadosa e gradual, que passa pela candidatura da região de Macau a maior centro mundial do jogo, suplantando a mítica Las Vegas.

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Gore Vidal e Michael Moore 

JPP escreveu no Abrupto:

"A política de Vidal é um pouco como a de Michael Moore, mas Vidal escreve muito bem, o que faz toda a diferença."

Confesso ser a primeira vez que vejo esta comparação feita. Respeito as ideias de Vidal (sobre as quais me interessei na altura do seu contacto com McVeigh) e, por isso, a comparação parece-me, à primeira vista, chocante. Reflectindo um pouco, no entanto, há talvez que reconhecer alguns pontos de contacto. De quaqluer forma, Gore Vidal, não obstante as suas muitas qualidades, inclina-se claramente à esquerda (ninguém é perfeito...) pelo que quero crer que qualquer proximidade ideológica com o sr. Moore tenha essa única origem...

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Re: O AAA bem me avisou! 

João: quem avisa, amigo é! :)

Não nego que haja gente bem intencionada associada ao movimento (uma breve passagem pelo site da Post-Autistic Economics Network permitiu-me, por exemplo, encontrar este sensato artigo de Tony Lawson). Subscreveria vários dos pontos desta petição: a crítica à excessiva matematização da economia e aos modelos com pressupostos contrários à realidade, bem como a defesa do pluralismo.

Esta proposta (subscrita por vários portugueses, entre os quais o Professor Mário da Graça Moura, docente da FEP e um dos maiores especialistas mundiais em Schumpeter) também merece, no essencial, a minha concordância.

O problema, bem ilustrado pelo artigo do JUP a que o João faz alusão, é que este tipo de movimentos são muitas vezes "presas" fáceis para a instrumentalização da extrema esquerda.

Os austríacos estão assim muitas vezes numa posição de dupla heterodoxia: críticos da síntese neoclássica dominante mas também críticos dos que se opõe a essa síntese por verem nela a justificação de políticas alegadamente "neoliberais".

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2003/12/22

Re: Os manuais de História e a crise de 1929 (II) 

Ainda quanto ao dogmatismo colectivista/intervencionista dos manuais de História, o João responde:

Acredito que o fervor ideológico pós-25 de Abril tenha gerado este tipo de currículos escolares. Já não acredito que a sua manutenção tenha algo de intencional. Acredito sim, e muito sinceramente que há um conjunto enorme de pessoas que passam pela vida sem terem um pensamento próprio. É tudo uma massa de ideias feitas, de preconceitos enraizados. É este estado de coisas que permitem a reprodução deste tipo de barbaridades ano após ano, e não uma espécie de conspiração muito bem elaborada por uma casta privilegiada que pretende manter o seu status quo.


É provável que o fenómeno seja, em larga medida, um misto de reprodução "mecânica" de falácias colectivistas combinado com doses maciças de ignorância dos mais básicos princípios de teoria económica. Não me refiro aqui a teoria da escola austríaca ou da escolha pública, mas mesmo aos princípios básicos da síntese neoclássica, que são aceites pela generalidade dos economistas mas muitas vezes ignorados pelos historiadores. Para usar uma terminologia passível de ser considerada economicista, diria que grande parte do problema actual pode passar por uma escassez de oferta de historiadores que possuam sólidos conhecimentos de teoria económica. Nesta perspectiva, o problema seria mais de ignorância do que de má fé, sendo que seria a ignorância a responsável pela manutenção do consenso em torno de programas de história que acumulam, como bem refere o João, barbaridades.

A solução para o problema terá de passar por retirar ao Estado o poder de determinar centralizadamente os currículos e devolver a liberdade (e a responsabilidade) de escolha às famílias.

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Sobre o poder e alguns poderes 

Excelente artigo de Sofia Galvão no Canal de Negócios:

Com efeito, o que impressiona é a aparente inevitabilidade de transformar o poder em fim. Poder que, uma vez conquistado, é preservado, guardado, barricado. E que, fruto de uma lógica intrínseca, se esgota no contínuo reforço das suas garantias de imunidade.

Trata-se, evidentemente, de um poder servido por uma tentacular urdidura de circuitos e de interesses, em que todos se reconhecem como parte de um mesmo projecto. Este é, de resto, um aspecto essencial ao sucesso do modelo. Porque, na sociologia do poder, e caracteristicamente, há uma enorme estabilidade do círculo de pessoas que acedem ao estatuto dirigente no quadro das sociedades modernas e democráticas.

Na retórica do poder, estes dirigentes assumem a transitoriedade do seu papel. E justificam a sua disponibilidade como contributo, tendencialmente feito à custa de um assinalável prejuízo pessoal, para a causa pública. Move-os, dizem, um genuíno espírito de serviço. E a sua entrega à vida colectiva corresponde a um indeclinável sentido de missão.

Porém, e isso eles jamais dizem, materialmente, o poder envolve dominação. E esta perverte. A generosidade dos impulsos iniciais perde-se. A abnegação dá lugar ao pragmatismo e ao calculismo. O poder arrasta o carácter dos dirigentes e, a prazo, a degradação moral dos líderes é inevitável.

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Sobre a expropriação de imóveis 

Imprescindível a leitura dos posts Um Decreto socialista, no Mata-Mouros e Oficializar o roubo?, no Picuinhices.

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O Aborto pelo Natal 

Um interessante e, quanto a mim, ponderado e equilibrado artigo de Mário Pinto no Público.

CAA aponta no Mata-Mouros várias críticas ao artigo, mas custa-me a compreender que não esteja, no essencial, de acordo com esta ideia fundamental expressa por Mário Pinto:

Todos sabemos muito bem que a lei de um Estado que é separado das Igrejas, como Portugal, não está dependente de uma concepção religiosa - e os católicos não querem um Estado confessional, querem ser iguais aos outros, livres de expressarem as suas opções enquanto cidadãos. Mas também sabemos que nem por ser separado das Igrejas um Estado está dispensado de proteger e garantir os direitos fundamentais da pessoa humana, o primeiro dos quais é o direito à vida.

Ora não é possível resolver a questão legal, ética e política da despenalização do aborto sem primeiro decidir, sem equívocos, acerca dos direitos do filho. Os direitos ou interesses da mãe também entram na questão, mas não a esgotam. A questão é sempre de conflito entre interesses ou opções da mãe e a vida do filho. Não podemos fugir deste dilema. Quando uma mulher diz que manda no próprio ventre, e isso é transformado em bandeira mediática, quer dizer que é proprietária do filho gerado e que este não passa de uma víscera? Pode então fazer dele o que quiser, inclusivamente vendê-lo no mercado para cosméticos ou experiências de laboratório? Claro que não se podem ignorar as graves circunstâncias que muitas vezes pressionam dramaticamente a mulher-mãe que aborta; mas também não se pode perder de vista que o aborto mata violentamente o filho e que este é (ou não é?) um novo ser humano.

