sexta-feira, 29 de Outubro de 2004

"For A New Isolationism", 1959

Aviso: mais um texto sobre o século 20 e as suas guerras.

Rothbard foi o último dos moicanos na tentativa de preservar a tradicional politica de neutralidade, entretanto quebrada desastrosamente pelos presidentes democratas Woodrow Wilson e Roosevelt e depois Truman e Johnson (as guerras americanas devem-se à sua esquerda).

O primeiro envolve-se numa guerra da qual nasce (e sem qual, talvez a Europa fosse ainda hoje fosse um retalho de Monarquias parlamentares...nice though) o comunismo na Rússia e o fascismo e nazismo na Europa, e a Segunda faz de Estaline (que entretando já tinha morto bem mais população - durante os anos 20 e 30 - do que aquela que seria depois atribuída a Hitler e ao nazismo) um aliado, o verdadeiro vencedor da Segunda Grande Guerra, e o comunismo e Mao com mãos livres na Àsia (por causa da destruição do Japão) - e depois todas as vitimas da Guerra Fria: a queda do Império Britânico e Francês e as descolonizações influenciadas por nacionalismos que viram na ideologia comunista um meio (e mais um meio do que um fim em si mesmo) de incentivar as populações a revoltarem-se, os apoios do Ocidente a toda a espécie de ditaduras militares (por exemplo, a CIA teve na origem da deposição do Presidente eleito no Irão para ser substituído por Phalevi que mais tarde foi deposto pela Revolução Islâmica), o Vietname e o Cambodja (milhões de mortos só para demonstrar o quanto a teoria do dominó estava errada), etc.

É bem fácil tirar a conclusão como o século 20 foi o pior da civilização e uma enorme tragédia induzida pelo tão glorificado Estado Moderno. Mesmo as Monarquias envolvidas no enorme erro da Grande Guerra (se bem que Versailles foi induzida pela República Francesa e a Americana fez questão no pura e simples desaparecimento do Império Austro-Húngaro com as consequências trágicas da Europa Central passar a ser dominado pelo espirito Prusso, ainda por cima agravado pelo sentimento de animal injustamente ferido - e o pior de tudo, tornado república com o fim das monarquias germânicas) foram já influenciados para não dizer vitimas das decisões de uma classe política e de políticos profissionais de carreira que caracterizam o Estado Moderno, quando antes eram ausentes nas decisões das, por comparação, civilizadas guerras entre monarquias europeias nos séculos anteriores.

Em 1959, Rothbard escreve um texto enviado para a National Review que começava na altura a literalmente expulsar os conservadores tradicionais para acolher o cold war interventionism e o início da migração neo-conservadora com origem no partido democrata. Estes tiveram perto de conseguirem um first strike, e já perto do colapso, a famosa team B de que fazia parte Paul Wolfitz, produzia um relatório mais uma vez histérico, que afirmava que a URSS estava mais perto do que nunca de dominar o mundo. Há pessoas que nunca aprendem.

Em 1959 Rothabrd escrevia então:

"(...)The only way for the Communist regime to crumble from within, therefore, is by internal revolution.

Now I know that Mr. Eugene Lyons has been valiantly predicting for many years now an imminent revolution inside the Soviet Union. I fervently hope that he is right. But to base a foreign policy on expectation of revolution seems to me foolhardy. The Soviet regime has been in power, after all, for some forty-two years, and unfortunately, there are still no signs of revolution on the horizon. Don’t misunderstand me: we must all hope and pray for such a revolution, but we cannot count on its arrival. The present regime seems more stable than any since Stalin’s death.

(…) We are not threatened by Russian tanks or machine guns or infantry. It is, therefore, the principal task of an American foreign policy truly devoted to American interests, to bring about a universal scuttling of the new weapons. If we all returned to no more than the old "conventional" weapons, and preferably even to the muskets of yore, then America would no longer be endangered.

This does not mean, of course, that America should unilaterally disarm. But it does mean that America should try its best to effect a disarmament-agreement with Soviet Russia, whereby all the nuclear etc. (…)

In the first place, I do not think it at all obvious that Russia will immediately attack the other nations. Believing as it does in eventual internal Communist triumph and fearing an American return to a cold-war policy, it will most likely refrain from any military attack. And, secondly, we can relieve ourselves of even more of the crippling and wasteful economic burden of armaments, as well as take the unilateral propaganda play for peace away from the Russians for a change, by suggesting to them further disarmament of even conventional weapons, perhaps eventually stripping down completely to bows and arrows. But let US assume the worst, and suppose that the Russians will really proceed to attack their neighbors with conventional arms once nuclear disarmament has been attained. What then?

I maintain that the only answer we can give to this hypothetical problem is the inelegant: "so what"? Let us not forget our initial axiom: that we first and foremost pursue American national interests. In that case, while we would personally deplore a Communist takeover of foreign countries, we would also adhere to the old isolationist principle of doing nothing about it, because it would not be of official national concern. Deprived of nuclear, etc. arms, Russia might be a military menace to Europe or the Middle East, but it would no longer be a menace to the United States, our primary concern. The Russian and Chinese hordes will not be able to swim the oceans to attack us.

(…)

A return to old-fashioned isolationism, then, is paradoxically the only really practical foreign policy that we have. It is precisely because we are living in the terrible technology of the nuclear age that we have a sound basis for a workable disarmament agreement with the Russians. And, with such an agreement, we would be back to the military realities of the pre-nuclear age when even our present Right-wing interventionists agreed that isolationism was practical.

One thing I would like to make quite clear: I am not proposing a program of large-scale foreign aid to the Soviet government, or a joint UN slush fund for the backward nations. In fact, adoption of a true isolationist program would finally end, once and for all, the blackmail wheedling of foreign countries that they will go Communist if we don’t come across with a suitable bribe. We can now tell the foreign nations to paddle their own canoes at last, and take full responsibility for their own actions.

There is, in short, an eminently sound alternative to the loudly trumpeted policies of either pro-Soviet or anti-Soviet interventionism. And that is a new policy of enlightened and realistic isolationism, sparked, as it needs to be in our day, by general nuclear disarmament of the world powers. Abandoning foreign meddling, we need neither continue the cold war nor pretend that the Communist leaders are our "heroic allies."

We need only adopt again that stance of splendid isolation which once made peaceful and free America the beacon-light of the world. "

terça-feira, 26 de Outubro de 2004

Sobre o tempo que passa

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Mises

"The experience with which the sciences of human action have to deal is always an experience of complex phenomena. No laboratory experiments can be performed with regard to human action."
"There are, in the field of economics, no constant relations, and consequently no measurement is possible."

"As a method of economic analysis econometrics is a childish play with figures that does not contribute anything to the elucidation of the problems of economic reality."

segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

Somália

Ainda agora é Presidente e já pede a ocupação do seu (o seu?) país.

" O novo Presidente da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, pediu hoje à União Africana (UA) o envio de uma força de 15 a 20 mil homens, a fim de desarmar os chefes de guerra que transformaram o país no palco de uma guerra civil desde 1991.

(...) Várias dezenas de milhares de pessoas estão armadas naquele país pobre do Corno de África, onde os chefes de guerra dividem o território desde 1991, depois da queda do ditador Mohamed Siad Barre. Desde então foram formados dois governos, que nunca conseguiram estender o seu controlo para lá da capital, Mogadíscio."

Mas entretanto a Coca-Cola abre uma fábrica e tem a sua própria milícia que aparentemente teve a capacidade de derrotar um dos chefes porque paga melhor. Talvez a melhor via de pacificação.

Via BBC:

"...Warlords, I am told, are those who generate income not by providing services, but by extorting money through their militia, for example at roadblocks. In recent months there have been signs that some of the warlords are losing influence. In May, one of them tried to seize control of El Ma'an, provoking more than a week of fighting during which thousands of people were displaced.

The warlord lost. Since then, many of his militia fighters have joined the businessman, and are now helping to protect the port.

They are better paid, receiving $2.50 a day, and are given better food as part of the deal. The new Coca-Cola factory imported most of its equipment, including the bottling line, through the port.

For the opening ceremony, the company increased the number of armed guards to more than 100.

Continuing lawlessness has deterred many would-be investors. But the man behind the idea, AbdiRisak Isse, a 37-year-old Somali whose family lives in Sweden, says the real security comes not from the guards with guns, but from the goodwill generated by the company."

