domingo, 29 de fevereiro de 2004

'Passion' Hauls in $117.5M in Five Days

Mais boas notícias para Mel Gibson:

Mel Gibson's gamble on "The Passion of the Christ" paid off enormously, riding a storm of religious debate to a $117.5 million haul in its first five days, according to studio estimates Sunday.

After debuting on Ash Wednesday, "The Passion" rocketed to the No. 1 box-office slot for the weekend with $76.2 million from Friday to Sunday. That was the seventh-best three-day opening ever, behind "Spider-Man" at $114.8 million and such Hollywood franchises as "The Matrix Reloaded" and the first two "Harry Potter" movies.

"The Passion" put up the second-best five-day figures for a movie opening on Wednesday, behind last year's "The Lord of the Rings: The Return of the King" at $124.1 million and ahead of "Star Wars: Episode I — The Phantom Menace" at $105.6 million.

The first movie released in 2004 to cross the $100 million mark, "The Passion" easily passed the weekend's No. 2 flick, "50 First Dates" at $88.7 million, as the year's top-grossing film.

Once considered a niche film that would appeal mainly to conservative Christians, the bloody chronicle of Christ's crucifixion swelled to blockbuster proportions as Gibson rallied church groups to support it and accusations of anti-Semitism brought the film mainstream attention.

Novos links

Politicamente Incorreto

O Indivíduo

Laissez-Faire

Os Extremos Tocam-se

Magnífico post no Jaquinzinhos, em resposta ao Barnabé, sobre extrema direita e extrema esquerda:

A verdade é que o direito da extrema-direita estar na blogosfera é exactamente igual ao da extrema-esquerda. Moralmente, tanto direito têm os extremistas de direita a criarem as suas associações como os extremistas de esquerda que já podem associar-se livremente. A opinião dos bloguistas de extrema-esquerda sobre os bloguistas de extrema-direita tem tanto valor como a opinião dos bloguistas de extrema-direita sobre os de extrema-esquerda ou como a minha opinião sobre os bloguistas dos dois extremos.

Tal como a extrema-esquerda (ou aquilo em que agora se travestiram os antigos UDPs, PSRs e afins), também os blogues 'nacionalistas' estão convencidos da superioridade moral das suas posições. E também eu estou convencido que as minhas posições liberais são moralmente superiores às dos dois extremos.

Tanto a direita como a esquerda extrema, pretendem impôr normas de conduta que acreditam ser superiores, porque baseadas em códigos morais e éticos em que acreditam religiosamente. Na prática, se por algum infeliz acaso chegarem ao poder, só poderão satisfazer as suas pretensões políticas à custa de uma violenta castração das liberdades individuais dos cidadãos.

Sociedade civil e segurança privada

Reportagem: A Nova Vaga das Milícias Populares

"Em Abragão, freguesia rural de Penafiel, populares patrulham as ruas à noite, para combaterem o que classificam como uma vaga de assaltos a estabelecimentos comerciais. Dizem que a GNR (que tem 45 efectivos para 34 freguesias) é "incapaz" de manter a segurança. O exemplo foi seguido em carregal do Sal, Viseu. TEXTO "

E em

"Podemos Fundar Uma Firma de Segurança"
Por A.C.P.
Domingo, 29 de Fevereiro de 2004

"Isto lá é uma milícia!", insurge-se um dos elementos do piquete popular da freguesia de Abragão, concelho de Penafiel. "Isto não é Timor-Leste!", goza outro, para afastar a imagem dos grupos sanguinários que fazem parte da memória nacional. Se a GNR começar a rondar a aldeia para os identificar, os vigilantes já sabem como irão agir: "Podemos fundar uma firma de segurança."

Legítima defesa, acção directa, detenção em flagrante delito são direitos contemplados no ordenamento jurídico português - que admite até o uso da "força privada", na impossibilidade de se poder recorrer em tempo útil à força pública."

Comentário: esta do "até o uso da "força privada"" tem piada, como o direito natural à defesa e segurança nos tivesse de ser concedido por alguém, que não
Deus. Não, não tenham medo de ser uma milícia. O que pode fazer de bem ou mal depende das suas acções e objectivos não o de ser uma milícia ou não. É ainda assim desejável que estejam organizados como uma associação de vizinhos ou empresa.

sábado, 28 de fevereiro de 2004

Economia clandestina

"O Combate à Fraude
Por AMÍLCAR CORREIA

A informalidade - a chamada economia clandestina - é a principal força de bloqueio da produtividade em Portugal. "O não-cumprimento das obrigações por parte dos agentes económicos" é sinónimo de evasão fiscal, fuga às prestações sociais e do não-cumprimento de normas de mercado (níveis mínimos de qualidade dos produtos, normas de segurança, restrições ambientais, etc.)."

Mas na União Soviética era um espaço de liberdade e o que ainda permitia o funcionamento a níveis mínimos da sua economia. Em tempos em que no "Mundo Livre" mais de 50% de toda a produção é colectada pelo Estado e a inflação legislativa não tem limites (como alternativa à regulamentação privada) não se passará mais ou menos o mesmo? Qual será a fronteira entre desobediência civil ilegítima e necessária?

E agora vamos perder o direito ao sigilo bancário (a invasão de um contrato privado entre o cliente e o seu banco) por causa do IRS. Não seria mais legítimo abolir os impostos directos abolindo a ilegitimidade de uma porção da população colectar receitas da outra e ainda por cima para o fazer ter de invadir também a sua vida privada?

The Real Churchill

Para uma visão crítica - um tema sempre difícil quando se trata de por em causa mitos - de Churchill. Para muitos pode ser um choque, para mim, deixei de acreditar em grandes líderes que conduzem grandes causas com as vidas e recursos financeiros dos outros à muito tempo atrás. Só acredito na liberdade individual e na propriedade privada como os únicos elementos que permitem a civilização que subsiste "apesar de" e não "por causa" dos ataques que lhe são feitos por todos os quadrantes políticos.

Em poucas palavras, Churchill teve na origem da estúpida Grande Guerra, o fim das monarquias europeias e o nascimento das repúblicas fascistas e comunistas na Europa, no Crash de 1929 (ao defender e provocar a deflação artificial da Libra), no surgimento do ódio e fanatismo nazi (o bloqueio alimentar realizado até à assinatura de Versailles - já depois do acordo nos pontos de Wilson - provocou a morte a centenas de milhares de alemães, depois juntaram-se as indemnizações, a destruição do império austríaco - reduzido a 25% - separação dos alemães para a Polónia e outros países inventados), no envolvimento Inglês no Médio oriente, o desenho de novos países como o Iraque, trazendo os americanos para a Segunda Guerra (correspondia-se directamente com Roosevelt passando por cima do Primeiro Ministro), na aliança com Estaline que conduziu à sua conquista de metade da Europa e com Roosevelt à destruição do Japão (aprovou o uso das bombas atómicas como antes aprovou o uso de gás contra as tribos "rebeldes" no Iraque) que permitiu o caminho livre em toda a Ásia para o comunismo. E as descolonizações violentas. E com tudo isso a destruição do seu bem amado Império Britânico pelo qual alimentou um ódio natural a qualquer nação que tivesse a veleidade de se lhe querer comparar em termos de colónias e poderio naval (como a Alemanha que praticamente não as tinha) – uma das causas para o princípio disto tudo que foi a Grande Guerra (a outra é que todos queriam o seu próprio Império). Churchill é bem o actor da destruição do velho mundo que representou o século 20, ao querer preservá-lo. E com isso o crescimento do grande estado moderno, das ilusões socialistas e sociais-democratas. Foi também o fim da Old England. E o início do fim da América como "a Republic not an Empire".

Deixo apenas a parte final mas recomendo a sua leitura integral.

" (...) In Churchill's single-minded decades-long obsession with preventing a single hegemonic power from arising on the European continent that would pose a threat to the British Empire, he failed to see that his alliance with Stalin produced exactly that. "As the blinkers of war were removed," John Charmley writes, "Churchill began to perceive the magnitude of the mistake which had been made." Churchill is alleged to have blurted out after finally realizing the scale of his blunder: "We have slaughtered the wrong pig!"

But it was too late. For decades Churchill worked for the destruction of Germany. Yet only after Stalin had devoured half of Europe did this "great statesman" realize that destroying the ability of Germany to act as a counterbalance to Russia left Europe ripe for invasion and conquest by a resurgent Russia.

By 1946 Churchill was complaining in a voice of outrage about the Iron Curtain of tyranny that descended on Eastern Europe. But Churchill helped to weave the fabric.

With the balance of power in Europe wrecked by his own hand, Churchill saw only one recourse: to bind America to Europe permanently. Thus Churchill returned to his tried-and-true strategy, embroiling the United States in another war. This time a "Cold War" that would entrench the military-industrial complex and change America forever.

Conclusion

With his lack of principles and scruples, Churchill was involved in one way or another in nearly every disaster that befell the 20th century. He helped destroy laissez-faire liberalism, he played a role in the Crash of 1929, he helped start WWI, and by bringing in America to help, prolonged the war and created the conditions for the rise of Nazism, prolonged WWII, laid the groundwork for Soviet domination, helped involve America in a cold war with Russia, and pioneered in the development of total war and undermining western civilized standards.

Chris Matthews described Churchill as the "man who save[d] the honor of the 20th century." Rather than this great accolade, Winston Churchill must be ranked with Karl Marx, Woodrow Wilson, Vladimir Lenin, Adolf Hitler, Joseph Stalin, Herbert Hoover and Franklin Roosevelt as one of the destroyers of the values and greatness of Western civilization.

And it is fitting that the Library of Congress exhibition is entitled "Churchill and the Great Republic" because few men have done more to overthrow the American Republic(s) and institute the great centralized global war machine that has taken its place.

Prof. José Manuel Moreira e Ordem Natural

Na apresentação do livro "O que é a Escolha Pública?" lembrou os presentes que:

Os impostos não são o preço que pagamos pela civilização mas sim o preço pela não civilização, uma vez que um mundo civilizado não devia necessitar de recorrer à cobrança coerciva de receitas.