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So long as they spell the name right 

(via Roger Garrison no Mises Economics Blog)

Aparentemente, para David C. Colander, autor de Macroeconomics 5th ed., (McGraw Hill, 2004), a Teoria da Escolha Pública (Public Choice) é um sub-grupo da Escola Austríaca:

A sub-group of Austrian economists is public choice economists.They use the mainstream supply-and-demand approach, but apply it much more broadly than do mainstream economists. Specifically, they see government decisions as reflecting economic forces rather than attempts by government to do good. Well-known public choice economists include Gordon Tullock, James Buchanan, and Robert Tollison.


O facto de nenhum dos três economistas da teoria da escolha pública referidos (Buchanan, Tullock e Tollison) ser da Escola Austríaca e de Tullock ser inclusivamente um crítico de longa data das teorias austríacas não parecer ter sido considerado por Colander. Aliás, Tullock, num artigo recente, afirma mesmo de forma taxativa: "I am not only not a libertarian, I'm not even an Austrian.".

Assim vão os manuais de Macroeconomia...

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Abuso de Crianças Legalizado 

Artigo de Butler Shaffer traduzido no Contra o Estado:

"Se você pudesse apertar um botão mágico que extinguisse um programa político, e somente um, qual você escolheria?" De vez em quando me fazem essa pergunta. A idéia de apertar botões - mágicos ou não - como modo de resolver as confusões que nós criamos pela política não me atrai. É por esse motivo que abandonei há muito tempo qualquer interesse em "reformar" o sistema político por meio de qualquer espécie de ação política. Mesmo assim, se eu pudesse, um dia, acordar de manhã e ouvir a notícia de que uma instituição política desapareceu para sempre num "buraco negro", saber que essa instituição é o sistema educacional do governo me traria mais satisfação do que a perda de qualquer outro programa.

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A relatividade da pobreza relativa 

Excelente post no Liberdade de Expressão a ilustrar os problemas de tirar conclusões a partir do conceito de "pobreza relativa":

Como pode a percentagem de pobres na Irlanda ser superior à percentagem de pobres em Portugal?

Simples: a Comissão Europeia considera que pobres são aqueles que pertencem a agregados familiares onde o rendimento é inferior a 60 por cento da média nacional de cada país.

Em Portugal, são pobres todos aqueles que pertencem a agregados familiares onde o rendimento é inferior a 42% da média europeia.

Na Irlanda, são pobres todos aqueles que pertencem a agregados familiares onde o rendimento é inferior a 71% da média europeia.

Se o critério aplicado à Irlanda fosse aplicado a Portugal, nós teriamos 50% de pobres e não 20%.

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Re: Imigração, xenofobia e Estado de Direito 

Estando eu de acordo com os princípios do Estado de Direito e as limitações que o mesmo deve impor à regra da maioria, que CAA eloquentemente expôs aqui, não posso deixar de colocar a pergunta:

Em que medida decorre da existência de um Estado de Direito um hipotético "direito a imigrar" por parte de terceiros?

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Re: Imigração e a regra da maioria 

João Miranda responde aqui ao post "Imigração, xenofobia e Estado de Direito" de CAA.

Estou totalmente de acordo com as considerações formuladas por CAA quanto ao Estado de Direito mas parece-me que as mesmas não são válidas para responder às questões oportunamente levantadas por João Miranda:

O que me leva a fazer mais perguntas. Dado que existem 3 grupos, minoria (25%), maioria (75%) e imigrantes:

1. a minoria tem direito à imigração dos imigrantes?
2. os imigrantes têm direito a imigrar?
3. a maioria não tem direitos? Em particular, a maioria não devia ter direito a gerir a propriedade comum?

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Libya Opens Nuke Programs to Inspections 

Libya has agreed to open its nuclear activities to pervasive inspection by the U.N. atomic agency as early as next week, a key step toward honoring a promise to scrap its nuclear weapons program, the agency's chief said Monday.

(...)

Gadhafi's decision to come clean is the latest in a series of moves to end his country's international isolation and shed its reputation as a rogue nation.

The United States imposed sanctions in 1986, accusing Libya of supporting terrorist groups. Ten years later, America passed the Iran and Libya Sanctions Act, which threatened to penalize the U.S. partners of European companies that did significant business in Libya and Iran.

While U.S. sanctions remain in force, the U.N. Security Council voted to abolish its sanctions on Libya in September, after it agreed to pay compensation to families of the Lockerbie bombing.

Pan Am Flight 103 from London to New York exploded over the Scottish town of Lockerbie on Dec. 21, 1988, killing 259 people on the plane and 11 on the ground. A former Libyan intelligence agent was found guilty of the bombing in 2001 and sentenced to life in prison.

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2003/12/20

Faleceu Orlando Vitorino (1922-2003) 

Só soube ontem (Sexta-feira), através de uma notícia na secção cultural do jornal "Público" que falecera no passado Domingo o Dr. Orlando Vitorino, o maior vulto intelectual do liberalismo português contemporâneo. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa em Filologia Românica e Ciências Histórico-Filosóficas, Vitorino veio a revelar-se um dos mais originais pensadores da corrente denominada Filosofia Portuguesa e teve uma intensa actividade enquanto crítico, jornalista e publicista, e ainda como encenador e realizador de cinema. O seu legado intelectual teve a feliz originalidade de ligar explicitamente a tradição filosófica em que se situava à tradição liberal, o que ficou magistralmente exposto na sua principal obra, "Refutação da Filosofia Triunfante" (1976), em que atacou profundamente a mentalidade colectivista que suportava o então triunfante socialismo português. Nessa obra, Vitorino defende um são individualismo assente nos três princípios inseparáveis da procura da Verdade (legada pela filosofia clássica dos Gregos), da Justiça (legada pela ordem jurídica romana) e da Liberdade (legada pelo cristianismo) e que são o ponto de partida para a defesa que faz da "politeia" aristotélica (a que chama "poliarquia") como melhor regime político e da economia política dos clássicos como o melhor sistema económico (embora com a lucidez de já recorrer aos Austríacos, e a Mises em particular, para abordar a questão do valor e da moeda). O milagre intelectual que representou o aparecimento de um tal livro no Portugal de então foi continuado por um persistente esforço de Vitorino em divulgar o liberalismo nas suas vertentes filosófica, política e económica: na revista "Escola Formal" atacou o sistema estatal de educação, em 1980 traduziu e editou "O Caminho para a Servidão" de F. A. Hayek e em 1983 publicou "Exaltação da Filosofia Derrotada", um complemento à "Refutação", em que apresenta e faz o elogio de Mises, Hayek e Friedman (embora se identificasse sobretudo com os dois primeiros). Convém ler as obras de Vitorino para nos espantarmos não só com a clareza cristalina da sua argumentação, mas também com o entusiasmo que as ideias liberais imprimiram a um intelectual opositor do Estado Novo que recusou o consenso marxista desse lado da "barricada"; poucos homens do meio cultural no Ocidente (quanto mais em Portugal!) poderiam dizer, como Vitorino pôde confessar, que a descoberta dos grandes economistas liberais do século XX foi uma experiência de profunda libertação e felicidade intelectual. E talvez Vitorino tenha chegado a saber que, para outros, mais novos, um livro como a "Refutação" representou exactamente a mesma experiência...