A Nobel Prize for Not Much

Moral da história: como sempre os economistas exultam cada vez que alguém se lembra de construir um modelo matemático que não explica nada, apenas descreve e se calhar nem isso, porque para isso temos os matemáticos e estatísticos.

Frank Shostak

"(...)In this regard, what our Nobel laureates have introduced is not a novel way of understanding the phenomenon of the business cycle but a different method of curve fitting. By means of calibration, various types of imaginary models can now be introduced and assessed against real data. If a particular functional form doesn’t fit the data closely enough, then the function can be modified by the introduction of another heavy dosage of mathematics until the proper fit is established. In short, what we have here is a heavy emphasis on developing sophisticated methods of curve fitting rather than trying to identify the essence of what gives rise to the fluctuations of the data.


Since the KP had adopted apriori the view that what matters as far as boom-bust cycles are concerned is technology shocks, they have selected an appropriate model for their story. Therefore, it is not surprising that the KP model has not been able to identify the importance of monetary pumping in setting boom-bust cycles in motion.


Thus they write: "There is no evidence that either the monetary base or M1 leads the cycle, although some economists still believe this monetary myth. Both the monetary base and M1 series are generally procyclical and, if anything, the monetary base lags the cycle slightly."[4]
Conclusion

It seems that rather than advancing our understanding of the causes behind boom-bust cycles, this year Nobel laureates have contributed to a further retrogression of the economic discipline. Rather than probing the essence of the economic phenomena, this year’s laureates have further obscured our understanding through the introduction of more complex mathematical tools. Once, however, the veil of mathematics is removed, one finds very little of substance that modern mathematical economists including KP have made in advancing our understanding of the world of economics. Careful scrutiny of the KP model shows that it is just another sophisticated toy for fitting curves, which has very little to do with the explanation of boom-bust cycles.

domingo, 24 de Outubro de 2004

Ainda Churchill e a WWI

E a polémica sobre se terá dito que:

"America should have minded her own business and stayed out of the World War. If you hadn't entered the war the Allies would have made peace with Germany in the Spring of 1917. Had we made peace then there would have been no collapse in Russia followed by Communism, no breakdown in Italy followed by Fascism, and Germany would not have signed the Versailles Treaty, which has enthroned Nazism in Germany. If America had stayed out of the war, all these 'isms' wouldn't today be sweeping the continent of Europe and breaking down parliamentary government - and if England had made peace early in 1917, it would have saved over one million British, French, American, and other lives."

(The website where this quote is found is in frames, so you'll have to search for "Churchill" on the site.) According to the New York Enquirer, Churchill said this in 1936. This goes contrary to the WWII Churchillism, but the case unfolds:

There is an ongoing dispute whether Churchill really spoke these words. When Churchill later denied having said that the US should have minded her own business, William Griffin, publisher of the New York Enquirer, testified in Congress that it was indeed Sir Winston Churchill who made this comment in an interview with him in London in August 1936 (sworn statement, Congressional Record, October 21, 1939, vol. 84. p. 686.).

Griffin also brought a $1,000,000 libel suit against Churchill.

The libel case was not called until October 1942, in the midst of the Second World War. Churchill was now prime minister in Great-Britain. Griffin and his lawyers failed to appear in court. At that time the journalist was under indictment in Washington, D.C., on charges of conspiring to lower the morale of the armed forces of the United States of America3). Because Griffin did not show up, the charges against Churchill were dismissed. In a conversation with the The New York Times Churchill admitted having the 1936 interview, but disavowed the disputed statement (The New York Times, October 22, 1942, p. 13).

PS: Agora, é pouco importante saber se o disse ou não (no primeiro caso seria compreensível que o negasse mais tarde enquanto convencia Roosevelt - eleito tal como Woodrow Wilson com a promessa de não envolvimento) a entrar na guerra que fez do seu "Uncle Joe" (Estaline) um aliado e o verdadeiro vencedor da WWII - como alternativa a Hitler e Estaline terem-se combatido mutuamente até à exaustão e queda de ambos os regimes - o que é importante é que as afirmações são inteiramente válidas.

sexta-feira, 22 de Outubro de 2004

O fim do padrão ouro

Foi um acto voluntário? Não, foi um acto criminoso em massa como só os Estados têm a capacidade de realizar: foi proibida a posse de moedas de ouro, a obrigatoriedade em as depositar nos Bancos, recebendo papel moeda em troca e declarando depois o fim da "convertabilidade" desse mesmo papel moeda.

Todo o ouro da população acabou nos cofres dos Bancos Centrais, que passaram a ser os depositários receptores de um crime de extorsão. Os bancos claro, agradeceram ao sistema politico, poderem deixar de cumprir com a obrigação legal de trocarem os recibos de depósito de moedas de ouro (papel moeda) - imaginem que um armazenista deixa de ter de devolver os bens entregues à sua custódia - e assim, aquilo que chamamos de Bancos Centrais representam umas das entidades mais repulsivas da civilização: receptores do ouro tirado à população por um lado, financiadores do imposto não declarado que são os déficits (por emissão de moeda), capazes de criar (ou tirar fotocópias) em quantidades infinitas (pelo menos num primeiro momento) aquilo que a LEI nos obriga a usar como moeda. Ainda por cima, têm-se divertido nos últimos anos a vender o ouro amealhado ao longo de anos para o trocarem por...mais papéis emitidos por outros Bancos Centrais.

Os Bancos, claro, também agradecem poder conceder crédito por emissão monetária ( e não por captação de poupança) , até porque, quando as coisas ficam feias, os Bancos Centrais correm a "estabilizar o sistema" (tradução: emissão de mais papel para satisfazer o esporádico e irracional medo dos depositantes - esses parvos e ignorantes - que por vezes querem mesmo levantar e ficar na posse dos tais papéis - os únicos que a lei reconhece como moeda).

Em todos os Estados, os acontecimentos seguiram mais ou menos o mesmo padrão, no caso americano foi o muito apreciado Roosevelt (incluindo pela direita estatista) cujo New Deal prolongou desnecessáriamente a recessão e até a piorou significativamente.

Fica aqui a declaração executiva de Roosevelt, 5 abril de 1933:

"Forbidding the Hoarding of Gold Coin, Gold Bullion and Gold Certificates By virtue of the authority vested in me (...)

I, Franklin D. Roosevelt, President of the United States of America, do declare that said national emergency still continues to exist and pursuant to said section to do hereby prohibit the hoarding gold coin, gold bullion, and gold certificates within the continental United States by individuals, partnerships, associations and corporations and hereby prescribe the following regulations for carrying out the purposes of the order:

(...) All persons are hereby required to deliver on or before May 1, 1933, to a Federal Reserve bank or a branch or agency thereof or to any member bank of the Federal Reserve System all gold coin, gold bullion, and gold certificates now owned by them or coming into their ownership on or before April 28, 1933"

Murray Rothbard: in
Taking Money Back

In addition to cancelling the redemption of dollars into gold, Roosevelt in 1933 committed another criminal act: literally confiscating all gold and bullion held by Americans, exchanging them for arbitrarily valued "dollars."

It is curious that, even though the Fed and the government establishment continually proclaim the obsolescence and worthlessness of gold as a monetary metal, the Fed (as well as all other central banks) clings to its gold for dear life. Our confiscated gold is still owned by the Federal Reserve, which keeps it on deposit with the Treasury at Fort Knox and other gold depositaries. Indeed, from 1933 until the 1970s, it continued to be illegal for any Americans to own monetary gold of any kind, whether coin or bullion or even in safe deposit boxes at home or abroad."

Quando falo deste assunto, fico sempre a pensar no significado de LEI. Terá o sistema político ou uma decisão maioritária, a capacidade de transformar um crime em algo honesto? Não, não tem.

quinta-feira, 21 de Outubro de 2004

Monarquias e Liberalismo Clássico

"(...) Freedom was nurtured in Europe under the decentralized monarchies of feudalism, which served as the political basis of decentralized federalism in the US. Unlike our own presidents, who are experts in passing the buck, the monarch tends to take personal responsibility for the fate of his domain.

Upending a personal tyranny is much easier because you know whom to blame and whom to overthrow. The classical-liberal tradition was never hostile to monarchs as such; it was government power they opposed, and where the monarch restrained the state, he won their favor.(...)

Democracy in its purest sense should mean nothing but a peaceful transition of political officeholders. That is the sense in which Ludwig von Mises favored the idea: as an alternative to violent revolution. But democracy, as the system has been applied in this century, has come to mean something else.(...)