E de facto assim é, num mundo cada vez mais civilizado todas as nossas acções em sociedade devem resultar cada vez mais em escolhas individuais, contratos voluntários e propriedade privada. E se assim for, a política e os políticos não têm lugar e a democracia passar a ser exercida nas Assembleias gerais das empresas, das associações, dos condomínios.

Revisitar o Golfo I

In the 1980s, after all, the U.S. encouraged Saddam to attack Iran, and supported his aggression with billions in subsidized food, weapons, and intelligence.

In those days, the Ayatollah Khomeini was Hitler, so the U.S. pressured the U.N. not to condemn Saddam's poison gas attacks on Iranian troops. The U.S. even protected Iraqi oil tankers. When the U.S.S. Vincennes' billion-dollar Aegis missile-aiming radar system shot down an Iranian jetliner, killing 290 civilians, it was on pro-Saddam duty.

On July 25th, after the massing of Iraqi troops on the Kuwaiti border, U.S. Ambassador April Glaspie told Saddam that regarding a possible invasion of Kuwait, that "the United States has no opinion on Arab-Arab conflicts, like your border disagreement with Kuwait." "James Baker has directed our official spokesmen to emphasize this."

On July 26th, the Washington Post reported that "some officials" in the White House, Pentagon, and State Department "asserted yesterday that an Iraq attack on Kuwait would not draw a U.S. military response."

On July 30th, assistant secretary of state John Kelly confirmed to the House Middle East subcommittee, in response to a question by Lee Hamilton (D-IN), that nothing obligated us to engage U.S. forces there."

When Saddam, acting on the winks and nods, invaded Kuwait on August 2, he went from ally to Adolf overnight. Bush poured troops into Saudi Arabia, but to do so, he had to twist the Saudis' arm with angry visits from Dick Cheney and others.

Unnamed Defense Department officials were quoted as complaining about Saudi "wimps who don't want to defend themselves." The pressure worked, of course, and now – as Baker crows – the U.S. will protect its kings and kinglets with a "new regional security arrangement," courtesy of the U.S. taxpayer.

Bush's lying lips told us the troops were there for purely defensive purposes; meanwhile he and Baker worked busily, checkbooks in hand, getting U.N. members to authorize an attack. Then, right after the November election, Bush doubled the number of troops, forbade rotations, went on the offensive, and announced that he would attack if Saddam weren't out unconditionally by January 15th.

For home consumption, Bush announced that Baker would go to Baghdad, and travel the "last mile for peace," on "any date between now and the U.N. deadline of January 15th" that Iraq picked. But the offer was fraudulent. When Saddam said OK, and picked January 12th, Bush denounced him and cancelled the deal.

Advised by the psychological warfare branch of his old agency, the CIA, Bush set out to humiliate Saddam, to make sure that "Arab psychology" would prevent a pullout. That's why Bush talked about "kicking his ass," deliberately mispronounced his name (it's SaDOM, not SADem), and always used contemptuous language.

Meanwhile, all peace overtures, including the harmless idea of a Middle Eastern peace conference (which an allegedly sacred U.N. resolution has long called for), were dismissed as "rewarding aggression."

Yes, Saddam is a thug, like most of the Third World pals of the U.S. government. Yet there are real border questions between Iraq and Kuwait, as a result of British duplicity. And even the State Department admits that the Kuwaiti kleptocracy – the Bush-blessed "legitimate government" – was drilling diagonally underneath the border and stealing Iraq's oil.

Kuwait had also, apparently at U.S. behest, broken the OPEC production agreement by massively increasing its oil production over the previous six months. This lowered the price at a time when Iraq needed more money for reconstruction after the Iranian war.

There would have been, in a less-bellicose administration, plenty of room for negotiation. In fact, Iraq privately expressed a willingness to leave Kuwait the weekend of August 4–5 – having, in its view, "taught Kuwait a lesson." It asked, however, that it not be condemned by the Arab League and the U.S. Immediately, Bush gave a denunciatory speech, and Baker pressured the Arab League to condemn Iraq. We were off to the races.

Bush denounced Saddam again and again as "The Dictator" and "The Aggressor." This is the same Bush who just gave himself, by executive fiat, dictatorial war powers over the American economy.

History Repeating, But Faster, Llewellyn H. Rockwell, Jr.

Haiti - lá vamos nós (quero dizer eles...pelo menos por enquanto) outra vez

Desta vez Bush de braço dado com Dominique de Villepin?

Bush Backs Global Police Force for Haiti: "WASHINGTON - President Bush (news - web sites) said Wednesday the United States supports the creation of an international security presence in Haiti to maintain order if a political settlement is reached. France's foreign minister, Dominique de Villepin, went a step further, saying such a force should be established immediately so it can get to work quickly once a government of national unity is formed. "

A assim temos o grande consenso intervencionista que se pode resumir nos novos democratas"We aim to rebuild the moral foundation of U.S. global leadership by harnessing America’s awesome power to universal values of liberal democracy. A new progressive internationalism can point the way."

Ivan Eland: Avoid the Temptation to Meddle in Haiti

During the 20th century, the United States repeatedly has been deeply involved Haiti’s affairs. For example, in 1915 and 1916, to keep the Germans out and help fulfill his promise to teach Latin American countries “to elect good men,” Woodrow Wilson ordered the occupation of Haiti. The United States governed Haiti for 19 years but was not a good teacher. A nationalist protest against the U.S. occupation and a massacre of such protestors by the U.S. Marines eventually led to a U.S. withdrawal in 1934 (some U.S. financial control remained until 1947). After the pull-out, a series of corrupt and authoritarian presidents ruled the country. In 1957, the even more oppressive Francois “Papa Doc” Duvalier came into power and used his secret police to terrorize the country until 1971, when he died. His despotic son, Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier ruled until 1986.

In 1994, a flood of poor Haitian refugees began arriving on U.S. shores in makeshift boats. Then-President Clinton realized that this flow would not be popular in Florida. Under the justification of restoring the ousted democratically-elected Jean-Bertrand Aristide, he therefore assembled a U.S. military force offshore that threatened to invade Haiti if the dictatorial regime of Raoul Cedras did not leave power. That rhetoric was hypocritical because the United States had previously undermined Haiti’s nascent democracy after the 1990 election and then restored Aristide in 1994 only after he agreed to adopt policies of the U.S.-backed candidate in the 1990 elections, who had received only 14 percent of the vote.

Of course, the wealthy United States could have assimilated those refugees without threatening a potential invasion of Haiti, but that was a politically unacceptable solution. The threat worked and the Cedras regime departed without the need for a U.S. attack. A great victory was declared for human rights and democracy. (...)"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

Israeli Police Kill Two Palestinians, Witnesses Say

"BIDDO, West Bank (Reuters) - Israeli police shot dead two Palestinians Thursday during a confrontation with stone-throwers at a demonstration against Israel's West Bank barrier, witnesses said."

Talvez possamos ouvir mais uns comentários sobre como os israelitas só matam terroristas e que é por isso que morrem 4 vezes mais árabes neste confronto sem fim. E estas pedras foram fornecidas pelo Irão, Saddam, a Siria e quem sabe a França. E talvez esta seja uma posta anti-semita.

Junk Science

No Público: "a Alemanha, através do chanceler Gerhard Schroeder, e a França, pela voz do primeiro-ministro, Jean-Pierre Rafarin - juntaram-se esta semana para apelar ao BCE que desça as taxas de juro de curto prazo, com o objectivo de suster a valorização da moeda única europeia face ao dólar e apoiar, desta forma, a recuperação da economia do Velho Continente"

Tradução "austríaca":

Políticos pedem a um burocrata que desça administrativamente um preço (a taxa de juro não é um preço, mas isso é outra conversa austríaca) para que o preço relativo entre dois papeis moedas (que só existem por decreto) ajude a recuperar a economia (essa visão abstracta e colectivizante de um conjunto de entidades independentes quase transformadas num orgão vivo) que é obrigada a usar uma delas.

A diferença

Ao ler a "Sagrada Violência ou Jesus Segundo Mel Gibson" na Rua da Judiaria acabei a pensar - afinal qual a diferença entre Judaismo e Cristianismo? Jesus Cristo. E as diferenças devem ser assumidas. E isso percebe-se nessa posta. E que as diferenças são tão importantes quanto o que existe em comum.

Os democratas com uma guilhotina

depois dos jacobinos humanistas com uma guilhotina

Pensamentos que me ocorrem ao ler no Intermitente "O Movimento Anti-Guerra Revisto e Diminuído".

Que depois de um desastre em termos de confiança na intocável e mitica superioridade moral e dos métodos das decisões de guerra das "democracias liberais ocidentais" provocado pela Guerra do Iraque, (defendida por muitos que se reclamam acreditar na descentralização Hayekiana e na desconfiança quanto a tentativas construtucionistas de quem admira Edmund Burke e ainda, quero acreditar, num pessimismo crónico quanto ao intervencionismo social) tem energias para põr em causa as razões do movimento anti-guerra (que para quem não sabe, incluiu muitos e rigidos conservadores e liberais, como o meu caso).

Vamos lá ler a introdução: "Recomendo vivamente a leitura integral deste artigo de Anis Shivani na Newtopia Magazine (que não pode, propriamente ser acusada de direitista)."

É como a satisfação de João Pereira Coutinho no Expresso passado, em anunciar que as políticas de Bush remontam a Clinton (que argumento demolidor para um conservador).

Aliás, posso mesmo afirmar, todas as guerras que procuraram transformar "A Republic" num "Empire" foram da Esquerda Americana: Woodrow WIlson (o desastre civilizacional da WWI) , Roosevelt (a vitória de Estaline e Mao), Truman (as WMD sobre civis japoneses e a Coreia), Kennedy e Lyndon Johnson (o Vietname). E com eles a transformação de um república e união livre de Estados num grande welfare warfare state.