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2003/12/19

Truman Knew Japanese Wanted to Surrender 

"According to President Harry Truman, one direct consequence was the decision of the Japanese to surrender — after the Soviet Union declared war on Japan on Aug. 8 and the U.S. dropped a second atomic bomb on the city of Nagasaki on Aug. 9. But others have insisted that the atomic bombings were not necessary to end the war.

It is an interesting and relevant fact that this controversy was initiated in 1945 by conservatives such as Time magazine publisher Henry Luce, Gen. Dwight D. Eisenhower, New York Times military correspondent Hanson Baldwin and David Lawrence, editor of U.S. News, who wrote in October 1945: "Competent testimony exists to prove that Japan was seeking to surrender many weeks before the atomic bomb came."

This is a view that historical research has confirmed. The discovery of President Truman's handwritten private diary, for example, revealed that on July 18, 1945, he had read a "telegram from Jap Emperor asking for peace…. Believe Japs will fold up before Russia comes in. I am sure they will when Manhattan [atomic bomb] appears over their homeland." And again, on Aug. 3, 1945, Walter Brown, an aide to Secretary of State James F. Byrnes, noted in his diary that Truman and his aides "agreed Japs looking for peace…. ""

Nota: alguns são levados a pensar que o meu criticismo da política externa americana incentiva o anti-americanismo (já de si, uma palavra repetida até à exaustão que fica esvaziada de sentido e que por outro, esconde um já indisfarçável chauvinismo nacionalista americano - algo impensável porque a América fundava-se nos seus Estados e não numa ideia de País representado pelo Estado Federal com uma qualquer missão internacionalista, mas a guerra fria tudo modificou - para pior), mas o que se pretende é demonstrar que o Estado, mesmo ou especialmente em assuntos de defesa e política internacional, e até numa Nação que em tempos prosperou na sua ausência, é levado às piores consequências com origem em acções de homens bem intencionados que querem o nosso bem. O problema não é o poder mal usado, mas sim a própria capacidade de deter o poder. E mesmo em acções de guerra de legítima defesa o pior acontece, seja no bombardeamento intensivo das cidades alemãs, no uso de WMD sobre cidades japonesas, no bombardeamento no Vietname, Laos e Cambodja, etc.

Existe um boa razão para a extrema prudência e aversão aos conflitos fora do território nacional: os tradicionais erros, grupos de pressão de interesses (quer ideológicos quer mesmo financeiros), engodos, incompetências, ineficiências, que caracteriza em geral a acção do Estado, resultam em desastres de proporções desumanas. Harry Truman e Roosevelt contribuíram para o que seria o domínio soviético de Estaline nos pós Segunda Grande Guerra. Quiseram-no especificamente? Talvez não. Mas faz parte das unintended consequences das suas acções, que remontam já a Woodrow Wilson na Grande Guerra.

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Gold bug talk 

1) Central Bank sales and the gold price

"It surprises me when gold investors, particularly those who believe that gold is money, denounce Central Bank gold sales. Central Bank sales are good for the gold market because private ownership of gold is a pre-requisite if gold is ever to be used as currency again.

Whenever gold is ubiquitously used as money, the majority of it is in private hands simply because the private sector, as a whole, has significantly more capital than governments. Whenever the world is forced off a gold standard, it is done in conjunction with gold confiscation. This allows the government to shift to a fiat currency that it can inflate without giving the citizenry an opportunity to use gold as a competing currency.

Look at Central Bank sales as a transfer of gold from weak hands (those inclined to sell, the Central Banks) to strong hands (those who believe in gold as a store of wealth and inclined to hoard, the public). This is positive for the gold market, especially since the sales don't even depress the gold price. It's proof of just how robust the gold market really is."

2) Pac-Man, Clicks & Bricks

The second phase of this bull market is about to begin with institutional interest in gold beginning to pick up. Several of the world exchanges are initiating programs to begin trading in gold. Several ETFs are now going through the registration process and interest in gold and silver equities is growing by the day.
...
There are two main reasons that are going to drive this bull market to even higher ground and I believe to levels never dreamed before. The main drivers of this new bull market are still going to be for monetary and fundamental reasons. Central banks and especially the US. Fed are printing money as never before.

In order to keep their own currencies from rising too rapidly, other central banks are also expanding their money supply and intervening in the currency markets. In this fiat paper money system now used globally, the creation of money is made by a handful of men. As governments pursue polices to foster growth and avoid deflation, they are actively involved in debasing their currencies.

Western governments and other nations around the globe are saddled with onerous debt burdens. There is no way out, but to inflate. There isn’t enough money to bail the U.S. or any other large debtor of its debt predicament. It has become only a matter of time before the present monetary system begins to unravel and the people find out that the emperor has no cloths."

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Prisioneiros de Guantanamo têm direito a advogado, diz tribunal federal 

"Um tribunal federal de São Francisco (Califórnia) decidiu que os detidos na base naval norte-americana de Guantanamo (Cuba) têm direito a um advogado e a aceder ao sistema judicial norte-americano.

O tribunal federal, composto por três juízes, estimou por dois votos contra um, que os cerca de 660 prisioneiros oriundos de cerca de 40 países e detidos em Guantanamo em nome da "guerra contra o terrorismo" têm direito a um advogado e às vantagens do sistema judicial americano."