Democracy has turned out to be not majority rule but rule by well-organized and well-connected minority groups who steal from the majority. It has also spawned exactly what Woodrow Wilson desired most: autocratic and centrally consolidated government. It is not a coincidence that government has grown as the franchise has been extended: more and more groups have been given the opportunity to help themselves to the liberty and property of others.(...)

Presidents and kings should be feared no less than any government should be feared. But history suggests we often have less to fear from monarchs than we do from democratically elected tyrants or from pillaging multitudes acting in the name of the public interest. "

Why Hate Monarchs? Llewellyn H. Rockwell, Jr.

Impostos não baixam sem baixa da despesa

Mira Amaral: «Desconfiem quando vos dizem que os impostos vão baixar...»

Na abertura do XV Congresso da Ordem dos Engenheiros, esta manhã, Mira Amaral disse que «o nível de despesa pública é um sério problema económico e não apenas um problema orçamental. Enquanto a despesa pública não descer, desconfiem quando vos disserem que os impostos vão baixar...», disse o ex-ministro do PSD."

Nota: E sem a qual a conversa sobre impostos é sempre faliciosa. Por exemplo, dizem que os escalões de IRS vão baixar, mas os rendimentos acima de 22 400 Euros, responsáveis por 80% de toda a colecta, vão passar a pagar mais por causa do fim de beneficios fiscais, o que significa provavelmente passar a pagar mais de 80% de toda a colecta.

O Jogo e ilusão do sistema político (social-democracia centralizada) é subirem uns e baixarem outros (à esquerda e direita, cada um à vez) enquanto em média o total de impostos e despesa pública sobe - razão pela qual, hoje em dia, cerca de 50% de todo o nosso rendimento é coercivamente colectado.

A única forma de existirem cortes significativos dos impostos e despesa é abandonar as ilusões universalistas (prestação de serviços e redistribuição), permitindo um redução drástica de impostos, incluindo o da segurança social:

- que passaria a providenciar reformas e subsidios de desemprego equiparadas ao salário minimo.

E de imediato seriam aumentados os salários líquidos de todos.

quarta-feira, 20 de Outubro de 2004

A Raíz do Tempo

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Top LRCBlog

Um ponto a favor de Kerry:

"Bushies attack Kerry for not having generated major legislation during his 20 years in the Senate--for only enacting trivial things like declarations of world population awareness week.

As if generating legislation is synonomous with producing wealth. If Kerry's done nothing in the Senate except giving Jackie Robinson a posthumous award and naming a federal building or two, that counts in his favor..."

A consistência de Rumsfeld

He says, "From the outset of this conflict, it was clear that our coalition had to go on the offensive against an enemy without country or conscience. "

(...) if the goal is to neutralize or defeat this foe, then why has the administration's approach been to treat terrorism in terms of conventual warfare by invading and occupying sovereign countries? Sure, the Pentagon's legions can kick around a couple of Third World armies. But the better question is, can State defeat non-state? Maybe it's Rummy who doesn't understand the nature of the war on terror.

A primeira pedra

Wendy McElroy has an interesting comment on the O'Reilly sex harassment case. (Aside: as Sean Carter wittily observes, "Yet, as a great man once said, "Let he who is not fantasizing about the hot chick in the marketing department cast the first stone."")

"No Treason" e Lincoln

...One recent blurb criticizes me for writing that the Lincoln administration introduced the "first federal conscription law."

This is wrong, they say. The writer points out that the Confederate government did it first. Interesting: I never knew the Confederate states were a part of the federal government and introduced the first "federal" conscription law!

(Silly me; I thought the Confederates seceded from the federal government. Must be my public school background).

terça-feira, 19 de Outubro de 2004

O Alfarrabio

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The Rules By Which We Live

"(...)Moreover, many, or most, of the "laws" we follow day to day are not enforced by government at all so making similar ones a province of government is really quite pointless. These are the rules that govern our workplaces, the bylaws of our clubs and associations and subdivisions, the standards enforced by the places we shop and the places we eat, etc. Well, as I’ve already noted, these are not even laws proper but rules that any manager of private realms would set down—that of, say, a tennis court or a swimming pool.

Many of the governmental edicts, in any case, are pseudo laws, rules that are annoying mainly because government has accrued to itself the sole, monopolistic authority to impose them on us—e.g., that first class mail must in all cases cost the same no matter where it goes, next door, or 3000 miles away.

Of course many perfectly good "laws"—actually rules—do not come from government. Many of the "laws" we follow are not really laws but rules, say, of the road, of using beaches, of attending schools. The only reason government is involved is that it has usurped its role by taking over these spheres in a rightly ordered universe.

As a result of the proliferation of pseudo laws, all bonafide laws, those that really ought to be obeyed by everyone, tend to lose their credibility. When the legal order treats drug or alcohol prohibition, or affirmative action mandates, along the same lines it treats the prohibition against murder and rape—when it equivocates between these two categories of edicts by calling both of them laws—it is natural for people to begin to see them both as merely conventional, just something those in power happen to wish to prohibit or mandate, not as something that ought to be obeyed.

One virtue of the classical liberal, libertarian idea of law is that it preserves the coherent, even reverent meaning of the concept "law" and does not water it down, thereby weakening its reputation and undermining its binding force"

Tibor R. Machan

Free Bobby Fischer!

Em The Hounding of a Chess Legend, by Richard Wall:

"Well, yes we are. Bobby Fischer was finally ‘nabbed’ in July this year at Tokyo’s Narita airport, as he was boarding a flight for Manila, his 1997–issue US passport (valid till 2007) having earlier been revoked by Uncle Sam, apparently unbeknown to its bewildered holder.

Why does the US government in 2003 cancel a valid passport, if it could quite happily issue that same passport in 1997, when Fischer was presumably no less in violation of the sanctions than he is now? It is hardly cynical to say that this officious measure betrays every sign of deliberate and petty victimisation of an individual citizen. Sign of the times.

So Bobby Fischer, 61, the eccentric and, as Deweyians and psychologists would say, never properly socialized chess champion, is now in detention in Japan. He has been so held since his arrest at the airport, while legal proceedings proceed slowly(...).

The barracuda press, primed with unseemly haste, took vindictive pleasure at his misfortune.

"Fugitive chess king Fischer caught," the Associated Press bulletin of July 16 obscenely exulted, informing us a little further on that "Fischer is wanted in the United States for playing a 1992 chess match in …Yugoslavia, in violation of international sanctions," for which he may face 10 years in jail, a fine of US$250,000 and confiscation of his prize money from the match, estimated at over US$3 million."

Murray N. Rothbard em 1992 tinha escrito:

"Why the unfair and out-of-line hysteria about Bobby? Well, it turns out that Bobby, an independent thinker in other fields than chess, is definitely not Politically Correct. Apparently, even chess players are not allowed to stray beyond the narrow bounds of PC without being severely punished.

Are we going to have to say, metaphorically, and even literally if he is nabbed for "violation of sanctions": Free Bobby Fischer and All Political Prisoners?!"

Boris Spassky, Appeal to President Bush, August 7, 2004

"Bobby is a tragic personality. … He is an honest and good-natured man. Absolutely not social. He is not adaptable to everybody’s standards of life. He has a very high sense of justice and is unwilling to compromise as well as with his own conscience as with surrounding people. He is a person who is doing almost everything against himself.

I would not like to defend or justify Bobby Fischer. He is what he is. I am asking only for one thing. For mercy, charity.

If for some reason it is impossible, I would like to ask you the following: Please correct the mistake of President François Mitterand in 1992. Bobby and myself committed the same crime. Put sanctions against me also. Arrest me. And put me in the same cell with Bobby Fischer. And give us a chess set."

Conservative political theory

- ... recognizes that human reason is a far less powerful tool than shallowly optimistic liberal rationalists would have us believe. Grandiose claims about the ability of experts to predict and control the future are characteristic of liberal intellectual arrogance.

- ...theory has always emphasized that human cultures are by nature immensely complex things, and that each culture has its own organic logic and structure, which will be difficult for outsiders to understand. In particular, conservative thinkers deride the liberal delusion that imposing one culture's laws and institutions on another will automatically transform the latter into something that resembles the former.

- ... thinkers have made particularly devastating criticisms of liberal thought by pointing out the extent to which liberalism has failed to grasp that religious belief and nationalist sentiment remain overwhelmingly powerful forces in human affairs." Orange County Register Editorial

(nota: "Liberalism" aqui usado no sentido americano de "leftism")

domingo, 17 de Outubro de 2004

Vital Moreira e o Capitalismo de Estado

1. Vital Moreira parece ignorar que as barreiras à entrada constituem um dos pilares mais fortes de protecção das grandes empresas e dos seus lucros.