"The anti-war movement should support regime change not just in Iraq (or Syria or Iran) but in fifty or sixty mostly Muslim countries that are tyrannical and abusive of basic human rights (...) Why shouldn't Iraqis and Iranians and Egyptians have access to the same rights we have taken for granted? Why shouldn't any means possible - short of wanton destruction - be used to bring about this state of affairs?

Why shouldn't patriotism, meaning the belief in the best that America represents, become a force for global good again?"


Estes tipos são mesmo perigosos. Os novos revolucionários. Os novos Jacobinos. Não com guilhotinas mas bombardeiros. O militarismo das falinhas mansas e da superioridade ideológica. A democracia à bomba.

Metam-se na vossa vida. Deixem as populações tratarem dos seus regimes. Lutem pelo Comércio Livre - o melhor método de transmitir liberdade individual (claro que pelo contrário passam a vida a congeminar SANÇÔES) e incentivo à formação de direitos de propriedade, em todos os pontos do globo, em todas as culturas.

Rabbi Daniel Lapin

"Finally I believe the attacks on Mel Gibson are a mistake because while they may be in the interests of Jewish organizations who raise money with the specter of anti-Semitism, and while they may be in the interests of Jewish journalists at the New York Times and elsewhere who are trying to boost their careers, they are most decidedly not in the interests of most American Jews who go about their daily lives in comfortable harmony with their Christian fellow citizens. You see, many Christians see all this as attacks not just on Mel Gibson alone or as mere critiques of a movie, but with some justification in my view, they see them as attacks against all Christians. This is not so different from the way most people react to attack. We Jews usually feel that we have all been attacked even when only a few of us suffer assault on account of our faith."

Via Did Jesus Get Lost in Translation?, by Gary North

Coisas de NeoCons

Via: The Neo-Authoritarians

1.

David Horowitz whines about a lack of 'academic freedom' – and calls for government regulation of campuses to ensure 'diversity': According to Horowitz's own website, Colorado Republican lawmakers have introduced legislation embodying his Orwellian concept of "academic freedom":

"The bill requires schools to enact a grievance procedure for students subjected to a 'hostile environment' toward their religious and political views. It also says students have a right to be free from professors who introduce 'controversial matter' unrelated to the subject they are teaching."
...
So now Horowitz is campaigning for legislation to ensure that the tender little egos of the campus Republicans are protected from bad vibes and other potentially deadly hate-thoughts! How pathetic. Horowitz isn't and never was opposed to "political correctness" – he just wants in on the PC game.

2.

The same police state mentality pervades An End to Evil, a book advertised on Horowitz's website, in which authors David Frum and Richard Perle propose a national identification card recording the bearer's retinal pattern, and advocate setting up a national domestic spying system that would "alert" authorities to such "suspicious" activities as expressing opposition to U.S. foreign policy or "suddenly" growing a beard (!) "A free society," intone Frum and Perle, "is a self-policed society." So peek in your neighbor's window, and write down the license plate number of every car parked outside that antiwar meeting, lest any of them feel un-free. Yeah, and just remember: War is Peace, Freedom is Slavery, and Ignorance is Strength.

A crítica a Buchanan e Tullock e algumas premissas da Escolha Pública

Espero que o meu colega e amigo AAA me perdoe esta posta no dia da apresentação do "O que é a Escolha Pública? Para uma análise económica da política", mas uma das características e quase missão da Causa Liberal é precisamente provar que a Filosofia do Liberalismo é muito diversa, ao contrário do que muitos pensam, que a dão como tendo um qualquer pensamento único.

Numa entrevista a Hans-Hermann Hoppe recentemente publicada no Mises.org é abordada a Escolha Pública:

Akkurt: What are your views on the public choice school. If I am not wrong you criticize James Buchanan for defending the state. Would you briefly describe your view on this issue. Why is there a tension between your thinking and public choice?

Hoppe: The Public Choice school—most notably Buchanan and Tullock—is typically credited for the insight that people within government are just as much self-interested as people outside of government, i.e., in private business. People do not change their nature and become less self-interested upon becoming a government official.

Now this is of course a fundamentally correct insight. But this insight is not new. You can find it all over in the literature. Certainly 'realist' political sociologists such as Gaetano Mosca and Robert Michels knew this much, and 'Austrians' knew it too, of course.

What is new about the Buchanan-Tullock school is its theory of the State and political (as contrasted to economic) action. However, this innovation is patently false.

Buchanan and Tullock think the State is essentially a voluntary institution, on a par with private business firms. They claim that 'the market and the State are both devices through which cooperation is organized and made possible.' (Calculus of Consent, p. 19) And since the State is like a firm, Buchanan then concludes in his Limits of Liberty, whatever happens in politics, every status quo, 'must be evaluated as if it were legitimate contractually.'

Now, I regard all of this as dangerous nonsense. Until Buchanan & Tullock, there existed almost universal agreement, regardless of whether one was a State-apologist or an anarchist critic of the State, as to the nature of the State, i.e., what a State actually was. States were recognized as categorically different forms of organization than firms: unlike firms, every State fundamentally rested on coercion. Buchanan's claim to the contrary would have been regarded as a childish intellectual error.

The great Austrian economist Joseph Schumpeter (himself a member of the Lausanne rather than the Vienna or Austrian School) once remarked on views such as Buchanan's: a "theory which construes taxes on the analogy of club dues or the purchase of the service of, say, a doctor only proves how far removed this part of the social sciences is from scientific habits of minds." I wholeheartedly agree with this verdict.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

Bom senso

Ainda sobre A Paixão de Cristo vale a pena ler este post de MP no Ecletico.

E mais notícias sobre o separatismo albanês no Kosovo (terroristas ajudados pela Nato?)

Balkan Express

"Earlier this month, NATO had been planning to reduce its occupation force in the Serbian province of Kosovo. But a full retreat should not be expected any time soon.

Two more Serbs were killed last Friday, their murderers "unknown" as usual. The murders went largely unnoticed, especially after a car bomb almost killed a minister in the Kosovo Albanian government Saturday. It was almost certainly a feud between factions of the KLA, a typical example of political discourse in the occupied province. Even though the UN/NATO occupation is precisely what has enabled this ongoing campaign of terror against Serbs and Albanian political rivals of the KLA, the "lack of security and reconciliation" is being cited as a reason for its continuation.

That suits the Albanians fine, it seems, as they push harder than ever for Kosovo's official separation from Serbia. At the recent inauguration of the Kosovo Assembly, non-Albanians refused to enter the lavish new building erected with Imperial donations because the paintings exhibited in the halls depicted scenes of exclusively Albanian history. Polite requests by the UN viceroy to remove the paintings were rebuffed, and more Albanian symbols are scheduled to appear. (...)"

Cuidado com os Católicos!

Depois de (via Mata-Mouros) ler este post no Crónicas Matinais reforço a minha ideia de que ser católico conservador (com os chamadaos "progressistas" não há geralmente problemas...) é dos maiores atentados que hoje em dia se pode cometer contra o totalitarismo do politicamente correcto.

Mais uma boa razão, se outras não houvesse, para ver o filme e admirar a coragem de Mel Gibson.

"O que é a Escolha Pública?" - Universidade Católica (Lisboa) - Sexta-feira às 18:00h

Realiza-se amanhã, sexta-feira, às 18:00h, na Sala de Exposições do Ed. da Biblioteca Universitária João Paulo II da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, uma sessão de apresentação do livro "O que é a Escolha Pública? Para uma análise económica da política". A apresentação estará a cargo do Professor Jorge Braga de Macedo e do Dr. José Manuel Fernandes.

Anti-anti-semitismo II

Escrevi a posta anterior ainda sem ter dado uma volta na blogosfera e deparar-me com um sem número de comentários a resvalar para o histerismo anti-pretensamente-anti-semita sobre Mel Gibson e o seu filme.

Com a mesma letra podia-se responder a (no Homem a Dias) "Jesus foi um entre os muitos milhões de judeus assassinados, num exercício anterior a Ramsés II e que se prolonga animadamente até hoje. Outros judeus, discutivelmente melhores, decerto igualmente humanos, morreram pela ‘morte’ desse particular judeu e pelo que calhou sem que se ouvisse um pio de indignação." com talvez um certo anti-Cristianismo, não?

Nota: sabe-se que foi a Aristocracia católica alemã, parte de origem Prussa, que tentou de dentro combater Hitler e até tentar um assassinato (trágicamente falhado). Também parece que os "aliados" recusaram qualquer ajuda. Interessante foi saber que Mussolini pediu a excomunhão de Hitler ao Vaticano. Também tentou ajudar a Áustria quando da sua anexação mas uma hipócrita Liga das Nações (constrúida para proteger o Status Quo do grande Império Britânico e Francês saído do desastroso Versailles) condenava-a por causa da sua presença na Etiópia.

Muitos e bem (pelo menos na direita liberal) denunciam a victimologia crónica nos EUA (e em todo o lado) para justificar a discriminação positiva dos afro-americans ou como David Horowitz da FrontpageMagazine para combater um anunciado pedido de indemnização aos negros pela escravidão, mas no que toca ao sofrimento dos Judeus parecem não existir limites à constante vitimologia usada quer para denunciar os criticos de Israel, da guerra ao Iraque, ou do traçado do Muro, ou de Mel Gibson, ou...

A propósito da Igreja e do que diz sobre a morte de Cristo e os Judeus (via LRCBlog)

But how long do we have to put up with the libelous baloney that the Catholic Church taught that "the Jews" were responsible for the Crucifixion, until the glorious dawn of Vatican II? Here's just one of the things that the Catechism of the 16th century Council of Trent had to say: "Men of all ranks and conditions were gathered together against the Lord, and against His Christ. Gentiles and Jews were the advisers, the authors, the ministers of His Passion: Judas betrayed Him, Peter denied Him, all the rest deserted Him."

E como aqui se diz, quanto mais tempo tem de passar a ouvirmos de como foi o Vaticano II que de alguma forma terá renunciado à culpa dos Judeus na morte de Cristo? O que é dito que TODOS foram culpados. Todos somos culpados.