O sistema vai funcionando, e entretanto levantam-se muitas questões: nos termos tradicionais da "rule of law":

Como podem combatentes num país terceiro serem acusados e julgados devidamente por se oporem a uma invasão? porque a invasão foi para remediar um atentado? Mas como ligar o crime do atentado à resistência a uma mudança de regime? Podem as pessoas em causa, agora prisioneiras, ser devidamente conectadas em termos de cumplicidade a um atentado cometido por terceiros? Ou é apenas por que resistiram? Seguiam ordens e devem ser tratados como tal? Ou devem ser tratados como prisioneiros comuns de guerra dum exército perdedor? Ou como cúmplices directos?

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Non-Coercive Justice and Simple Punishment 

"The common law that developed in the Middle Ages had some elements of non-coercive enforcement, though decisions were not always enforced in a libertarian manner. However, the unique law that was developed by merchants did have this character. Bruce Benson explains that merchant courts developed because the other options of the time, royal courts or common law courts, would not honor contracts regarding the payment of interest or would not allow books of account as evidence. (3) Benson also explains how the decisions of these courts were not backed by violence but rather from the voluntary boycotting of other merchants. Quoting William Wooldridge, “Merchants made their courts work simply by agreeing to abide by the results. The merchant who broke the understanding would not be sent to jail, to be sure, but neither would he long be a merchant, for the compliance exacted by his fellows, their power over his goods, proved if anything more effective than physical coercion.” (4)

The merchant law settled contract disputes and resolved issues such as fraud. Though the scope of the law was limited, there is no reason to expect that such a system could not be applied to all law. In fact, we can cite a modern system of law with voluntary enforcement that regulates all manner of behavior. This is the Amish code of conduct.

(...)

The structure of a justice system in a stateless society is an intriguing question to libertarians and anarchists. Unfortunately, many suggestions for private courts and enforcement agencies set up nothing more than little competing states. Such “private” courts would be more like states in character because they must violently enforce their decisions. Furthermore, since it is unethical to coercively punish criminals, the stage is set for these illegitimate entities to keep enlarging their violations of rights. It is only a matter of degree between putting a thief on a chain gang and extorting payment from the people of a given region for the court’s dubious service of justice. The only alternative is to recognize that no one has the right to deprive criminals of their rights, and that any punishment must be accomplished by voluntary means. Aside from being the libertarian solution for justice, such a system would promote community and prevent any court from quietly becoming a government and landing us back in the situation we have today. "

Jacob Halbrooks, strike-the-root

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Oh, well... 

1) Finding Nothing, David Kay Leaving. Is the Search for WMD Over?

"After eight months of fruitless search, George Bush has in effect washed his hands of the hunt for Iraq's weapons of mass destruction, in whose name the United States and Britain went to war last March.

David Kay, the CIA adviser who headed the US-led search for WMD, is to quit, before submitting his assessment to the US President in February."

2) 'Evidence' of al-Qaeda-Iraq Link Faked

"A document tying the Iraqi leader with the 9/11 terrorist is probably fake. Dec. 17 - A widely publicized Iraqi document that purports to show that September 11 hijacker Mohammed Atta visited Baghdad in the summer of 2001 is probably a fabrication that is contradicted by U.S. law-enforcement records showing Atta was staying at cheap motels and apartments in the United States when the trip presumably would have taken place, according to U.S. law enforcement officials and FBI documents."




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2003/12/18

J.R.R. Tolkien 

"My political beliefs lean more and more to Anarchy (philosophically understood, meaning abolition of control not whiskered men with bombs) – or to 'unconstitutional' Monarchy ... Give me a king whose chief interest in life is stamps, railways, or race-horses; and who has the power to sack his Vizier (or whatever you care to call him) if he does not like the cut of his trousers."

"I am not a `democrat' only because `humility' and equality are spiritual principles corrupted by the attempt to mechanize and formalize them, with the result that we get not universal smallness and humility, but universal greatness and pride, till some Orc gets hold of a ring of power--and then we get and are getting slavery" (The Letters of J.R.R. Tolkien, 1995, p. 246)

"You can make the Ring into an allegory of our own time, if you like: and allegory of the inevitable fate that waits for all attempts to defeat evil power by power" (The Letters of J.R.R. Tolkien, p. 121).

When Frodo offers him the Ring, the wise Gandalf cries:

"No! With that power I should have power too great and terrible. And over me the Ring would gain a power still greater and more deadly! Do not tempt me! For I do not wish to become like the Dark Lord himself. Yet the way of the Ring to my heart is by pity, pity for weakness and the desire of strenght to do good. Do not tempt me! I dare not take it, not even to keep it safe, unused" (The Lord of the Rings, 2001, p. 60.)

Pearce quotes Tolkien as saying: It is no coincidence that The Shire is portrayed as an idyllic rural society with little formal government, while Mordor is quite emphatically an industrial, collectivistic slave-state.

Pearce quotes poet Charles Coulombe, "In an age which has seen an almost total rejection of the Faith on the part of the Civilisation she created, the loss of the Faith on the part of many lay Catholics, and apparent uncertainty among her hierarchy, Lord of the Rings assures us, both by its existence and its message, that the darkness cannot triumph forever."

"For Tolkien," writes Pearce, "Catholicism was not an opinion to which one subscribed but a reality to which one submitted . . . . Tolkien remained a Catholic for the simple if disarming reason that he believed Catholicism was true."

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Senators were told Iraqi weapons could hit U.S.  

"U.S. Sen. Bill Nelson said Monday the Bush administration last year told him and other senators that Iraq not only had weapons of mass destruction, but they had the means to deliver them to East Coast cities.

Nelson, D-Tallahassee, said about 75 senators got that news during a classified briefing before last October's congressional vote authorizing the use of force to remove Saddam Hussein from power. Nelson voted in favor of using military force.

Nelson said he couldn't reveal who in the administration gave the briefing.

The White House directed questions about the matter to the Department of Defense. Defense officials had no comment on Nelson's claim.

Nelson said the senators were told Iraq had both biological and chemical weapons, notably anthrax, and it could deliver them to cities along the Eastern seaboard via unmanned aerial vehicles, commonly known as drones."

Para onde vai a república quando os senadores (and everyone else) são enganados para se fazer a guerra? Look to Rome.

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Isto é que é antecipação! 

Hussein could try to dredge up some of this history during his trial, in an argument that the West was somehow complicit in his actions.
"During trial, Hussein may try to implicate Western leaders. U.S. and other nations that supported him in past could be vulnerable.

Former CIA Director R. James Woolsey, a practiced litigator, said such a tactic by Hussein would be "a real reach for relevancy" and doubted that it would seriously embarrass the U.S. government.

"Was it inconsistent to have worked with Stalin during World War II and then to oppose him during the Cold War? So what? That's statecraft," he said."

E pronto, nos meses seguintes vamos ouvir esta patetice, vezes sem conta: o problema é quando um tirano não percebe que deixou de ser útil.