2. "Utilização de um bem público, que só pode ser usado mediante licença pública"

Duvidoso que até isso o seja. Será a terra dos agricultores um bem do domínio público e que deve ser usada mediante licença? Não será a ocupação e uso a forma mais legítima de adquirir um recurso no estado da natureza (como as frequências não usadas o são)? Não existe qualquer razão para que seja uma forma menos que "a mais" legítima no que respeita à ocupação e uso de frequências para produzir um serviço.

3. A qualidade

Conseguirá apontar onde é que a qualidade de uma indústria ou sector possa ser atribuída à restrição de novos concorrentes?

4. O "licenciamento" a quem melhor usa?

Na América no Sul, as terras e outros recursos naturais foram atribuídos a grandes empresários (por exemplo, os "coroneis" no Brasil) e empresas (as americanas por exemplo) porque seriam os mais rápidos e eficazes a usá-los (o que suponho, fará parte da sua definição de interesse público). Pessoalmente sou crítico quando tal acontece - os direitos de propriedade (honestamente constituidos) são sempre para serem respeitados, seja qual for o melhor ou suposto pior uso.

Só assim se poderá criticar consistentemente os abusos praticados no passado e nesse domínio no que respeita a terras de índios (só válido no sentido de propriedade que ocupavam e de onde foram expulsos ou simplesmente impedidos de a controlar) ou quando é a acção de licenciamento do Estado a permitir que uma indústria poluente se estabeleça num determinado local sem que a comunidade local (ou os prejudicados) possa recorrer a tribunais civis - e não ao sistema político - para o impedir, defendendo assim os seus próprios direitos préviamente adquiridos ao bom ambiente na sua propriedade comum.

Conclusão: a defesa do corporativismo e condicionamento industrial sob a égide de uma elite política continua..

Reforma da Segurança Social

Cerca de 33% dos rendimentos de trabalho são cobrados como prestação da segurança social essencialmente para:

1) Reforma (não como poupança mas sim para ser transferido para os actuais reformados)
2) Subsídio de Desemprego (não como poupança mas uma transferência para os actuais desempregados)

Se em ambos os casos, fosse apenas atribuida uma prestação semelhante ao salário mínimo (mantendo, claro, no caso das reformas, e por um cálculo certamente ao alcance de brilhantes economistas, os direitos adquiridos até à data de mudança)...em quanto poderiam de imediato ser aumentados todos os salários líquidos?

Eu arriscaria uns 8%. Valor que seria aumentado todos os anos à medida que direitos adquiridos diminuissem o seu peso no bolo total de reformas.

A reforma da segurança social é apenas isto: diminuir o valor objectivo da prestação da reforma e subsídio de desemprego ao mesmo tempo que se aumenta de imediato ( e de forma crescente) os salários líquidos de todos.

sábado, 16 de Outubro de 2004

The Ethics and Economics of Private Property II

"...Finally, an ethic must not only have permanency and stability with changing circumstances; an ethic must allow one to make a decision about "just or unjust" prior to one's actions, and it must concern something under an actor's control.

Such is the case for the classic private property ethic with its first-use-first-own principle. According to this ethic, to act justly means that a person employs only justly acquired means—means originally appropriated, produced, or contractually acquired from a previous owner—and that he employs them so that no physical damage to others' property results. Every person can determine ex ante whether or not this condition is met, and he has control over whether or not his actions physically damage the property of others.

In distinct contrast, the wealth maximization ethic fails in both regards. No one can determine ex antewhether or not his actions will lead to social wealth maximization. If this can be determined at all, it can only be determined ex post. Nor does anyone have control over whether or not his actions maximize social wealth. Whether or not they do depends on others' actions and evaluations. Again, who in his right mind would subject himself to the judgment of a court that did not let him know in advance how to act justly and how to avoid acting unjustly but that would judge ex post, after the facts?


[4] Note the "natural law" character of the proposed solution to the problem of social order—that private property and its acquisition through acts of original appropriation are not mere conventions but necessary institutions (in accordance with man's nature as a rational animal). A convention serves a purpose, and an alternative to a convention exists. For instance, the Latin alphabet serves the purpose of written communication. It has an alternative, the Cyrillic alphabet. Hence, we call it a convention. What is the purpose of norms? The avoidance of conflict regarding the use of scarce physical things. Conflict-generating norms contradict the very purpose of norms. Yet with regard to the purpose of conflict avoidance, no alternative to private property and original appropriation exists. In the absence of prestabilized harmony among actors, conflict can only be prevented if all goods are always in the private ownership of specific individuals and it is always clear who owns what and who does not. Also, conflicts can only be avoided from the very beginning of mankind if private property is acquired by acts of original appropriation (instead of by mere declarations or words of late-comers)."

The Ethics and Economics of Private Property, by Hans-Hermann Hoppe

Xanel Cinco

Novo link: Xanel Cinco

sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Taki fala da WWI

Germany under the Kaiser was not the monstrous regime it was made out to be by the propagandists of the British empire at the time the war broke out. Wilhelmine society was philosemitic compared to other European countries; had the highest ratio of well-educated citizens anywhere on earth; was the center of the arts, including music and literature; and was in the forefront of scientific and medical discoveries.

Yes, it was a militaristic regime, but so were the other powers of Europe, starting with Britain, France, the Austro-Hungarian empire, and Russia. The reason for the war was Germany’s determination to build a fleet rivaling Britain’s. The bulldog said no; Fritz said why not? The war broke out because of miscalculations by everyone involved.

No one, starting with the Kaiser, ever imagined that it would end in such slaughter. Home by Christmas was the cry in both camps. And no, Belgian babies were not killed by crushing their brains against trees, there were very few atrocities against unarmed civilians, and both sides behaved well where POWs were concerned. If America had not intervened in 1917, the Germans would have won, however Pyrrhic a victory. Both sides were totally exhausted, but the German army was outside Paris and in better shape than the Allies.

Enter goody-goody Woodrow Wilson, a criminal as far as I’m concerned, and the man who started the rot of overseas intervention and nation-building. Just imagine how hunky-dory it would have been if Uncle Sam had minded his own business and Germany had won. For starters, there would have been no occupation. Germany would have demanded reparations and settled for a larger part in Southwest Africa. There would not have been a Weimar Republic, nor the hyperinflation that radicalized all of Germany towards the extreme Right and Left.

Hitler would have remained an obscure artist and a beer-hall bore. The Jews would have remained loyal German citizens, well off and respected, if not actually loved. No concentration camps. No Holocaust. My cousin the tsar would have been spared and would have become a reigning rather than a ruling monarch. There would have been no Communist takeover, and as a result 60 to 100 million lives and untold suffering would have been spared. Mao would not have murdered tens of millions, and World War II would have been a figment of Norman Podhoretz’s imagination. Still, it’s all wishful thinking and nothing to do with history.

John Edwards, o Abjecto

Mais um interessante texto de FCG recebido por e-mail, desta vez sobre John Edwards, o candidato a vice-presidente escolhido por John Kerry:

John Edwards, o Abjecto

Vale a pena ler este artigo de Krauthammer.

Tem-se discutido muito (talvez demais) a personalidade, história política e capacidade para o exercício da presidência de John Kerry. Mas pouco se sabe (refiro-me ao espaço de debate público nacional) sobre John Edwards. Alguns elementos recentes sugerem que o candidato a vice-presidente é consideravelmente pior do que Kerry, em quase todos os aspectos relevantes. A questão não é secundária, longe vão os tempos em que o vice-presidente era politicamente irrelevante.

Edwards é um "trial lawyer", um daqueles "dirty jobs that nobody had to do" e isso não é bom. Como referia há uns dias George Will em crónica no Washington Post, os "trial lawyers" são uma autêntica praga que se abateu sobre a actividade económica independente nos EUA. Desde que surgiram os pequenos empresários vivem sob a ameaça de estarem apenas à distância de um processo da ruína.

Mas o verdadeiro problema é o total despudor político do candidato democrata à vice-presidência: as declarações que Charles Krauthammer comenta nesta crónica repetidas em múltiplas variantes e situações por John Edwards são intoleráveis.