Mas no discurso habitual Anti-"anti-semitismo" vemos como se tenta passar a ideia que um Católico tradicionalista crítico do C.Vaticano II óbviamente está a renunciar a tal renúncia. O que só pode significar anti-semitismo.

Parece que os Italianos têm mais razão de queixa pelas cenas anti-romanas.

Candidatos de esquerda à presidência dos Estados Unidos

Daniel Oliveira escreveu no Barnabé que "Dean criou condições para que um dia destes até haja um candidato de esquerda à presidência dos Estados Unidos".

Não sei se o "mérito" foi de Dean, mas parece-me que, pelo menos em matéria de despesa pública, já haverá em 2004 dois candidatos de esquerda à presidência dos Estados Unidos: Bush e Kerry...

Anti-anti-semitismo

A propósito de "O Vaticano, o anti-semitismo e os extremismos de sempre (agora em nova embalagem) " no Mata-Mouros que remete para The Vatican's Betrayal of Israel

Permito-me surpreender para já que um Católico escreva um texto intitulado de "The Vatican's Betrayal of Israel". É como quando Thomas Fleming escreve sobre Michael Novak:

"Dear Michael, I read your latest piece in Il Sole, in which you take issue with an Italian priest who had said that democracy could not be established at the point of a gun. (...) I well remember the first time I heard you speak—though it was a speech you had given (and would give) many times. Your basic argument was that the only problem with Latin America was that it had never had a Protestant Reformation. I was an Anglican in those days, but I could not understand how a Catholic could be so disloyal to his Church. I still don’t."

Antes de prosseguir com uma breve análise do artigo em questão vou sugerir aqui a leitura de um texto de Murray N. Rothbard (conservative-libertarian, filho de pais judeus - tal como o seu mentor e austríaco Ludwig von Mises - imigrantes da Polónia).

PAT BUCHANAN AND THE MENACE ANTI-ANTI-SEMITISM

Nota rápida: parto-me sempre a rir quando leio neste texto "...Poor Barbara; like all Randians, she is perpetually out of sync" - esta é uma boca aos adoradores do culto de Ayn Rand" :)

"I have it on good authority that Barbara Branden is spending a good portion of her time lately brooding about the Arising menace of anti-Semitism." Poor Barbara; like all Randians, she is perpetually out of sync. There is indeed a menace in this area, Barbara, but it is precisely the opposite: the cruel despotism of Organized Anti-Anti-Semitism. Wielding the fearsome brand of "Anti-Semite" as a powerful weapon, the professional Anti-Anti-Semite is able, in this day and age, to wound and destroy anyone he disagrees with by implanting this label indelibly in the public mind. How can one argue against this claim, always made with hysteria and insufferable self-righteousness? To reply "I am not an anti-Semite" is as feeble and unconvincing as Richard Nixon's famous declaration that "I am not a crook."

So far, Organized Anti-Anti-Semitism has been able to destroy, to drive out of public life, anyone who receives the "anti-Semite" treatment. True, "anti-Semitic" expression is not yet illegal (though it is banned in many Western "democracies," as well as increasingly – as with other "hate speech" – serving as grounds for expulsion, or at the very least compulsory "reeducation," on college campuses). But the receiver of the brand is generally deprived of access to organs of influential opinion, and is marginalized out of the centers of public life. At best, the victim of the brand may be driven to abase himself before his persecutors, and, by suitable groveling, apologies, and – most important – the changing of positions of crucial interest to his enemies, he may work his way back into public life – at the expense of course, of self-emasculation. Or, if, by chance, the victim manages to survive the onslaught, he may be induced to exercise due caution and shut up about such issues in the future, which amounts to the same thing. In that way, Organized Anti-Anti-Semitism (OAAS) creates, for itself, a win-win situation."

Mas voltando a Don Kenner, que não conheço, e que escreve na FrontpageMagazine de David Horowitz (um antigo esquerdista anti-guerra do vietname que achou por bem fazer um upgrade para neoconservador). Parece que o problema é condenar o Muro. Pois eu acho que o Muro é uma decisão que compete a Israel mas não vejo como a Igreja pudesse apoiá-la em tal decisão. O Muro é uma derrota de uma certa estratégia e um retrocesso. Pode ser necessário ou não, compete aos próprios decidi-lo, mas é um retrocesso. Os extremistas alimentam-se destes retrocessos. Mesmo quando são necessários.

Quase que apostaria que o mesmo Don Kenner terá escrito sobre a traição (ou coisa do género) do Vaticano aos EUA na questão do Iraque. Os Neoconservadores escreveram abundantemente sobre a falta de patriotismo ("unpatriotic conservatives") dos conservadores tradicionais (aqueles que desconfiam da "national greatness", do "império benevolente", da exportação da democracia na ponta da baioneta - tal como o padre italiano que Novak quis rebater).

Curiosamente não cita a sua fonte, compõe um texto que não fornece e diz (vou pôr a Negro o mais importante):

"The real violation is to be found in article 11, section 2, which reads:

"The Holy See, while maintaining in every case the right to exercise its moral and spiritual teaching-office, deems it opportune to recall that, owing to its own character, it is solemnly committed to remaining a stranger to all merely temporal conflicts, which principle applies specifically to disputed territories and unsettled borders."

It is refreshing to hear the so-called "occupied lands" referred to as disputed territories. But the Bishops refer to the anti-terrorism fence as a "land grab" and speak of it cutting through "Palestinian land." Does this sound like a solemn commitment to "remaining a stranger" to conflicts concerning "unsettled borders"?"

Pois, primeiro congratula-se por poder concluir que os "territórios ocupados" são "territórios em disputa", depois quer apanhar em contradição e uma razão de "traição a Israel" pela aparente (mais uma vez não cita o texto, quer "apenas" que acreditemos na sua palavra) condenação a partes do seu traçado. Um pouco excessivo, não?

Finalmente, conclui magnificamente: "Later, during a heated exchange, Latin-rite Patriarch Michel Sabbah told Israeli President Moshe Katsav that the security fence is not necessary because the occupation causes terrorism. It cannot be stated too often that Arab pogroms against Jews, massacres of Jewish civilians, and even terrorism predate the 1967 war, and therefore predate the "occupation."

Uma conclusão forçada. Como muitas neste assunto. Antes de 1967 as vítimas israelitas de ataques árabes eram muito diminutas comparando com as depois da guerra de 1967 (e consequente expansão territorial alegando necessidades de defesa). Querer provar que ovo precedeu a galinha ou o contrário na necessidade de "ocupação" não afasta a realidade da "ocupação" e os seus custos (e vidas) impostos sobre os não terroristas (a maioria da população), e a cuja falta de soluções alimenta os que escolhem o terrorismo.

Deixo ainda o final do texto de Murray N. Rothbard:

"But am I not redefining anti-Semitism out of existence? Certainly not. On the subjective definition, by the very nature of the situation, I don't know any such people, and I doubt whether the Smear Bund does either. On the objective definition, where outsiders can have greater knowledge, and setting aside clear-cut anti-Semites of the past, there are in modern America authentic anti-Semites: groups such as the Christian Identity movement, or the Aryan Resistance, or the author of the novel Turner's Diaries. But these are marginal groups, you say, of no account and not worth worrying about? Yes, fella, and that is precisely the point."

Patriotic Gore

Justin Raimondo sobre Inventing a Nation, de Gore Vidal:

Gore Vidal’s vast panorama of American history—a series of seven novels, the “American Chronicles,” ranging in time from the Revolution (Burr) to the period from 1939-1954 (Washington, D.C. and The Golden Age)—utilized the author’s considerable skills as a writer of fiction to dramatize historical truth. As a documentary codicil to that series, Inventing a Nation projects the same storyline—America’s long road to empire—on a smaller screen.

With a novelist’s eye for character and the telling detail, Gore Vidal takes us on a brisk ride through early American history as seen through the eyes of the Founders. Much is packed into this short book, yet it is never dense. We get portraits not just of Washington, Adams, and Jefferson as advertised in the title, but also James Madison, Benjamin Franklin, Tom Paine, and that “one true exotic” among America’s inventors, Alexander Hamilton, the lean and hungry Cassius of the Revolution.

(...)

Vidal establishes his own stance early on in his portrait of George Mason, the Virginia planter and proto-libertarian author of the Bill of Rights. Mason opposed slavery and when the Constitutional Convention avoided resolving the issue—and delayed those crucial amendments—Mason campaigned against ratification. “Then,” writes Vidal, “once the republic was in place, he refused to serve as one of his state’s senators. He has few political heirs.”

Without doubt Vidal considers this lack a sign of degeneracy. Nostalgia permeates this volume: the prose has an elegiac ring to it, alternately angry and sad, combative and resigned. More than once Vidal cites Franklin’s grim endorsement of the Constitution, in which the 87-year-old elder statesman of the Revolution predicted that “this is likely to be administered for a Course of Years and can only end in Despotism as other Forms have done before it, when the People shall become so corrupted as to need Despotic Government, being incapable of any other.”

(...)

The exhortation against “passionate attachments” and antipathies in foreign policy was originally authored by Hamilton, but Washington, we learn, elaborated on this theme more expansively and definitively, flatly stating that “nothing is more essential than that antipathies against particular nations and passionate attachments should be avoided.” Of the two, Vidal is quick to note, “Washington’s version is most applicable to our Union today as the great combine of military, media, religious mania, and lust for oil has overthrown those safeguards that the first three presidents, for all their disagreements, were as one in wishing to preserve, protect, and defend.”

Like Franklin, Vidal greatly fears the corruption of the people that is the first and fatal symptom of the imperial disease. Yet his often fatalistic despair, in its sheer poignancy, may do more than he thought possible to reverse the trend. At one point, Vidal seems to attribute the decline of our old Republic to “the second law of thermodynamics (everything is always running down).” Yet this cannot be entirely true as long as Vidal’s work is widely read and appreciated.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Thousands Get First Look at 'The Passion'

Excelentes notícias para Mel Gibson. Espero que se passe o mesmo em Portugal...