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Mais àgua na fervura 

The capture of Saddam was one of those moments in US political history when only one emotion is permitted, and anyone who dares break from the official line is The Enemy.

The first to break the silence this time, and early, was Cardinal Renato Martino, head of the Vatican's Pontifical Council for Justice and Peace. "I felt pity to see this man destroyed," he said, with the military "looking at his teeth as if he were a cow.... Seeing him like this, a man in his tragedy, despite all the heavy blame he bears, I had a sense of compassion for him."

Oh how the bloggers loved this one. Instapundit blasted away, National Review attributes such crazy thoughts to the disease of anti-Americanism, and the Dynamist said she could never "respect the authority of such idiots."

It is unseemly to see intellectuals using their talents toward such anti-intellectual ends as national chauvinism. But we've seen that many times in history, as the career of Heidegger shows. Never believe that intellectuals are above it all; when the right circumstances present themselves, they are ready not only to goosestep with the best of them, but also to write the manuals and administer the prison camps for those who refuse.

Just for the sake of review, let us just state the obvious points that one is somehow not allowed to mention. Iraq under Saddam was known as the most liberal Arab state. There was relative religious freedom. Women had rights. You could get a drink. You could own private guns. There were symphonies and arts. Fundamentalists had no power. The place was prosperous and enjoying immigration.

He was a despot, yes, but that hardly distinguishes him in the region. He owned some nasty weapons, yes, mostly sold or given to him by the US government, on whose behalf he waged war on Iran. He also made war on the attempted secessions of the Kurds and the Shiites.

Oh the joy of liberation! And don't you dare disagree with the claims of the imperial wizard in the slightest respect. Never mind that the US denies pro-Saddam protesters the right to assemble and speak, and shoots them. Never mind that violence and bombers have become more common after his capture. Never mind that the main group cheering the capture in Iraq were pleased that an impediment to an Islamic state had been removed. No, the US says this is all great news and you had better believe it.

Llewellyn H. Rockwell, Jr.: Next US War Target: the Vatican?

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Re: Os manuais de História e a crise de 1929 

O facto da administração de Roosevelt estar cheia de comunistas e espiões soviéticos, tem algo que ver com tudo isso. o facto da União Soviética sair da Segunda Grande Guerra como a potência vencedora também.

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Blair signals retreat on Iraq weapons 

No FT.

"Tony Blair yesterday signalled a retreat from his previous confident assertions that weapons of mass destruction would be found in Iraq - the principal rationale used by the British government for the conflict.

The prime minister instead suggested the search would uncover evidence of how the Iraqi regime had disposed of the chemical or biological weapons it had previously possessed.

Mr Blair was careful to avoid asserting that Saddam Hussein had had weapons of mass destruction when the conflict started in the spring. He referred instead to much earlier uses of such weapons by the former Iraqi leader, stating: "That he had them is beyond doubt . . . he used them against Iran, he used them against his own people."

Ok. Já sei. É um tirano. E só isso vale a pena. E todos os tiranos vão ser varridos à face da terra e os povos iluminados pela Pax Ex-Tirani. E tudo isso começou no Iraque.

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Re: Os manuais de História e a crise de 1929 

O mais grave nesta questão é que existe um programa oficial de História, obrigatório para todas as escolas básicas e secundárias do País (estatais, privadas e cooperativas), que requer especificamente a apresentação da crise de 1929 como resultado dos "excessos" ou das "crises típicas" do "capitalismo", sendo uma das intenções obvias do dito programa apresentar como salvadores das pátrias F. D. Roosevelt, o New Deal e as formas de intervencionismo conducentes a modelos de "economia mista".

Outro aspecto não menos grave é que qualquer tentativa que os editores de manuais escolares façam de apresentar as coisas de um modo ligeiramente diferente é logo considerada pelos senhores professores como "erro científico", "desrespeito do programa" e razão suficiente para não adoptar tal manual na sua escola.

Duas coisas são necessárias, imediatamente: dar aos encarregados de educação maior intervenção na escolha de manuais nas escolas estatais e, sobretudo, acabar com a ditadura curricular do ministério da educação no ensino privado e cooperativo.

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WHY I'M NOT A CATHOLIC, REASON 7,598 

Here's the latest example of moral leadership from the Catholic hierarchy. My sympathies to those who feel bound by faith to respect the authority of such idiots.
To make sure I offend both major branches of Christianity, I'd suggest that Protestants consider the implications of their doctrines of moral equivalence--"we're all sinners," equally in need of salvation, equally offensive to God, equally incapable of righteousness--in the face of evil like Saddam's."

No Dynamist.

À la David Frum: Começaram por odiar Saddam, depois todos os árabes e depois os Franceses (e as suas batatas), os Europeus, o Papa e os Católicos.

Só se salva mesmo a National Review e a Weekly Standard.

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Poll: 43 Percent of Americans Feel Israel Threatens World Peace 

Afinal, em certas questões, Europeus e Americanos distanciam-se apenas por 15%.

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Re: ainda Saddam 

Mais um pouco e este libertarian (Jonathan Wilde) assina por baixo no novo militarismo intervencionista de esquerda à la Tony Blair: o uso da força para livrar a terra de todos os tiranos.

E quem É que vai decidir quem É tirano ou não é? a ONU? os Neocons? Os liberventionists?

Este tipo de moralismo libertador tem muito pouco que ver com o espírito libertarian ou mesmo conservador. Vamos lá ser moralistas, mas à grande:

Os US foram aliados e forneceram Saddam de armas químicas e biológicas na sua luta contra o Irão (na altura, o inimigo eleito dos US, cuja causa foram 25 anos de apoio a Palhevi posto no poder pela CIA, contra eleições democráticas no Irão).

Os US estavam informados do uso de armas químicas por Saddam na Guerra com o Irão.

Na altura, o Embaixador Americano "aprovou" a invasão do Koweit. Existiam disputas sobre a prospecção de petróleo em território iraquiano e o Koweit furava as quotas das Opep num altura em que o petróleo estava nos 10 Usd e o Iraque saia falido da sua Guerra contra o Irão em nome dos países vizinhos e do "Ocidente" (Inglaterra, França e até Portugal e outros também forneceram Saddam).

Saddam esmagou revoltas separatistas no Norte (os turcos também sempre maltrataram os Kurdos) e Sul (a influência do Irão, e esta revolta foi incentivada por Bush pai no Golfo I). E parte das misérias e controle estatal nos anos 90 deveram-se às sanções impostas pela ONU, destruindo a classe média e prolongando a economia de guerra.