Se as mentiras do costume não produzem os efeitos políticos desejados, o que deve um demagogo fazer? Inventar novas mentiras. Foi precisamente o que Edwards fez e achou, na sua enorme modéstia, que o papel de "Cristo para o séc. XXI" lhe assentava que nem uma luva. Vai daí desatou a prometer autênticos milagres contra uma modesta contribuição "de fé" (o votozinho). Aos paralíticos a locomoção, às vítimas de Alzheimer, nada menos do que a vida. A todos os outros a felicidade na eterna abundância.

Tudo devidamente embrulhado na famosa "teoria da conspiração" que não é mais do que a luta de classes redesenhada — a classe dominante é agora difusa, são os "interesses", o que se esconde por detrás de tudo o que é mau e ameaçador. Nos EUA tal como em Portugal, a "conspiração" é a arma de desagregação social favorita da esquerda pós-marxista.

Se os paralíticos não andam, se os cegos não vêem, se os que sofrem de doenças mentais degenerativas estão condenados a um fim de vida indigno, alguém tem de ser o culpado. Quem? G. W. Bush, claro, o neo-Diabo, ele e a sinistra rede de "interesses" a que está "ligado" (a "ligação" está por certo disfarçada algures por baixo do fato). O presidente americano nega-se, certamente por maldade, a espalhar uma generosa dose do unguento milagreiro dos liberais: dinheiro público (por uma motivo inexplicável o mesmo dinheiro se for privado é totalmente ineficaz).

Não me incomoda que Edwards ocupe os seus dias de campanha a tentar convencer o eleitorado americano do "costume", que tem solução para tudo e que a solução é só uma: mais despesa pública. O que é verdadeiramente intolerável é a absoluta imoralidade da instrumentalização do sofrimento que não se sabe como aliviar. Que, a troco da modesta contribuição do voto do eleitor se prometa a eliminação da miséria humana e se garanta o "milagre pagão" do conhecimento ilimitado.

Será possível que em 2004 se ganhem eleições nos EUA com truques de feira feitos por vigaristas com sotaque saloio?

FCG

Justiça Social

Olhando para a Cobrança de IRS por Escalão de Rendimento em 2000 verificamos que (fonte Jornal de Negocios citando a Fonte DGEP - Anexo Estatístico da Economia Portuguesa):

A) Cerca de 80% de toda a colecta de IRS foi paga pelos rendimentos anuais superiores a 22 500 Euros por anos.

B) Cerca de 66% de toda a colecta de IRS foi paga pelos rendimentos anuais superiores a 30 000 Euros.

C) Os rendimentos até 10 000 Euros foram responsáveis por 2,8% de toda a colecta.

D) Os rendimentos até 19 000 Euros foram responsáveis por 16% de toda a colecta.

Gostava de ter os números relativos à percentagem da população a que A/B/C/D correspondem, mas não tenho.

Agora, exactamente quanto menos devem pagar os menores rendimentos (os 2,8% ou 16% mencionados em C) e D)) de toda a colecta de IRS para termos "Justiça Social"? Aquilo a que chamam benefícios fiscais não é apenas fazer com que os que pagam já muito mais, passem a pagar um pouco menos mais?

quarta-feira, 13 de Outubro de 2004

Nobel III

The AP reports today that when asked about the Bush tax cuts, this year's co-winner of the Nobel Prize in economics, Edward Prescott, said: "Tax rates were not cut enough."Finally, a well-deserving Nobel laureate. Via LRCblog

terça-feira, 12 de Outubro de 2004

Nobel II

Lendo:

"Kydland and Prescott (1990) cite Haberler for “an extensive overview” of alternative views of business cycles but also ignore the Austrians. Rather, they present the cycle in light of established neoclassical growth theory. “The study of business cycles,” they write, “flourished from the 1920s through the 1940s” but “ceased to be an active area of economicresearch” in the 1950s and 1960s. “Now, once again, the study of business cycles, in the form of recurrent fluctuations, is alive. At theleading research centers, economists are again concerned with the question of why, in market economies, aggregate output and employment undergo repeated fluctuations about trend."

Craver (1986) and Salerno (1999) identifiy Haberler with the Austrian school. Haberler studied under Wieser and von Mises at the Univ. of Vienna, where he earned doctorates in law and economics."

Em THE AUSTRIAN SCHOOL IN THE REVIEWS OF THE FEDERAL RESERVE SYSTEM
By: Greg Kaza

E assim deparo-me com a pergunta que tanto intriga estes economistas: "why, in market economies, aggregate output and employment undergo repeated fluctuations about trend."

Mas o problema tem de ser reformulado da seguinte forma (sem uma correcta definição do problema não existe solução):

"Porque

...num sistema económico em que o Estado obrigou (depois de roubar as moedas de ouro detidas pela população depositadas nos bancos e que passaram para a posse dos Bancos Centrais) ao uso de papel moeda sem qualquer valor real (e para o qual teve de proibir o uso de qualquer outra alternativa) e onde existe uma entidade pública com a capacidade de criar toda a moeda que queira e que permite que o sistema bancário conceda crédito pela emissão dessa mesma moeda (sistema de reservas) e não pela intermediação entre poupança e investimento...e onde a taxa de juro do crédito concedido para constituir essas reservas é decidido por burocratas nomeados pelos governos...e onde o activo é constituido por dívida pública comprada por emissão de moeda...

existem Ciclos Económicos?"

Realmente...porque será?

Fritz Machlup (1976) (cited in Garrison) sums up the difference in outlook: "Monetary factors cause the cycle but real phenomena constitute it."

Conclusão: quem quer ser credível deve estudar as consequências e apresentá-las como causas. Mais difícil parece ser dar-se ao trabalho de ler o que está escrito nos últimos 100 anos pela Escola Austriaca.

Elba Everywhere

Novo link: Elba Everywhere

Re: Sobre o Nobel

Meu caro AAA

Se quisesse ser levado a sério não escrevia na Causa Liberal. Dedicava-me a convencer-me a mim e aos outros que os Bancos Centrais são independentes e que um dia vão conseguir contrariar os Ciclos Económicos que provocam.

PS: um dia vão mesmo conseguir - quando desaparecerem.

segunda-feira, 11 de Outubro de 2004

Prémio Nobel da Economia

"STOCKHOLM (Reuters) - Finn Kydland of Norway and Edward Prescott of the United States won the Nobel economics prize Monday for research that laid the groundwork for more independent central banks and explained business cycles. (...)

"We have seen a move toward more independent central banks with various forms of inflation targets. This reform movement we think is a direct implication of the kind of research in Kydland and Prescott's first article," said Professor Torsten Persson, chairman of the prize committee.

In 1982 they created a model showing that supply-side shocks -- such as technological advances -- are a driving force behind the business cycle rather than variations in demand alone. "

Conclusão: alguém ganha o prémio nobel por não conseguir explicar o que está explicado por Mises desde 1912 com Theory of Money and Credit, The ou em On the Manipulation of Money and Credit, e ainda por cima fazem crer (coisa de que os banqueiros centrais precisam...pessoas que façam os outros acreditar que presidem a um sistema que funciona) que estão quase a chegar a um modelo - "O" modelo" - que tudo explica e prevê, altura em que suponho vão passar o sistema para "navegação automática".

A independência dos Bancos Centrais pode ser verificada nos seus balanços: do lado do passivo estão as notas emitidas necessárias para financiar a compra de ... dívida pública.

Reflexão dominical

Publica-se de seguida uma interessante reflexão dominical de FCG recebida ontem por e-mail:

HOJE
10 de Outubro de 2004

Hoje é o primeiro Domingo sem as “Conversas em Família” com o Prof. Marcelo. Coitado. O Senhor Presidente do Conselho mandou cancelar o programa de que gerações sucessivas de portugueses aprenderam a gostar. Ao princípio estavam recalcitrantes, deixavam o aparelho ligado e iam à sua vida — ninguém se atrevia a desligar antes de passar o hino da RTP, sobre o fundo cinzento do transmissor de Monsanto, a encerrar a emissão – nunca se sabe quem poderá dar fé e relatar a “ocorrência”.

Nos últimos anos os portugueses afeiçoaram-se aos serões com o Prof. Marcelo e parece que mais de um milhão de eleitores via o Senhor Professor, atentava no que ele dizia e formava assim a sua consciência cívica. Mas o Senhor Professor não está no governo. Nem na oposição. E agora não está em lado algum. O Senhor Presidente do Conselho estava incomodado porque o Senhor Professor não era contraditado, coisa nunca vista nem ouvida por essa Europa fora.