Even before sunrise, believers and nonbelievers alike poured into movie theaters around the nation on Ash Wednesday for the opening of Mel Gibson's "The Passion of the Christ."

An estimated 6,000 people filled all 20 auditoriums at a Cinemark theater in this Dallas suburb to watch the film. All the tickets had been bought and donated by a local churchgoer.

"I hope everybody sees it with an open mind," said Rick Pierce, 53, a Baptist who sipped coffee and chewed on a breakfast burrito at the theater before the first showing.

Elsewhere across the nation, some couldn't wait for morning screenings. More than 100 people watched the midnight showing of "The Passion" at the ArcLight Cinemas in Los Angeles.

John Kerry: The Gigolo with the Guillotine

"New Democrat" John Kerry could launch as many, if not more wars than Bush, in the name of progressive internationalism. Of course, Kerry would provide America's "allies" with plenty of goodies from the US taxpayer to ensure his unconstitutional wars are UN-approved." Via LRC Blog
Em 'It's Time to Get Over It' John Kerry Tells Antiwar Movement to Move On:

The New Democrats don't begrudge the Bush administration for invading Iraq. They take issue with the Bush administration's strategy of refusing to invite key members of the international community to the invasion until it was too late. The neocons' unilateralist approach, the New Democrats believe, will ultimately harm U.S. political and economic dominance around the world.

"We are confident that a new Democratic strategy, grounded in the party’s tradition of muscular internationalism, can keep Americans safer than the Republicans’ go-it-alone policy, which has alienated our natural allies and overstretched our resources," the New Democrats say in their foreign policy manifesto. "We aim to rebuild the moral foundation of U.S. global leadership by harnessing America’s awesome power to universal values of liberal democracy. A new progressive internationalism can point the way."

in A Democratic National Security Strategy

O Décimo Mandamento, versão revista

A propósito deste documento: Catholic Bishops: Why we must render unto Caesar…, Perry de Havilland propõe no Samizdata uma versão revista do Décimo Mandamento:

The Tenth Commandment, revised: Thou shalt not covet thy neighbour's house, thou shalt not covet thy neighbour's wife, nor his manservant, nor his maidservant, nor his ox, nor his ass, nor any thing that is thy neighbour's... unless the manner in which thou shall covet these things is intermediated by the state

terça-feira, 24 de fevereiro de 2004

O alegado paradoxo da liberdade

BOS, que, tal como eu, não abandonou o teclado por estes dias, aponta-me um "recorrente paradoxo" por defender a liberdade como objectivo político primordial e, simultaneamente, salientar que essa liberdade é limitada pelos direitos individuais de terceiros.

Ora, quer-me parecer que esta consideração é motivada pelo facto de BOS associar todos os liberalismos ao liberalismo excessivamente racionalista que muitos associam à tradição continental (e à francesa em particular). Só assim consigo compreender as persistentes referências ao "ideário de 1789", que supostamente esgotaria todas as concepções possíveis de liberalismo.

Curiosamente, a crítica de BOS acaba por estar próxima da visão de Bentham que, embora tirando daí conclusões bastante diferentes das que julgo tira BOS, também via qualquer lei como uma limitação da liberdade. O que está realmente em causa é saber qual o sistema que pode preservar o máximo de liberdade para todos os indivíduos, sendo que a noção de "liberdade ilimitada", que parece estar subjacente ao pensamento de BOS, só é aplicável a um poder despótico, seja ele pretensamente legitimado pela tradição, pelo nacionalismo ou por uma hipotética vontade geral feita lei universal (a propósito, seria talvez interessante considerar até que ponto as soluções políticas que BOS provavelmente mais aprecia não se aproximam em muitos aspectos do pensamento de Rosseau - talvez entre nós os dois, não seja eu quem esteja mais próximo do tal "ideário de 1789"...).

Uma outra concepção de liberalismo, onde pontificam autores como Locke, Hume, Smith, Burke e Tocqueville vê a lei como pré-condição da liberdade e não como impedimento a uma utópica liberdade ilimitada de que os homens supostamente beneficiariam num "estado de natureza". Para estes autores, a liberdade só pode ser a liberdade sob a lei (entendida aqui no sentido de law, e não de legislação), lei essa que mais do que a limitar, a torna possível.

BOS escolhe como adversário o "ideário de 1789", que associa à primeira concepção acima referida. Talvez na posição dele eu fizesse o mesmo. De qualquer forma, procuraria ter em conta que muitas vezes as oposições que parecem mais radicais acabam por conduzir a proximidades indesejadas...

Destaques

1. CIA soube em 1999 identidade de terrorista que viria a pilotar avião no 11 de Setembro

Nota: O mito que o Estado nos defende melhor do que ninguém. Talvez a única causa directa (as indirectas têm formulações mais complicadas como a dos Estados acharem que é da sua competência perseguir políticas externas que conduzem a que os seus cidadãos sejam objecto de ódios alheios) seja a proibição pelo governo federal de os pilotos e as companhias de aviação tratarem como entenderem da sua segurança a bordo.

2. Patrões pedem menos impostos para relançar consumo e investimento privados

Nota: Não. Devemos pagar menos impostos porque isso diminui a totalidade do nossa produção colectada coercivamente para financiar serviços que não se sujeitam à liberdade individual. E com isso o resultado provável é uma maior crescimento económico. Por outro lado, é uma contradição afirmar que é para aumentar o consumo e a poupança (investimento).

3. Irão: Revolução Islâmica Celebrada com Arte Britânica

A revolução que se deu contra um regime déspota (ridiculamente ocidentalizado) possível pela intervenção da CIA ao depor um Presidente eleito democraticamente nos anos 50 alegando a sua intenção de nacionalizar a indústria petrolífera - que foi exactamente o que fizeram os Britânicos nessa altura. Mais tarde combatidos por Saddam, ajudado por bem sabem quem.

4. Ontem, Há 60 Anos, Por JOSÉ MANUEL FERNANDES

Nota: José Manuel Fernandes fala abertamente sobre os tchetchenos e as dificuldades que passaram e passam. Agora pergunto, quando David Frum e Richard Perle falam no combate ao terrorismo em todo o mundo isso quer dizer que devem os EUA combater directamente os tchetchenos? Mas porquê? Porque querem ser independentes? Como se julga em termos absolutos moralmente todo o tipo de terrorismo quando se sabe que é um infeliz táctica que foi usada para muitos conseguirem as suas causas (Irlanda, Israel, a independência dos EUA, etc.)? Mas os julgamentos sobre a violência em si podem e se calhar devem ser sempre feitos, quer dos terroristas, quer das acções dos Estados. Errado é querer tomar parte nos conflitos de terceiros e ainda por cima com a pretensão de uma superioridade moral absoluta. Ainda pior é com isso querer justificar uma guerra permanente evocando a procura uma paz permanente.

5. Está a Europa Tomada de Novo pelo Anti-semitismo? Por VITAL MOREIRA

Nota: Existe hoje um anti-anti-semitismo (assim como um anti-anti-americanismo) que passa muito para além do razoável os timings que usa, nos argumentos simplistas e fáceis que dispara. Muito dele é mesmo estranho. Quando nas presidenciais francesas Le Pen (e ainda Pim Fortuyn na Holanda) avisava contra a imigração árabe descontrolada, foram capazes de jogar a cartada anti-semita quando os atentados que se verificavam e verificam ainda hoje, são de árabes. E serão os árabes anti-semitas? E serão os tchetchenos anti-russos? Jogar a cartada racial misturando-a com conflitos e disputas territoriais e de soberania é o maior contributo para que a questão racial acabe mesmo um dia por vir a ser uma realidade.

Numa nota final diz uma verdade incómoda para muitos (estou a lembrar-me por exemplo das certezas de Vasco Rato e Luis Delgado no dia seguinte à exposição de Powell na ONU): "2. Os que apoiaram a justificação americana da guerra do Iraque deveriam ter visto o programa 60 Minutos, da CBS, que passou este fim-de-semana na SIC Notícias. Devastadora a desmontagem da tese da ameaça iraquiana e das armas de destruição maciça. Verdadeiramente patético é rever as "provas" apresentadas por Colin Powell ao Conselho de Segurança das Nações Unidas há um ano, particularmente as fotografias, fazendo passar um barracão de recolha de veículos por uma instalação nuclear e carros de bombeiros por "veículos de descontaminação"! O império está a ser governado por possessos..."

A verdade tem de ser procurada

O caso das ADM no Iraque revela como temos de ser nós, individualmente, a fazer o nossos próprio julgamento, a fazer a nossa própria investigação e reflexão, sobre a busca da verdade e dando um peso muito relativo quanto às verdades oficiais, por reputadas agências, reputados políticos, reputados analistas, etc.

A intervenção de que alguns se socorrem para lembrar o óbvio: a actual política norte-americana começou já com Clinton (e com William Kristoll a ameaçar mudar para o partido democrata se os Republicanos não o apoiassem no Kosovo). Mas estes esquecem-se que o problema está precisamente aí. A direita conservadora e liberal incorporou o "fatal conceipt" da esquerda com o uso da capacidade de defesa militar para objectivos confusos, ideológicos, para assuntos dos outros, para o intervencionismo social em massa. E aqui para ir defender os separatistas muçulmanos albaneses (e com ligações a Bin Laden). E o resultado é uma ocupação sem fim de vista. O inicio do envolvimento da Nato em assuntos que não são de defesa territorial. E a destruição de centenas igrejas cristãs ortodoxas, das mais antigas da Europa. E depois os julgamentos.

No assunto do Kosovo como em muitos outros, a memória colectiva entra em amnésia selectiva que faz com que ninguém queira realmente saber o que aconteceu e o que vai acontecendo. No nosso cérebro temos uma gaveta já fechada que diz: algo se passava, fomos lá (bombardear um pais durante 72 dias dia e noite), agora está tudo bem.

Judge's Resignation Puts Milosevic Trial in Doubt

"Now, more than two years after it began, the war crimes tribunal of Slobodan Milosevic may have to be restarted after the presiding judge resigned.