Se não tivesse existido o Golfo I, os países à volta seriam os primeiros a controlar Saddam a suas expensas, com toda a certeza um acordo teria sido conseguido (já iniciado pelo Rei da Jordânia), 2 guerras teriam sido evitadas, existiria maior contacto com o exterior e pressões internas para a mudança do regime. Mas não... somos todos muito apressados. E deu no 11/9, a presença no Afeganistão e Iraque, e a ascensão do fundamentalismo.

Muito mais haverá a dizer, mas não é certamente para desculpar Saddam ou fazer dos US o império do mal, apenas que convém não levar a hipocrisia a limites insuportáveis ou a um misto de ingenuidade e turculência libertadora revolucionária própria de comunistas à procura de fascistas em todas as esquinas, cegos e sedentos de qualquer coisa.

E então se os Iraquianos quiserem libertar Saddam? Imaginem que a maioria Sunita prefere Saddam à tomada do poder pelos shiitas? Exactamente o que é que este liberventionist é a favor ou contra?

O problema é sempre que a suposta justiça é feita por terceiros que se deviam meter na sua vida, torna-se difícil ter parâmetros de right and wrong. E então os outros tiranos do planeta, quem são? a Arábia Saudita? Pinochet e todos os ditadores apoiados pela política externa americana no séc. 20 (e 21: Paquistão)? E se o Iraque cair na Guerra Civil quem é que vai encolher os ombros?

Quem tem uma balança da justiça? Ninguém, deixamos isso às próprias populações. Na Roménia julgaram e condenaram à morte. Na União Soviética, o regime desabou, o conflito internacional desapareceu, não existiram perseguições moralistas impostas por terceiros à antiga administração, e se calhar os seus crimes são bem maiores do que os do regime de Saddam. Seria melhor que a USSR tivesse sido invadida militarmente (fazendo de conta que isso era possível) e julgado todos os dirigentes por potências terceiras?

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Re: Os manuais de História e a crise de 1929 (3) 

Note-se no entanto que há também supostos "gurus" da Economia que não ajudam muito. Samuelson, por exemplo, na edição (14ª) pela qual estudei Introdução à Economia, afirma taxativamente que "Os ciclos económicos e o desemprego são aspectos inevitáveis de uma economia de mercado" (p. 654).

O capítulo sobre ciclos tem 21 páginas e está, apesar de tudo, bastantes furos acima da falta de rigor e da intensidade "propagandística" da generalidade dos nosso paupérrimos manuais de História. Além disso, o autor de Economics, se confrontado com explicações como a do livro que o João cita, certamente as rejeitaria liminarmente. Ainda assim, não consigo deixar de pensar que Samuelson contribuiu de forma decisiva para a criação do quadro mental existente...

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Re: Os manuais de História e a crise de 1929 (2) 

Estou genericamente de acordo com a explicação do João, apenas sendo céptico relativamente ao carácter não intencional da propaganda. Se muita gente, que ignora os mais básicos fundamentos de teoria económica, será instrumentalizada na divulgação de propaganda anti-capitalista, também me parece que não estarão todas nessa situação e que há quem saiba perfeitamente o que está a fazer e os resultados que deseja atingir.

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Re: Os manuais de História e a crise de 1929 

O João levanta no Simbiótica a questão do modo geralmente propagandístico, anti-capitalista e cientificamente incorrecto como a crise de 1929 é tratada nos nossos "manuais" de História:

Proponho-me a discutir as causas deste tipo de barbaridades. Estou aberto a contributos para tal.
A minha opinião é a seguinte. Trata-se propaganda não intencional. Passo a explicar. Durante anos e anos, as pessoas foram levadas a acreditar que a virtude reside algures no meio do capitalismo selvagem e do comunismo. A virtude é o estado intervencionista. O quadro mental da maioria das pessoas passou a aceitar esta verdade sem o mínimo de reflexão crítica. Tornou-se uma verdade absoluta...a incluir nos programas da disciplina do nono ano. E é assim que esta nossa gente vai acreditando que a crise de 1929 é obra do capitalismo selvagem e da "saturação de mercado", sem se interrogar se o aumento do proteccionismo, os subsídios à agricultura, os esquemas financeiros, manipulação monetária entre outras causas da dita crise, fazem realmente parte do capitalismo liberal.
E este quadro mental dura, e dura...

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Amigos sportinguistas 

CAA, em cima do acontecimento, não dá tréguas aos seus amigos sportinguistas. :)

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Deus, Bush e David Frum 

David Frum, da National Review: "(...) it’s becoming increasingy difficult to doubt that God wants President Bush re-elected."

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2003/12/17

Re: Fumar 

Rogério Rodrigues, na Causa Nossa:

Li há dias, sem surpresa - que a idade já não dá para tanto -, que, em Nova Iorque D.C., um cidadão (não especificando a nacionalidade nem a etnia), pode ser multado em qualquer ninharia como dois mil dólares se for apanhado na posse de um cinzeiro. Contudo, é-me permitido andar com uma arma, sem ser sujeito a qualquer coima ou reprimenda bruta de um qualquer agente de autoridade ou cidadão pacifista, cultor das flores de S. Francisco.
Não estou a contar nenhuma anedota. Limito-me a escrever sobre uma notícia, uma breve, uma tripinha, que surgiu num jornal diário.


Mais uma vez, repito o que já aqui afirmei: Nova Iorque é das cidades americanas onde mais restrições são impostas ao porte de arma (para mais detalhes, veja-se aqui). A responsabilidade da imprecisão será certamente mais do autor da notícia (há jornalistas que não deixam que os factos sejam um obstáculo a uma boa notícia...) do que de Rogério Rodrigues. Ainda assim, aqui fica o apontamento.

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Ainda Saddam 

Excelente comentário do sensato Jonathan Wilde, no Catallarchy.net:

One less tyrant freely walks the Earth today.

Rarely in life are there any chaste victories - libertarians often expect too much purity in the slow march toward a free world - and depending on your views, this might not be one of them. But ask yourself this - how many times in history has a despot been captured to be handed over to the people he terrorized? How many times has a tyrant been held accountable for his crimes? One thing I know for certain: no matter what your feelings about the justifications for, or means behind, the War, if you do not see the particular fact of the capture of Saddam with at least a small semblance of satisfaction, you are no friend of liberty.

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Negócios de Estado 

Paulo Ferreira, num excelente artigo de opinião no Canal de Negócios:

O caso da Galp é um bom exemplo de como o Estado joga de forma leviana o jogo empresarial. Mas não é o único onde a falta de visão, a troca de favores e a irresponsabilidade se juntam numa mistura perversa.