O Senhor Presidente do Conselho quis tratar do assunto de forma sigilosa, por isso mandou um moço de recados fazer uns telefonemas. Discretos, se faz favor. Não fez — o favor. O raio do subalterno encheu-se de ares senhoriais, soprou a vela da soberania — Ministro que é, pois então — e desatou numa pesporrência galinácea, com cacarejos de contraditório e sei lá quantas mais figuras processuais.

O media-capitalista subsidiário da administração da PT enervou-se, pediu calma ao Professor, que os negócios são “coisa séria”; o Professor enervou-se ainda mais e para não suster a respiração até que lhe dessem a sua liberdadezinha de volta... calou-se. Está num silêncio cristão tão profundo que não se descosia sobre o “assunto da pressão” nem que Cristo descesse à Terra.

A sociedade portuguesa, liberdadeira como só ela, enfureceu-se. O presidente do Observatório disto & daquilo declarou ser este caso “o maior atentado contra a liberdade desde o 25-do-4-de-74”. Saneamentos, partidos ilegalizados ou ameaçados, atentados terroristas, sugestões de fuzilamentos à la carte no Campo Pequeno, não pesam mais que a leveza das coisas idas na balança do contraditório do Sr. Joaquim Vieira. Isto é hoje, isto é connosco e isto é grave.

O Panopticon da Soeiro Pereira Gomes exalou um suspiro de “preocupação profunda” com a liberdade do Senhor Professor. Se o Dr. Cunhal tivesse levado a dele Avante nada disto acontecia. E é verdade. Que o actual líder comunista esteja demissionário de todos os cargos políticos e partidários que presentemente ocupa não nos deve distrair do “atentado”. O partido funciona dentro da normalidade democrática e brevemente uma nova borboleta marxista eclodirá de uma das crisálidas gerontocráticas armazenadas no Comité Central.

O Dr. Miguel Sousa Tavares gritou “finis pátria!” pela vigésima sétima vez este mês e retirou-se para o Alentejo, onde lê Jack London enquanto pensa se vai ou não tomar uma decisão e, caso tome uma decisão, que decisão será. É de homens directos e resolutos — como o Dr. Tavares — que a nação precisa.

Por entre os anões, os palhaços e os caniches com saias de tule cor de rosa destacou-se o Dr. Alberto João Jardim. Avançou para o centro da tenda de circo e declarou que “Portugal é um pais esquisito”.

Pois é.

FCG

The Ethics and Economics of Private Property

O artigo mais recente de Hans-Hermann Hoppe (e uma oportunidade para os seus críticos):

"(...)First, private property is more productive...Secondly, private property prevents conflict and promotes peace...Further, private property has existed always and everywhere, whereas nowhere have communist utopias sprung up spontaneously. Finally, private property promotes the virtues of benevolence and generosity. It allows one to be so with friends in need.

Roman law, from the Twelve Tables to the Theodosian Code and the Justinian Corpus, recognized the right of private property as near absolute. Property stemmed from unchallenged possession, prior usage established easements, a property owner could do with his property as he saw fit, and freedom of contract was acknowledged. As well, Roman law distinguished importantly between ‘national’ (Roman) law – ius civile – and ‘international’ law – ius gentium.

The Christian contribution to this classic tradition – embodied in St. Thomas Aquinas and the late Spanish Scholastics as well as Protestants Hugo Grotius and John Locke – is twofold. Both Greece and Rome were slave-holding civilizations. Aristotle, characteristically, considered slavery a natural institution. In contrast, Western – Christian – civilization, not withstanding some exceptions, has been essentially a society of free men. Correspondingly, for Aquinas as for Locke, every person had a proprietary right over himself (self-ownership). Moreover, Aristotle, and classic civilization generally, were disdainful of labor, trade, and moneymaking. In contrast, in accordance with the Old Testament, the Church extolled the virtues of labor and work. Correspondingly, for Aquinas as for Locke, it was by work, use, and cultivation of previously unused land that property first came into existence.

This classic theory of private property, based on self-ownership, original appropriation (homesteading), and contract (title transfer), continued to find prominent proponents, such as J. B. Say. However, from the height of its influence in the eighteenth century until quite recently, with the advance of the Rothbardian movement, the classic theory had slipped into oblivion.

For two centuries, economics and ethics (political philosophy) had diverged from their common origin in natural law doctrine into seemingly unrelated intellectual endeavors. Economics was a value-free "positive" science. It asked "what means are appropriate to bring about a given (assumed) end?" Ethics was a "normative" science (if it was a science at all). It asked "what ends (and what use of means) is one justified to choose?" As a result of this separation, the concept of property increasingly disappeared from both disciplines. For economists, property sounded too normative; for political philosophers property smacked of mundane economics.

In contrast, Rothbard noted, such elementary economic terms as direct and indirect exchange, markets and market prices as well as aggression, crime, tort, and fraud cannot be defined or understood without a theory of property. Nor is it possible to establish the familiar economic theorems relating to these phenomena without the implied notion of property and property rights. A definition and theory of property must precede the definition and establishment of all other economic terms and theorems.

Rothbard's unique contribution, from the early 1960s until his death in 1995, was the rediscovery of property and property rights as the common foundation of both economics and political philosophy, and the systematic reconstruction and conceptual integration of modern, marginalist economics and natural-law political philosophy into a unified moral science: libertarianism. "

sábado, 9 de Outubro de 2004

Poupança versus Ilusões

Sindicalistas apoiam um sistema de pensões de reforma como poupança privada:

!Greve na Caixa Contra Transferência do Fundo de Pensões

O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral dos Depósitos (STEC) marcou ontem uma greve para dia 29 contra a transferência do Fundo de Pensões da CGD para a Caixa Geral de Aposentações. Em causa está a possibilidade de o Governo transferir aquele fundo de 2,5 mil milhões de euros referente às reformas dos trabalhadores da CGD para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), para garantir o défice público abaixo dos 3,0 por cento, conforme admitiu o ministro das Finanças. "

Aqui está uma greve que se justifica. o Fundo de Pensões é um veículo de poupança real (e não fictícia como o Regime Geral ou a CGA). Seja qual for a formulação jurídica que a suporta, o que se pode afirmar é que os trabalhadores neste caso, realmente acumularam poupança sob a forma de investimentos reais e são "donos" desses investimentos (se bem que podemos divagar sobre a parte do o investimento em Divida Pública o será mesmo e não apenas mais uma ilusão...).

Em substância, aquilo a que se chama "integração" é um acto de extorsão no mais puro exercício de poder arbitrário e desprovido de qualquer sentido de "Lei" (mas claro, se o Estado tem o monopólio da "Lei" e controla a sua aplicação, todas as suas acções são "Legais" e no fundo, "somos nós que o fazemos a nós próprios").

A Segurança Social no que respeita às reformas é baseada no mito, falácia e até o logro, que essas reformas estão garantidas, que de alguma forma estão poupadas-investidas. Não.

A Segurança Social baseia-se no inexistente "contrato inter-geracional" (como se alguém que ainda não nasceu pudesse assumir qualquer capacidade contratual) ou ilusão que daqui a 25 anos, os contribuintes (se ainda existir o sistema social-democrata em que vivemos e o frágil sistema monetário compulsório em que está assente) vão querer suportar as nossas reformas - o que manifestamente ninguém pode garantir.

Depois, a evolução demográfica (vida média alargada e menor percentagem de trabalhadores activos) está a tornar o sistema sem conserto possível. Quando seria natural que as gerações mais velhas, através da família ajudassem as gerações mais novas (financiamento da educação, a primeira casa - comprada ou alugada, etc), são os mais novos que têm de suportar através dos impostos a geração mais velha.

O futuro dirá que preço a civilização pagará por tais ilusões e afastamento da ordem natural das coisas.

Democracia, governo Mundial e livre imigração

Pessoas como Mario Soares são bem honestas ao prever a "necessidade " de um governo mundial. Rothbard demonstra abaixo que um democrata consistente tem de advogar um governo mundial porque se num Estado X a vontade da maioria pode governar então uma maioria Y (maior que X) fora desse país X tem direito a governar também o Estado X. Basicamente, se fossem impostas eleições no planeta para eleger um governo mundial (quem sabe por soldados da paz de uma organização interplanetária que vem "combater" o estado de anarquia planetário: a ausência de um governo eleito, uma lei, uma polícia, etc), que argumento têm os democratas portugueses (e já agora os neocons americanos) para se oporem --a tal governo? E na verdade, a livre imigração e multiculturalismo imposto e não voluntário favorece essa visão: para quê países e que legitimidade têm N maiorias - o que interessa é "A" maioiria!