The trial was plunged into uncertainty yesterday after Richard May’s resignation on health grounds raised speculation that the former Yugoslav president could demand a new trial.

Milosevic, who is charged with genocide, crimes against humanity and war crimes in the Balkans in the 1990s, could call on the Hague tribunal to abort the trial and start afresh, one of his legal advisers said. "

E quando se sabe (pelo menos alguns) que (em The Madness of Carla Del Ponte Out In the Open At Last):

it happens, this week marked the end of the Prosecution's case against Slobodan Milosevic. Del Ponte predictably claimed victory, telling AFP: "We have succeeded in showing the responsibility of Milosevic." After two years of continual embarrassments and bitter defeats, the statement has all the ring of wishful thinking, though the press took it at face value. In fact, Del Ponte and her fellow Inquisitors have done nothing of the sort.

Writing in The Guardian last Thursday, commentator Neil Clark argued that "things have gone horribly wrong for Ms. Del Ponte":

"…not only has the prosecution signally failed to prove Milosevic's personal responsibility for atrocities committed on the ground, the nature and extent of the atrocities themselves has also been called into question."

It is obvious, he says, that the Prosecution has been "working backwards – making charges and then trying to find evidence."

(...)

While trying to make it seem as if Milosevic could have prevented the alleged events of 1995, Morillon let it slip that the Serbs were out for blood because of Muslim massacres of Serb civilians. The enraged Muslims announced they would sue the French general as accessory to genocide."

Sobre a destruição das igrejas: CRUCIFIED KOSOVO Destroyed and desecrated Serbian Orthodox churches in Kosovo and Metohia (June-October 1999)

Para quem quiser saber sobre "Explaining the Srebrenica "Massacre"

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004

George H. W. Bush (pai)

"We should not march into Baghdad, turning the whole Arab world against us. Assigning young soldiers to a fruitless hunt for a securely entrenched dictator and condemning them to fight in what would be an unwinnable urban guerilla war, it could only plunge that part of the world into ever greater instability."

A World Transformed, by Brent Scowcroft and George H. W. Bush, Knopf, September 1998

Pois

Iraq may claim Jordan, Kuwait

"The president of Iraq's interim Governing Council has said Baghdad would consider territorial claims over neighbouring Jordan and Kuwait in the future.

(...)

During British rule after the first world war, two branches of the Hashemite royal family governed Iraq and Jordan.

In 1958 King Husayn of Jordan and his first cousin King Faisal
of Iraq declared an Arab Hashemite Federation between their
countries. But the monarchy was overthrown in Iraq later the same year.

Baghdad has for decades laid claim to Kuwait as an integral part of Iraq, arguing the emirate was artificially separated by the British colonisers. (...)"

Tax is Robbery

Em homenagem a esta excelente nota no Cataláxia:

Tempo

"(...) Por isso é imoral que o Estado se aproprie daquele que é o bem mais escasso, o mais valioso, o que nunca sabemos quando terminará, e cujo valor aumenta na directa proporção da progressão das nossas vidas.
A questão da intervenção estadual, da cobrança coerciva do produto do nosso trabalho que nos impede de usufruir o nosso tempo é, por isto, uma questão moral e existencial: arrogar-se ao direito de dispor ilimitadamente do nosso tempo, fez do Estado moderno um Estado religioso, clerical e teológico, que usa o tempo dos homens como fosse a sua origem, princípio e fim."

Fica a sugestão do texto do Conservador Frank Chodorov (é preciso ter em conta que o conservadorismo americano em tempos significava "conservar" o seu sistema livre, desconfiado do crescimento seu estado). Entre muito do que se pode ler neste texto histórico:

"It is not true that the services would be impossible with­out taxation; that assertion is denied by the fact that the services appear before taxes are introduced. The services come because there is need for them. Because there is need for them they are paid for, in the beginning, with labor and, in a few instances, with voluntary contributions of goods and money; the trade is without compulsion and therefore equitable. Only when political power takes over the manage­ment of these services does the compulsory tax appear. It is not the cost of the services which calls for taxation, it is the cost of maintaining political power.

(...)

The State does not give; it merely takes.

All this argument, however, is a concession to the obfus­cation with which custom, law and sophistry have covered up the true character of taxation. There cannot be a good tax nor a just one; every tax rests its case on compulsion."

Antecedentes e esquecimentos

CAA lembra o terrorismo a propósito do texto de Vital Moreira "Israel & Palestina":

"Que em toda esta sua análise se esquece de demasiadas coisas importantes.
Que a ocupação israelita da faixa de Gaza e da Cisjordânia não é a real causa do conflito já que as ameaças árabes de destruir Israel existiram desde o primeiro dia da sua proclamação como Estado pela ONU."

Eu vou lembrar aqui:

1. Parece-me natural que os Estados Árabes na altura (incluidno os ressentimentos de hoje) tenham reagido mal. A formação de um Estado nunca é pacifica, nem hoje, nem ontem, nem em lugar algum. Um Estado só se forma pela força, quer contra os terceiros vizinhos quer contra quem internamente a quem o recusar ou pôr em causa. E nunca o iria ser a declaração de um "Estado Judaico" por uma população essencialmente imigrante (ou descendente de), no meio de população árabe, que em grande número teve de fugir sem direito de retorno e onde existiam e existem ainda correntes sionistas fundamentalistas por uma Grande Israel. Imaginem os muçulmanos franceses a declarar um Estado Islãmico em Paris...

2. Existiram ataques (terroristas) israelitas sobre população árabe e o exército inglês nessa altura e até incluiu a morte do representante da ONU (outros eventos também lamentáveis ocorreram depois, existiram boas razões ou foram erros que são sempre inevitáveis em situações complexas? Talvez, mas deram-se e contribuíram para um impasse eterno).

3. Recorrer-se da ONU para justificar uma qualquer legalidade mas recusar a ONU para quase tudo o resto que não dê jeito...Por mim, a ONU representa apenas uma opinião, uma declaração de consenso colectivo (e ainda por cima dos Estados, não dos cidadãos em si), não uma declaração universal e absoluta de direito. Quer nesta questão, como em todas as outras.

4. Ao fazer a contabilidade da violência é preciso ter em conta também o número de vítimas palestinianas (que é muito superior), dos métodos (destruir as casas das famílias, etc.), a forma como vivem, e como estão sob ocupação de facto.

5. O Muro é um iniciativa do Estado de Israel (está no seu direito), tirando as questões do seu traçado e das complicadas questões de legitimidade territorial discutidas ao m2, pode ser útil para ambos os lados no médio e longo prazo. O TPI, a ONU ou mesmo os EUA podem tomar as posições de princípio que bem entenderem, mas ninguém pode impedir a vontade declarada de um Estado estabelecer as medidas de segurança que bem entenda (não o fazem em relação a acções que provocam mortes e são de duvidosa legalidade internacional, como o iriam fazer numa medida passiva?).

6. A violência alimenta-se da violência, e da destabilização da psicologia individual e colectiva. O Muro pode diminuir ambos. Israel tem especial obrigação de propor uma solução. A iniciativa de formação do seu Estado foi sua.

7. Também ajudava que no resto do médio-oriente e mundo árabe não se ajudasse a que mais violência e caos alimente mais violência e mais caos. A queda forçada de regimes e ocupação militar, quer no Afeganistão, Iraque e potencialmente a Arábia Saudita, o Irão e a Síria, pode tornar aquela região num rastilho de tragédias sem fim. É o que os extremistas mais desejam, por isso combatem já o regime monárquico Saudita.

Sobre os antecedentes do conflito ler

Background of the Middle East Conflict, by Wendy McElroy, October 2003, na Future of Freedom Foundation

Fica aqui a parte final do texto:

Post–World War II Israel

In early 1945, as World War II drew to a close, King Saud of Saudi Arabia met with Roosevelt. The king expressed his concern about the number of European Jews emigrating to Palestine; he suggested, instead, that displaced Jews be given part of Germany. Roosevelt assured King Saud that Arab interests would not be jeopardized. But within a few months, on April 12, 1945, Roosevelt died suddenly of a cerebral hemorrhage. His successor, Harry S. Truman, took a pro-Zionist position and recommended that 100,000 Jewish refugees be settled in Palestine.

One hundred thousand was not an arbitrary figure. After World War II, some 100,000 Jewish survivors of Nazi persecution were in camps for displaced persons. They were the remnants of a rich culture that had numbered in the millions only years before. Zionists demanded they be admitted to Palestine immediately. To control the flood, the British introduced the “Defense Regulations.” Habeas corpus was suspended; people could be detained without trial; entire villages were moved at the whim of military authorities; curfews and security zones were established; people could be deported without explanation.

The Zionists started a program of terrorism against the British. Menachem Begin — later prime minister of Israel — was the leader of the Irgun Zvai Leumi or National Military Organization and the mastermind behind the most infamous act of Jewish terrorism: the bombing of the British headquarters at the King David Hotel in 1946. An estimated 95 people died from the blast.

The official American response was muted. Truman was far more concerned with the spread of communism in Europe than with Middle Eastern affairs. The United Nations had been established in 1945 at a conference in San Francisco. Fifty governments signed the UN Charter and pledged to refrain from armed force, except in the common interest. A General Assembly was authorized to investigate any issues endangering international peace; a Security Council was empowered to meet any threat of war. Battle-weary, Britain turned the matter of Palestine over to the UN.

In May 1947, the UN General Assembly appointed a Special Commission on Palestine. The commission declared that partition was the only practical solution. The Arab delegates vigorously denied that the UN had the legal or moral right to divide their land. They refused to discuss partition.

Against the advice of the American State Department, Truman supported the establishment of a Jewish state. The State Department worried that a pro-Zionist stand would drive the Arabs toward the Soviets. But Zionists exerted intense pressure on the White House, Truman later wrote,

I do not think I ever had as much pressure and propaganda aimed at the White House as I had in this instance. The persistence of a few of the extreme Zionist leaders — actuated by political motives and engaging in political threats — disturbed and annoyed me.