(...)

A parceria da EDP com a Iberdrola, que devia ser estratégica, durou pouco mais do que um par de anos. A associação da TAP à Swissair acabou como se sabe. Com a venda da rede fixa de telecomunicações à PT para se resolver o défice de 2002 comprometeu-se ainda mais a concorrência no sector. E a lista podia continuar. Da pesada factura que o Estado pagou para o emagrecimento da Lisnave ao dinheiro enterrado no Autódromo do Estoril, passando pelos fantásticos contratos de concessão de auto-estradas que foram privatizados. Tudo isto é azar a mais para ser só azar. Aqui só pode haver, à mistura, muita falta de visão, troca de favores de ocasião e doses elevadas de irresponsabilidade. É o retrato de um Estado que é fraco com os fortes, forte com os fracos e incompetente com todos.

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Chirac: Ban headscarves in schools 

"French President Jacques Chirac calls for a law banning religious symbols and clothing in the country's state schools.

His remarks come in response to a report which recommended a ban on Muslim headscarves, Jewish skullcaps and large Christian crosses in public schools. "

o Estatismo conduz ao Secularismo imposto.

Não existe neutralidade possível no Estado (mesmo que fosse possível, isso em si já era uma ideologia nada neutra), e não o existe sobretudo na Educação Pública.

Existe algo de muito errado com isto, mas para manterem o intocável ensino público e direito positivo à educação, vão preferir tudo e todos "neutralizar" à força.

E mesmo na lógica do ensino público, não devia caber a um Presidente ou Assembleia decidir quais os trajes admissíveis, mas a cada escola, ou quanto muito, a cada localidade.

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Karen De Coster 

...apresenta sugestões de presentes para os homens da vida delas, ou será dela? :)

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Taiwan 

Aconteceu uma coisa estranha. Bush está do lado da China. os Neocons do lado de Taiwain.

Motivações? os Neocon defendem o direito universal à Secessão? Não. A visão é sempre estar do lado da democracia contra os não-democratas ( tudo o resto são pormenores), não fossem pro-Lincoln pela preservação da União pela força (como disse Gore Vidal, Lincoln salvou a União destruindo-a).

Bush fez uma declaração perigosamente interpretada pelos Chineses como quase um acordo a acções militares no caso de Taiwan insistir num referendo pela independência.

Uns e outros estão errados. O direito de Secessão deve ser defendido no domínio dos princípios, não deixando de reconhecer as enormes dificuldades de tal processo, em Taiwain ou noutro ponto qualquer do mundo (Espanha, Irlanda, Chechenia, etc) que aconselha a que seja um assunto interno de cada um e onde terceiros devem evitar de todo declarações de alianças militares por quaisquer das partes.

Ainda assim em Bush, a intenção (creio) não foi sancionar a China, mas avisar Taiwain para ajuizadamente tentar manter o status quo actual, de independência de facto. A China tem mostrado que tem capacidade de mudar, não pode é ser apressada. Neste assunto, os "realistas" parecem ter marcado pontos.

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Liberation 

Nota: a pergunta se os iraquianos estão melhores hoje do que ontem depende se por exemplo "ontem" poderia ser um Iraque sem sanções económicas, óbviamente controlado de perto pela países que o rodeiam, mas provávelmente com o poder do regime de Saddam a diminuir a cada dia. O dia de "hoje", por outro, pode ser um caminho para uma guerra civil e caos por anos sem fim. Não tem de ser assim, mas existe forte possibilidade de o ser. E o medo disso, pode fazer com que a presença estrangeira - Nato, US, ONU, etc - se perpetue anos sem fim, no meio de atentados, guerrilha, etc, com enormes custos financeiros e vidas humanas, e a percepção no mundo àrabe dum novo neo-colonialismo "ocidental" que apenas fomentará o fundamentalismo.

Sobre Harry Browne: ...was the Libertarian Party presidential candidate in 1996 and 2000. He is now the Director of Public Policy for the American Liberty Foundation. You can read more of his articles at www.HarryBrowne.org.

"Donald Rumsfeld said that Hussein's capture means that the Iraqis can now be free in spirit, as well as in fact.

Ah yes, liberated Iraq. It is now a free country. George Bush has liberated it. How has Iraq been liberated? Let me count the ways . . .

1. The country is occupied by a foreign power.
2. Its officials are appointed by that foreign power.
3. Its citizens must carry ID cards.
4. They must submit to searches of their persons and cars at checkpoints and roadblocks.
5. They must be in their homes by curfew time.
6. Many towns are ringed with barbed wire.
7. The occupiers have imposed strict gun-control laws, preventing ordinary citizens from defending themselves — making robberies, rapes, and assaults quite common.
8. Trade with some countries is banned by the occupying authorities.
9. The occupiers have decreed that certain electoral outcomes won't be permitted.
10. Families are held hostage until they reveal the whereabouts of wanted resisters — much like the Nazis held innocent French people hostage during World War II.
11. Protests are outlawed.
12. Private homes are raided or demolished — with no due process of law.
13. The occupiers have created a fiat currency and imposed it on the populace.

This is liberation in the NewSpeak language of politics. Words like freedom just don't seem to mean what they used to, do they?"

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Re: Contra o Estado 

Uma boa notícia e dois textos bem escolhidos e bem a propósito do que tem sido a nossa já longa troca de ideias neste blog sobre a democracia. Será mais um "anti-state, anti-war, pro-market"?

Destaco em Sobran:

"A verdade é que nós não devemos nossas liberdades à democracia. Nós as devemos a tradições jurídicas mais antigas, herdadas do direito anglo-saxão: o habeas corpus, o devido processo legal, a presunção de inocência, o direito ao julgamento pelos próprios pares etc. Os autores da Constituição foram prudentes o bastante para resguardar essas proteções do poder estatal arbitrário.

Mas infelizmente a Constituição deixou de providenciar salvaguardas o bastante. As proteções que ela contém foram solapadas - pela democracia. A Declaração de Direitos diz que ninguém pode ser privado de sua propriedade "sem o devido processo legal". Isso significa um julgamento individual em que se prova que o acusado, por seus próprios atos, sujeitou-se a perder sua propriedade.

Mas a democracia priva a todos nós de nossa propriedade por meio da tributação e do inflacionamento da moeda. O cidadão médio teria de cometer um crime grave para ser multado no mesmo valor que é obrigado a pagar ao governo, todo ano, sob forma de impostos. Ele é, na prática, severamente punido sem julgamento - por viver numa democracia."

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Contra o Estado 

Blog com (para já) dois artigos traduzidos para Português que vale a pena ler:

Os frutos da democracia, de Ryan McMaken e Tornando o mundo democrático, de Joseph Sobran.