Quem se quiser opor a tal visão só tem uma via: defender que a propriedade confere um direito que não é "assimilável" ou "diluida" por nenhum maioria que a transcende. Os Estados-Nação pese embora a imposição do seu monopólo da força (e definição de lei) num determinado território, são o único agente (embora não contratado) disponível para excluir terceiros ou definir regras de adesão da propriedade "comum" de um Estado-Nação. E em nenhum conceito de propriedade que se possa pensar, um "outsider" tem o direito a entrar e circular sem que quaisquer restrições lhe possam ser impostas e ainda menos ganhar o direito a participar e "votar" sobre o "auto-governo" existente nessa propriedade só porque entrou nela.

"Moreover, the very division of the earth’s surface into countries is itself arbitrary.

If a government covers a certain geographical area, does “democracy” mean that a majority group in a certain district should be permitted to secede and form its own government, or to join another country? Does democracy mean majority rule over a larger, or over a smaller, area? In short, which majority should prevail?

The very concept of a national democracy is, in fact, self-contradictory. For if someone contends that the majority in Country X should govern that country, then it could be argued with equal validity that the majority of a certain district within Country X should be allowed to govern itself and secede from the larger country, and this subdividing process can logically proceed down to the village block, the apartment house, and, finally, each individual, thus marking the end of all democratic government through reduction to individual self-government.

But if such a right of secession is denied, then the national democrat must concede that the more numerous population of other countries should have a right to outvote his country; and so he must proceed upwards to a world government run by a world majority rule.

In short, the democrat who favors national government is self-contradictory; he must favor a world government or none at all."

sexta-feira, 8 de Outubro de 2004

SWITZERLAND, A MODEL FOR AMERICA

chroniclesmagazine.org

Switzerland has the toughest naturalization rules in Europe. If you want to become Swiss you must live in the country legally for at least 12 years—and pay taxes, and have no criminal record—before you can apply for citizenship. (...) All this is intolerable to the country’s enlightened bien-pensants who run the federal government in Berne. They want citizenship applications to be processed centrally, "along national guidelines," taking the decision out of the hands of local communities. They insist that resident aliens, a fifth of the country’s 7.5 million people, need to be "fully integrated" and that the natives must accept the "reality" of multiculturalism.
(...)
The result of the Swiss referendum should regale the heart of every true conservative for three reasons.It is, first of all, a victory for local democratic institutions of very long standing over the tendency of state bureaucracy to centralize all power. Except for a few years of centralized government of the "Helvetic Republic" during Napoleon’s occupation, Switzerland has been a confederation of local communities as established in the Pact of 1291, with most responsibility for public affairs in the hands of the local authorities and its 20 cantons and 6 half-cantons. In other words, Switzerland is still today what the United States had been before 1861. It is a little-known fact that the Swiss Constitution of 1848 was modeled on the U.S. constitution of 1787. Its adoption was preceded by a brief civil war between Protestant liberals seeking a centralized national state and Catholic conservatives clinging on to the old order. The decentralizing Catholics won, and adopted the American constitutional model as the one best suited to their country’s traditions. The Swiss have preserved that model ever since, while America has moved on.

(...)
Last but by no means least the Swiss result is encouraging because at least one civilized country in the world will continue to uphold the right of local communities to decide who will qualify for naturalization. Unique in today’s Western world, this healthy sense of Swiss citizenship reminds us of the Greek polis. It reflects an underlying assumption of kinship among citizens that cannot be fulfilled by mere residence and observance of the rules. Naturalization in Athens was possible but difficult; it was a rare privilege and anything but a right. Likewise in today’s Switzerland if you want to belong, but do not belong by blood, you have to prove a high degree of cultural and civilizational kinship with the host-society. Like in Athens, in today’s Switzerland citizenship includes the right and duty to fulfill certain functions, among which military service is very important. It is remarkable that to this day every Swiss male over 18 must be prepared to serve in the country’s citizen-army; after completing their basic training they keep their weapons at home, and refusal to perform military service is a criminal offence. The thought must have crossed the mind of a few Swiss reservists that all too many aspiring foreigners could never be trusted with those weapons. The Swiss understand, even when they do not know, that the collective striving embodied in "We the People" makes no sense unless there is a definable "people" to support it. They sense that many immigrants have no kinship with the striving and no connection to the "people

quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

A Vila

Uma fábula sobre ...os condomínios privados...as comunidades cristãs...a propriedade como soberania...ser livre...

terça-feira, 5 de Outubro de 2004

Burocratas

O problema não são as políticas, não são é afectados suficientes recursos públicos.

Paul Bremer, the former civilian administrator in Iraq, says the U.S. "paid a big price" for not having enough troops to battle "horrid" looting in Baghdad after Saddam Hussein's overthrow. "We never had enough troops on the ground," Bremer said: Still, Bremer added, ousting Saddam was "the right thing to do."

A propósito:

CIA: No Evidence of Saddam Link to Terrorists
Rumsfeld: No 'Hard Evidence' of Iraq-al-Qaeda Tie

Quanto às críticas habituais do anti-bushismo militante: o problema não são as supostas más intenções (domínio, o petróleo, etc) - são conhecidos os intelectuais que mais fizeram força para a intervenção no Iraque e os seus sonhos de revolução democrática ao estilo das suas raízes internacionalistas da esquerda de outros tempos e ainda em Wilson e Roosevelt.

O problema é acreditar em derivas de revoluções sociais e na capacidade do Estado as implementar como um enorme programa de engenharia social. Isso e cair no erro do terrorismo: que existe violência e "destruição criativa "capaz de gerar algum bem, ainda por cima decididos pelo julgamentos de elites políticas/burocratas que têm sempre a maior probabilidade de falhar do que acertar

A paz e o comércio livre são os maiores geradores de ordem e cooperação voluntária e ainda os elementos de mudança social tranquila por excelência. Quem é tiranizado é quem tem a responsabilidade de julgar o uso da violência como necessário. Os outros, metam-se na sua vida e liderem pelo exemplo. É isso que um dia a América já foi.

segunda-feira, 4 de Outubro de 2004

Somos nós que o fazemos a nós próprios

Luís Salgado de Matos no Público

"A República e as Finanças: Lemos no Público de quarta-feira passada: «A ideia do (Ministro das Finanças) é 'abrandar' as regras do sigilo bancário e tornar públicas as declarações de rendimentos dos contribuintes». Esta publicitação daria a Portugal um regime único no mundo.

Parece que qualquer cidadão passará a ter o direito de estudar a declaração de IRS do leitor. A proposta, que será apreciada pelo Conselho de Ministros, tem o louvável objectivo de diminuir a fraude fiscal. A proposta é boa?

Em muitos países não há sigilo fiscal para a Administração Pública ou para instrutores de processo penal: obtêm a informação fiscal relevante sem autorização de um juiz de direito. Mas essa informação fica em sigilo e só pode ser publicitada para efeitos de acusação em processo administrativo ou penal.

Em nenhum país, porém, o fim do sigilo fiscal significou a publicidade das declarações do imposto pessoal de rendimento/...)"

Comentários:

Imaginem uma empresa a comunicar aos seus clientes que: vamos tornar públicos os vossos/nossos extractos de facturação.

A origem de todos os problemas é que os indivíduos reagem naturalmente à cobrança coerciva de mais de 50% dos seus rendimentos. Podem dizer que essa cobrança somos nós que a decidimos fazer a "nós próprios" e que tudo o que for necessário para a sua efectiva cobrança, fomos "nós" que o decidimos.

Mesmo que tal raciocínio tivesse algum fundo de razão, teríamos de lembrar da máquina de discriminação em que a social-democracia se tornou, porque, não só os impostos são cobrados proporcionalmente aos rendimentos e despesa efectuada como a progressividade e outros mecanismos (como os plafonds máximos do subsídio de desemprego, por exemplo) tornam possível que a maioria perpetue a transferência de rendimento a seu próprio favor - e nessa descriminação incluimos não só em abstracto e como figuração do argumento - os 51% de população que impõe a redistribuição aos restantes 49%, mas também toda a classe de pessoas que não paga impostos e sim vive exclusivamente deles e reflecte o seu interesse por via democrática e tudo fazendo para que o sistema político à esquerda e direita proteja o seu Status Quo- os funcionários públicos.