On November 29, 1947, the United Nations voted to partition the area known as Palestine into two nations: one Jewish (Israel), one Arab (Palestine). The UN vote was 33 for, 13 against, 10 abstaining. The Arabs were to receive 43 percent of the land, the Jews 57 percent. The new states would come into being by October 1, 1948.

America favored the partition. During a meeting with American ambassadors to the Middle East, Truman stated bluntly,

I’m sorry, gentlemen, but I have to answer to hundreds of thousands who are anxious for the success of Zionism: I do not have hundreds of thousands of Arabs among my constituents.

Arabs immediately pointed out flaws in the partition, claiming, for example, that Jews received the best land. Zionists accepted partition reluctantly, calling it “an indispensable minimum.” The British, already frustrated with administering the region for years, agreed to enforce an uneasy peace until a self-announced deadline for departure on May 15, 1948.

The Jewish claim was outlined in a 1948 document entitled “Declaration of the Establishment of the State of Israel,” which reads, in part,

The Land of Israel was the birthplace of the Jewish people. Here their spiritual, religious and political identity was shaped.... After being forcibly exiled from their land, the people kept faith with it throughout their Dispersion and never ceased to pray and hope for their return to it and for the restoration of their political freedom.

The Arab claim was outlined in 1938, by George Antonius, a Christian Palestinian Arab:

The Arab rights to Palestine are derived from actual and long-standing possession, and rest upon the strongest human foundations. Their connexion with Palestine goes back uninterruptedly to the earliest historical times.... Any solution based on the forcible expulsion of the peasantry from the countryside in which they have their homesteads and their trees, their shrines and graveyards, and all the memories and affections that go with life on the soil, is bound to be forcibly resisted. In other words the Arab claims rest on two distinct foundations: the natural right of a settled population ... to remain in possession of the land of its birthright; and the acquired political rights which ... Great Britain is under a contractual obligation to recognize and uphold.

Aborto, Integração Política e Referendos

Já sabemos que os referendos são usados pelo sistema político até conseguirem o resultado desejado, até na Suiça isso sucede, com a diferença que nesta, sendo usual o recurso local e federal ao referendo, é mais fácil reverter determinadas decisões (como a da entrada na ONU).

Neste momento existem dois assuntos potenciais a levar a referendo onde determinadas regras de reciprocidade deviam ser estabelecidas:

1) a Integração numa Europa federalista
2) o Aborto

1. Integração

a) se 51% podem determinar a integração e perda de soberania, 51% devem poder recusá-la posteriormente, numa prazo que deve estar estabelecido na própia decisão de integração

b) Além disso, 51% de uma região de Portugal pode pedir a autonomia (pedindo a convivência num sistema federal nacional) e até a independência.

Tal parece-me que carece de demonstração dada a facilidade e aparente consenso com que os intelectuais e políticos de vários quadrantes aderem à lógica da decisão colectiva pela integração. Esquecem-se, digo eu, que esta lógica tem de ter dois sentidos.

Conclusão1: Seria prudente que em vez de 51% fosse necessário um maior consenso, por exemplo 2/3.

2. o Aborto

a) Se 51% pode legalizar o aborto, 51% pode criminalizá-lo. Mais uma vez deve estar previsto com que periodicidade deve o assunto ser colocado.

b) No Aborto existe uma questão adicional. Estando em causa conceitos fundamentais sobre a vida e a morte, não devia um referendo nacional obrigar todas as regiões a legalizar o que é visto como a legalização da morte para muitos. Se uma região recusa a sua legalização por 2/3 dos votos porque deverá acatar uma decisão macro?

Assim seria desejável, seria mais "livre", que em referendos nacionais se permitisse que regiões recusassem o resultado nacional se uma percentagem acima de 2/3 (ou por exemplo 70%) não o desejasse.

Como se iria aplicar?

As regiões que recusam ou têm segundo este sistema uma preferência diferente, podem para já, proibir que a actividade seja exercida na sua região. Qual o sentido? A de marcar uma posição de princípio.

Como iriam estas regiões exercer esta sua “lei” sobre mulheres e profissionais que a praticassem? Numa solução amena, pela simples exposição pública. Numa solução de maior amplitude, pela recusa da sua residência.


Também somos livres na medida em que é possível vivermos numa comunidade com valores próximos dos nossos. A capacidade das comunidades se regularem, sem imposições centralistas ou únicas (mas também sem a capacidade de as impor a terceiros) é o que permite a concorrência entre sistemas de valores e a formação de sociedades civis coesas.

Acredito até que esta descentralização conjugada com o direito de exclusão (o tal que faria com que numa possível legalização da droga, as empresas pudessem despedir consumidores, os municípios proibir a sua venda comercial, etc.) faça a sociedade civil recuperar um conservadorismo saudável mas sem o monopólio da moral ou até da definição da lei.

Re: Liberalidades

O BOS respondeu no Nova Frente a um meu anterior post.

Os liberais (e refiro-me aqui aos liberais clássicos) defendem, na linha de Lord Acton, a liberdade como o mais importante objectivo político, precisamente para que os "cidadãos" possam, dentro dos limites impostos pelos iguais direitos de terceiros, seguir a sua vontade.

A potencial falta de rigor que indiquei no post inicial do Nova Frente sobre a matéria (Kant e os liberais) parece-me estar presente na afirmação, sem mais, de que o "ethos kantiano opõe-se ao liberalismo (e ao individualismo ou personalismo)".

Não procurei afirmar (nem negar) que Kant fosse um "liberal dos quatro costados", precisamente porque não me parece matéria que possa ser tratada de forma tão definitiva em meia dúzia de linhas. A referência às divergentes interpretações e valorações de Kant por parte de vários importantes pensadores liberais visava precisamente ilustrar esse ponto. Aliás, as conclusões de algumas dessas interpretações serão até presumivelmente agradáveis para BOS, uma vez que apontam para que várias das ideias de Kant podem ser reconhecidas na base dos regimes anti-liberais pelos quais aparentemente BOS tem preferência.

É perfeitamente concebível para mim que as conclusões sobre Kant apresentadas no Nova Frente estejam correctas, mas os fundamentos aí apresentados parecem-me claramente insuficientes face à complexidade da obra do autor em causa, em particular no que toca às noções de liberdade e dever.

domingo, 22 de fevereiro de 2004

Boas notícias para Bush

Nader Announces He'll Run for President

Consumer advocate Ralph Nader announced Sunday he is running again for president, this time as an independent, and rejected claims that a longshot candidacy would merely siphon enough votes from the Democrats to ensure President Bush's re-election.

But Nader's decision was greeted with a chorus of condemnation from Democrats, longtime friends and former supporters who blame him for Al Gore's loss four years ago. They suggested that Nader would not pull close to the 2.7 percent of the vote he won before without the backing of an established party and some of his past supporters.

Republicans resisted the temptation to gloat as party chairman Ed Gillespie proclaimed that Bush would win a second term no matter who runs. Mississippi Gov. Haley Barbour, a former Republican National Committee chairman, said, "It will make less difference than the Democrats fear, but I know they're very nervous about it."

Céu em Fogo

Novo link: Céu em Fogo

MINORITY REPORT

Leitura recomendada: MINORITY REPORT, no Aviz.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

AN OPEN LETTER TO MICHAEL NOVAK

De Thomas Fleming na sua Chronicles Magazine. Escrito em Abril de 2003

Dear Michael,

I read your latest piece in Il Sole, in which you take issue with an Italian priest who had said that democracy could not be established at the point of a gun. (...) I well remember the first time I heard you speak—though it was a speech you had given (and would give) many times. Your basic argument was that the only problem with Latin America was that it had never had a Protestant Reformation. I was an Anglican in those days, but I could not understand how a Catholic could be so disloyal to his Church. I still don’t.

I truly think that you believe what you say, but try to imagine what others will suppose when you compare your own media-images of WWII bombing with the experiences of French and Italian civilians who were bombed to pieces by the allies. (...) There is hardly a city in Normandy that we did not level, and not always with a clear military justification.

Some of the great centers of Catholic Christianity—Ambrose's Milan, for example, Benedict's Monte Cassino—were subjected to destructive bombardments that destroyed Christian antiquities and killed people without achieving a military objective.

(...) I have no answer or for the people of Belgrade whom we bombed at the end of the war and again, just a few years ago, to enable the Christ-hating fanatics of Kosovo to kill and expel Christians and dynamite their churches.

You say that our military actions installed democracy in Italy. Do you know anything of Italian history?

How, for example, the Soviet-backed left supported the overthrow of the royal family in a narrow referendum that was about as strong an expression of the national will as the popular vote that went for Al Gore in the 2000 presidential election; how the CIA and the KGB divided Italian politics down the middle for decades and used their money to corrupt Italian politics; how the bribery and corruption of the Italian political process allowed the communist left to achieve a virtual coup d’état, when the judges overthrow Berlusconi’s first administration? On the other hand, do you know anything about the American system we call “democracy”? (...)

Like so many armchair city-bombers today, you believe that the US can install “democracy” (a term which in your vocabulary is utterly devoid of meaning) in a people that has not known responsible self-government in any form since the Akkadian conquest of Sumerian city-states. (...) As the framers of the American constitution understood all too well, republican government is not a gift; it is a hard-won accomplishment that reflects the character of a people. Those who are not heirs to the Hellenic, Roman, Jewish, and Christian heritages have proved themselves completely incapable of establishing or maintaining any of the features of republican (much less democratic) government.

This does not mean that they are our inferiors. Far from it. An Iraqi willing to fight and die for his people and his religion may well be a nobler figure than an American “democratic capitalist” (your phrase) who exults in televised bloodshed and has no higher goal in life than to buy toys and die in his sleep.

We agree with you that pacifism is not a Christian solution to political and moral evil, but you seem to think that wanton destruction, designed to "shock and awe" civilians, is the act of a Christian nation. It is never right to do wrong in a good cause, never right to kill innocent people intentionally. When civilians get caught in the crossfire, we are sorry for their deaths, but when a government targets the civilians of Dresden, Hiroshima, Novi Sad, or Baghdad, it is criminal in the eyes of all believing Christians. To believe otherwise is to ignore 2000 years of Christian teaching and to reject Christ himself. Killing the innocent—whether it is done by Herod, an abortion doctor, or a government authorizing the terror-bombing of cities—is a grave moral evil.