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2003/12/16

Diamonds in the Mine 

And the only man of energy, yes the revolution's pride
He trained a hundred women just to kill an unborn child


-Leonard Cohen

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Aborto 

PSD admite aborto

O PSD está disponível para, na Assembleia da República, rever a legislação penal sobre o aborto, que actualmente prevê uma pena que pode ir até aos três anos de prisão para as mulheres que o pratiquem. Não se trata de despenalizar a prática da interrupção voluntária da gravidez (IVG), que os sociais-democratas consideram que deve continuar proibida. Mas tão só fazer com que deixe de ser crime.


CDS Começa a Admitir Descriminalização do Aborto

O julgamento de Aveiro acabou por trazer de novo a questão do aborto ao debate político. E tem vindo a mostrar alguma alteração nas posições da direita. No passado dia 4, depois de o BE ter levado o caso ao Parlamento, o líder do grupo parlamentar do CDS, Telmo Correia, disse: "Não entendo que nenhuma mulher que fez um aborto deva ser condenada". Este fim-de-semana, o porta-voz do CDS, António Pires de Lima, afirmou, ao "Correio da Manhã", que não conhece ninguém no seu partido que considere que as mulheres devem ser criminalizadas.

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In Defense of Scrooge 

(via Mises Economics Blog)

Michael Levin analisa a conduta da famosa personagem de Dickens:

So let's look without preconceptions at Scrooge's allegedly underpaid clerk, Bob Cratchit. The fact is, if Cratchit's skills were worth more to anyone than the fifteen shillings Scrooge pays him weekly, there would be someone glad to offer it to him. Since no one has, and since Cratchit's profit-maximizing boss is hardly a man to pay for nothing, Cratchit must be worth exactly his present wages.

No doubt Cratchit needs - ”i.e., wants” - more, to support his family and care for Tiny Tim. But Scrooge did not force Cratchit to father children he is having difficulty supporting. If Cratchit had children while suspecting he would be unable to afford them, he, not Scrooge, is responsible for their plight. And if Cratchit didn't know how expensive they would be, why must Scrooge assume the burden of Cratchit's misjudgment?

As for that one lump of coal Scrooge allows him, it bears emphasis that Cratchit has not been chained to his chilly desk. If he stays there, he shows by his behavior that he prefers his present wages-plus-comfort package to any other he has found, or supposes himself likely to find. Actions speak louder than grumbling, and the reader can hardly complain about what Cratchit evidently finds satisfactory.

More notorious even than his miserly ways are Scrooge's cynical words. "Are there no prisons," he jibes when solicited for charity, "and the Union workhouses?"

Terrible, right? Lacking in compassion?

Not necessarily. As Scrooge observes, he supports those institutions with his taxes. Already forced to help those who can't or won't help themselves, it is not unreasonable for him to balk at volunteering additional funds for their extra comfort.

Scrooge is skeptical that many would prefer death to the workhouse, and he is unmoved by talk of the workhouse's cheerlessness. He is right to be unmoved, for society's provisions for the poor must be, well, Dickensian. The more pleasant the alternatives to gainful employment, the greater will be the number of people who seek these alternatives, and the fewer there will be who engage in productive labor. If society expects anyone to work, work had better be a lot more attractive than idleness.

The normally taciturn Scrooge lets himself go a bit when Cratchit hints that he would like a paid Christmas holiday. "It's not fair," Scrooge objects, a charge not met by Cratchet's patently irrelevant protest that Christmas comes but once a year. Unfair it is, for Cratchit would doubtless object to a request for a day's uncompensated labor, "and yet," as Scrooge shrewdly points out, "you don't think me ill used when I pay a day's wages for no work."

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Saddam, presidente legítimo do Iraque? 

Mais uma reflexão interessante no Liberdade de Expressão:

Ainda hoje, o partido anti-guerra defende que a invasão do Iraque é ilegal.

Mas como tudo o que resulta de um acto ilegal, deve ser ilegal ... a prisão de Saddam é ilegal.

Mais: dado que a invasão é ilegal, Saddam continua a ser o presidente legítimo do Iraque.

O partido anti-guerra não devia pedir um julgamento justo. Devia pedir a reposição da situação anterior à guerra.

Infelizmente, o partido anti-guerra não se actualizou totalmente. A defesa de que a guerra foi ilegal e a defesa de um julgamento para Saddam são duas posições incompatíveis.

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Imigração e Xenofobia 

Recomendo a leitura do post de João Miranda "Imigração e Xenofobia", no Liberdade de Expressão.

Destaques:

1. Se é mesmo verdade que 75% dos portugueses não querem mais imigrantes então, se, como leio nos Blogs, a democracia é o governo da maioria, e se a democracia é desejável, então devemos fazer a vontade a esses 75% de portugueses. A não ser que a democracia como governo da maioria não seja desejável. Por outro lado, porque haveria de ser desejável o governo dos restantes 25%?

(...)

5. Dado que os bens comuns existentes (escolas, hospitais, ruas, parques, vias de comunicação) foram produzidos pelos nativos, porque é que os imigrantes haveriam de beneficiar deles, se para eles não contribuiram?

(...)

9. Dado que todos fazemos escolhas todos os dias, são mais aqueles que mudam os filhos para as escolas degradadas onde estão os filhos dos imigrantes, ou mais aqueles que mudam os filhos para escolas privadas ou públicas de qualidade? São estas escolhas xenófobas? Devem ser proíbidas?

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Droga de Drogas 

Quando acabará a Guerra à Droga? O que é que se ganhou com ela?

1. Que deixe de ser crime a produção, venda e consumo.

2. Que sejam os Municípios a decidir se existem locais onde podem ser praticadas essas actividades - regulamentando-as conforme as preferências locais: proibindo totalmente impondo a expulsão e multas, ou aceitando a venda e consumo com regras, etc.

3. Que possa a sociedade civil descriminar contra quem faz escolhas individuais: as empresas devem poder despedir, não contratar, fazer testes regulares, organizar bases de dados sobre incidentes, etc.

Livre escolha, livre descriminação e localismo, são o caminho a seguir para um equilíbrio natural em todas as questões ditas morais. Livre escolha, livre descriminação e localismo, controlaria o incentivo ao crime organizado e diminuiria a miséria humana que nos rodeia a todos.

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'Rings' named best pic by N.Y. critics 

NEW YORK (AP) -- Normally a champion of arty, independent fare, the New York Film Critics Circle on Monday chose "The Lord of the Rings: The Return of the King" as the top film of 2003.

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