I believe, Michael, that in your heart of hearts you are a kind man who preserves some spark of the Christian training he once received, before it was papered over by Wall Street Journal editorials. I would not like to think that your long association with anti-Christian neoconservatives has entirely blunted your conscience. However, we are not to judge a man by his professions but by his actions: By their fruits you will know them.

Your actions, as a writer and propagandist, in rewriting Catholic moral teachings on war, contradicting the Holy Father in a case where he is speaking in the authentic voice of the Church, your justification of the killing of innocent civilians—these are the fruits by which you must be judged.

There are good pragmatic for opposing or supporting this war, and good men are free to disagree. But on the larger moral question, whether it is right to kill innocent people in order to pave the way for a better government, the answer was given a long time ago, and this is not a question on which good Christian men are free to disagree.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

No End to War (2)

É, de facto, um artigo interessante de Pat Buchanan, que parece razoavelmente convencido de que a influência dos neoconservadores está em declínio:

Which brings us back to the point made at the outset: the neocon moment may be passing, for they appear to be losing their grip on reality as well as their influence on policy. Rather than looking for new wars to involve us more deeply in the Middle East, Bush and Rumsfeld seem to be looking for the next exit ramp out of our Mesopotamian morass. “No war in ‘04” is said to be the watchword of Karl Rove.

Moreover, Americans are coming to appreciate that, all that bombast about “unipolar” moments and “American empire” aside, there are limits to American power, and we are approaching them. U.S. ground forces of 480,000 are stretched thin. There is grumbling in Army, Reserve, and National Guard units about too many tours too far from home. Backing off his “axis-of-evil” rhetoric, Bush said in this year’s State of the Union, “We have no desire to dominate, no ambitions of empire.”

The long retreat of American empire has begun.

In Washington, there are rumors of the return of James Baker and the imminent departure of Paul Wolfowitz. As Frederick the Great, weary of the antics and peculations of his house guest Voltaire, said, “One squeezes the orange and throws away the rind.”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004

No End to War

O melhor e talvez mais importante texto de Pat Buchanan na The American Conservative, com a análise do "An End to Evil" de David Frum e Richard Perle, onde estes fazem a defesa da permanent War for permanent Peace.

É um texto longo, fica aqui uma pequena passagem:

Say the authors: “We must hunt down the individual terrorists before they kill our people or others .... We must deter all regimes that use terror as a weapon of state against anyone, American or not” [emphasis added].

Astonishing. The authors say America is responsible for defending everyone, everywhere from terror and deterring any and all regimes that might use terror —against anyone, anywhere on earth."

(...)

Calling their book a “manual for victory,” they declaim:

For us, terrorism remains the great evil of our time, and the war against this evil, our generation’s great cause. We do not believe that Americans are fighting this evil to minimize it or to manage it. We believe they are fighting to win—to end this evil before it kills again and on a genocidal scale. There is no middle way for Americans: It is victory or holocaust.

But no nation can “end evil.” Evil has existed since Cain rose up against his brother Abel and slew him. A propensity to evil can be found in every human heart. And if God accepts the existence of evil, how do Frum and Perle propose to “end” it? Nor can any nation “win the war on terror.” Terrorism is simply a term for the murder of non-combatants for political ends."

Leiam o artigo. Quanto a mim, hoje já pouco tenho a acrescentar sobre este assunto, principalmente quando ouço de pessoas que muito respeito e admiro (digo-o com sinceridade):

"Todo e qualquer ser humano tem o direito fundamental à vida, à liberdade e à participação política numa democracia. Saddam Hussein viola sistematicamente todos estes direitos dos iraquianos, logo o uso da força para acabar com o regime iraquiano é legítimo."

Este podia ser o lema de um grupo terrorista para derrubar Saddam, mas não é. Se fosse, o que diríamos, é um terrorismo a combater? Podíamos substituir Saddam por Salazar e perguntar o mesmo - Mas pior, podíamos perguntar se era legítimo ou até desejável (suspeito que sim para alguns) que uma Espanha democrática viesse nesses tempos "libertar" Portugal, destruir a sua infra-estrutura física (a água, electricidade, etc.) e administrativa, ocupar, e guiar-nos para um novo estágio de felicidade colectiva. E depois os resistentes que suspeito, iriam surgir, seriam terroristas, contra a democracia e até contra o mundo civilizado.

Podem dizer que Salazar não era Saddam, certamente que não, sou o primeiro a reconhecer vários favores que lhe ficamos a dever no meio dos seus erros.

Mas Saddam também está num Iraque desenhado pelos Ingleses (onde estes também combateram as tribos existentes), multi-étnico, com tendências separatistas, no meio de uma região sujeita ao extremismo islamico que sempre recusou (tal como o partido Baath na Sìria), com tolerância religiosa e igualdade com as mulheres. Saddam foi sanguinário como muitos outros ditadores o foram, e por isso deve ser condenado e vigiado. Nos últimos 10 anos náo o tinha sido muito. Até tinha destruido as ADM! Os iraquianos é que tinham de tratar dele, de preferência poupados a sanções que deram cabo da classe média e a puseram dependente de uma economia socialista de racionamento por uma década.

Na União Soviética não se assistiram a purgas vingativas por parte da sua população quando da sua queda por implosão. Nem na Alemanha de Leste. Só na Roménia assistimos ao julgamento e condenação do seu líder. Com que direito vamos então nós provocar milhares de vítimas civis, destruir e destabilizar uma sociedade (e que inclui sempre consequências não previstas), para apressar aquilo que é inevitável, perseguindo uma causa que não é nossa?

Quanto ao conflito israelita e palestiniano, lembrem-se por favor, quem declarou um “Estado Judaico” no meio de população árabe foi Israel (e acho muito bem, mas outra coisa é não perceber as consequências e o que foi necessário fazer para ser bem sucedido), quem depois expandiu territórios foi Israel (por defesa? talvez, mas que importa isso?), quem expulsou centenas de milhares de árabes das suas casas e propriedades foram os israelitas e sem direito de retorno (também acho bem, é inevitável, mas como digo, outra coisa é fazer de conta), quem ocupa territórios é Israel prestando-se a imagens que quase nos fazem lembrar o infame Guetto de Varsóvia, quem também teve culpas em alguns massacres quer na sua fundação (incluindo atentados contra tropas inglesas) quer mais tarde foram israelitas (em especial Sharon), quem morre num número quatro vezes superiores aos israelitas são os palestinianos cujo deplorável e condenável uso de atentados suicidas é proporcional à desproporção de meios numa disputa territorial e ao apoio cego e acrítico de muitos. E já o disse: o muro é bem capaz de ser a melhor ideia dos últimos 50 anos. Para ambos.

Agora, como os anti-pacifistas (que tratam os pacifistas como se de uma doença se tratasse) se admiram que muitos sejam apanhados na armadilha de acreditar que a violência é um recurso válido para resolver disputas é que me admira. Os árabes em especial olham à volta e vêm quem está no Afeganistão, no Iraque, com tropas na Arábia Saudita (ameaçando fomentar a queda da monarquia), ameaças permanentes à Síria e Irão, e digam lá, o que devem eles pensar? Será difícil imaginar um discurso de recrutamento de fundamentalistas?

Berlusconi launches attack on 'gang of three' alliance

No Independent:

A fierce backlash against a new alliance between the UK, France and Germany surfaced yesterday ahead of today's three-way summit between the British, French and German leaders in Berlin.

On the eve of the gathering, Silvio Berlusconi, the Italian Prime Minister, declared his fervent opposition to any move by Europe's big three nations to join forces.

"Europe doesn't need any directorate, it's just a big mess," he said during a press conference in Rome. "This is my opinion, which is completely shared by other European countries, with the exception of the three countries involved."

Italy's Foreign Minister, Franco Frattini, also issued a warning to Tony Blair, Gerhard Schröder, the German Chancellor, and Jacques Chirac, the French President, saying their meeting could damage the cause of European integration.

Mr Berlusconi, Spain's Jose Maria Aznar, Poland's Leszek Miller, the Dutch Prime Minister Jan-Peter Balkenende, his Portuguese counterpart Jose-Manuel Durao Barroso, and the Estonian premier Juhan Parts, have signed a letter sent to Ireland's EU presidency criticising positions taken by France, Germany and the UK.

A Depressão Segundo São Barnabé

Sobre o mesmo assunto, recomenda-se também a leitura do excelente post A Depressão Segundo São Barnabé, no "neo-liberal direitista" (e que, como tal, também deve estar em crise...) Jaquinzinhos.

Re: A depressão deles

O Barnabé Daniel Oliveira acha que a direita da blogosfera está em crise.

Olhando para o top 10 dos blogues ordenados por visitas, em termos de blogues com comentário político, encontramos:

3- Abrupto

5- Dicionário do Diabo

7- Blog de Esquerda II

8- Semiramis


Mesmo admitindo que o Barnabé pudesse provavelmente fazer parte do top 10 caso tivesse sitemeter, a esquerda continuaria em minoria. Não vejo onde está a tal crise da direita...

Sobre o caso de Aveiro

Independentemente da posição que se tenha relativamente ao aborto, não posso deixar de concordar com a análise de CAA no post Sinceramente:

Esta é a nossa eterna sapiência lusitana: não fazer o que dizemos a todos que deve ser feito e convivermos em permanente estado de consenso abúlico de fingirmos ignorar o que todos sabem.

Educação e Estado

"A general State education is a mere contrivance for moulding people to be exactly like one another: and as the mould in which it casts them is that which pleases the predominant power in the government, whether this be a monarch, a priesthood, an aristocracy, or the majority of the existing generation, in proportion as it is efficient and successful, it establishes a despotism over the mind, leading by natural tendency to one over the body."

- John Stuart Mill