Sobre o que fazemos a "nós próprios":

"The State is almost universally considered an institution of social service. Some theorists venerate the State as the apotheosis of society; others regard it as an amiable, though often inefficient, organization for achieving social ends; but almost all regard it as a necessary means for achieving the goals of mankind, a means to be ranged against the "private sector" and often winning in this competition of resources.

With the rise of democracy, the identification of the State with society has been redoubled, until it is common to hear sentiments expressed which violate virtually every tenet of reason and common sense such as, "we are the government."

The useful collective term "we" has enabled an ideological camouflage to be thrown over the reality of political life. If "we are the government," then anything a government does to an individual is not only just and untyrannical but also "voluntary" on the part of the individual concerned.

If the government has incurred a huge public debt which must be paid by taxing one group for the benefit of another, this reality of burden is obscured by saying that "we owe it to ourselves"; if the government conscripts a man, or throws him into jail for dissident opinion, then he is "doing it to himself" and, therefore, nothing untoward has occurred.

Under this reasoning, any Jews murdered by the Nazi government were not murdered; instead, they must have "committed suicide," since they were the government (which was democratically chosen), and, therefore, anything the government did to them was voluntary on their part. One would not think it necessary to belabor this point, and yet the overwhelming bulk of the people hold this fallacy to a greater or lesser degree.

We must, therefore, emphasize that "we" are not the government; the government is not "us." The government does not in any accurate sense "represent" the majority of the people.
[1]

[1] We cannot, in this chapter, develop the many problems and fallacies of "democracy." Suffice it to say here that an individual's true agent or "representative" is always subject to that individual's orders, can be dismissed at any time and cannot act contrary to the interests or wishes of his principal. Clearly, the "representative" in a democracy can never fulfill such agency functions, the only ones consonant with a libertarian society.

Social democrats often retort that democracy—majority choice of rulers—logically implies that the majority must leave certain freedoms to the minority, for the minority might one day become the majority. Apart from other flaws, this argument obviously does not hold where the minority cannot become the majority, for example, when the minority is of a different racial or ethnic group from the majority.

Joseph A. Schumpeter, Capitalism, Socialism, and Democracy (New York: Harper and Bros., 1942), p. 198. :

The friction or antagonism between the private and the public sphere was intensified from the first by the fact that . . . the State has been living on a revenue which was being produced in the private sphere for private purposes and had to be deflected from these purposes by political force. The theory which construes taxes on the analogy of club dues or of the purchase of the service of, say, a doctor only proves how far removed this part of the social sciences is from scientific habits of mind."

Em
THE ANATOMY OF THE STATE, Murray N. Rothbard

domingo, 3 de Outubro de 2004

Ecos do Passado: Rasputine

No dia da beatificação do último Imperador Austro-Húngaro descubro esta notícia que a ser verdade adiciona mais uma pedra à tragédia de erros que foi a Grande Guerra. Sabemos que Rasputine era meio louco (e disso todos temos um pouco) mas nos dois dias que antecederam a declaração de Guerra da Rússia à Aústria por causa da Sérvia, Rasputine teve incapacitado com uma doença súbita que o impediu de levar a sua oposição e visões de caos se esta declaração fosse para a frente (fim e perseguição da monarquia, milhões de mortos, etc).

Agora, ficamos a saber que talvez não só o Imperador Austriaco que se moveu para tentar uma paz aceitável (como em todos tratados de paz ocorridos entre as monarquias europeias - nem sequer a culpa de Napoleão pôs em causa a soberania da Nação Francesa) contou com a oposição do progressivismo de Wilson, mas ainda antes, talvez Russos e Alemães pudessem ter chegado a acordo antes. E se assim tivesse chegado, talvez os Alemães não tivessem enviado Lenin para a Rússia como quem envia uma praga e nem o regime do Czar nem todas as monarquias que desapareceram no caos da paz de Versailles tivessem perecido.

British spy 'fired the shot that finished off Rasputin'

"Rasputin, the Russian monk who became the confidant of Alexandra, the Tsarina, and her husband, Tsar Nicholas II, was killed by a British agent, according to a documentary to be broadcast next month.
An investigation into his death in 1916 has concluded that he was murdered not as had been supposed by disaffected Russian aristocrats but by Oswald Rayner, a member of the Secret Intelligence Bureau who was working at the Russian court in St Petersburg.


Rasputin claimed to have "mystical powers", which gained him the confidences of first the Tsarina, Alexandra - who thought that he could cure her haemophiliac son - and Tsar Nicholas. But he was highly unpopular among courtiers and his killers evaded trial, publishing memoirs that described the murder in detail.
Now it is claimed that the SIB wanted to kill Rasputin, who was hoping to broker peace between Russia and Germany, because of his influence over the Tsar. The fear, according to Mr Cullen, was that if such a deal had been agreed in 1916, 350,000 German troops would have been freed to fight the Allies on the Western Front."


Destaques II

1. No comment

"In 2002, at a crucial juncture on the path to war, senior members of the Bush administration gave a series of speeches and interviews in which they asserted that Saddam Hussein was rebuilding his nuclear weapons program. Speaking to a group of Wyoming Republicans in September, Vice President Dick Cheney said the United States now had "irrefutable evidence" - thousands of tubes made of high-strength aluminum, tubes that the Bush administration said were destined for clandestine Iraqi uranium centrifuges, before some were seized at the behest of the United States.(...)

Today, 18 months after the invasion of Iraq, investigators there have found no evidence of hidden centrifuges or a revived nuclear weapons program. The absence of unconventional weapons in Iraq is now widely seen as evidence of a profound intelligence failure, of an intelligence community blinded by "group think," false assumptions and unreliable human sources."

2. Agora que o Muro parece estar a dar resultados mas a politica de 3 olhos por cada olho continua seria trágico que...

"Guerra civil?

Em Israel, discute-se o risco de guerra civil. Colonos e extrema-direita apelam à desobediência do exército e à resistência armada. O plano de Gaza é um negócio leonino para Israel. Tem o apoio de 70 por cento da população. Mas para a direita anexionista é o princípio do fim da colonização e do Grande Israel.

Não estão apenas em causa os rabis fanáticos que ameaçam Sharon. Respeitáveis intelectuais de direita lançaram um manifesto em que declaram: "A evacuação de aldeias judaicas [colonatos] na terra de Israel é uma limpeza étnica, um crime contra a humanidade, um crime contra a nação e um acto ilegal. Os oficiais a quem seja ordenado procederem à limpeza étnica devem ouvir a sua consciência e recusar colaborar em tais actos." A seguir, um grupo de influentes rabis, até agora considerados liberais, justifica o "assassínio preventivo" de palestinianos, civis ou militares.

O "Jerusalem Report" adverte que há milhares de colonos armados e que cerca de 30 por cento do corpo de oficiais e dos soldados do exército de terra estão ligados a grupos nacionalistas religiosos ou provêm de colonatos. Que farão? "

3. Regulamentação

"O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, está preocupado com o sucesso escolar dos alunos que chegam ao ensino superior e considera que um dos factores que contribuem para o insucesso é a existência de uma "pressão" da indústria nocturna sobre os estudantes (...) o reitor defende que o poder político deve intervir na regulamentação desses espaços de diversão, de modo a que os estudantes não os frequentem tão intensamente. "

O caso do licenciamento de lugares nocturnos é um dos assuntos onde simples bom senso recomendaria um papel alargado às Juntas de Freguesia. Devem ser estas, por mecanismos de consulta aos proprietários e residentes, e não o Estado e nem sequer os municípios (a não ser que estes próprios adoptem processos em que as JF tenham o devido papel) a determinar se e como são tolerados determinados tipo de actividades.

Será correcto que aquilo que é uma zona tranquila possa transformar-se numa típica zona nocturna, sem que os habitantes nada possam fazer?

Existem duas acções potencialmente erradas por parte do sistema político neste tipo de problemas:

1) A imposição activa ou por passividade de um conceito de total "liberdade" (imposição) da presença de todo e qualquer tipo de actividade sem qualquer tipo de direito de regulamentação local pelos interessados (os proprietários e residentes).

2) A actuação legislativa restritiva imposta centralmente.

De assinalar:

1. No Expresso: um bom artigo de João Carlos Espada contra a falta de liberdade de ensino em Portugal.

2. Na Maximen, João Pereira Coutinho fala acertadamente como em parte, as políticas externas e internas de Bush não podem ser classificadas de conservadoras tradicionais (só não percebi se JPC se rogozija por tal) e depois fala da futilidade da guerra à droga.

3. A Beatificação da Carlos I na Madeira. O último dos Imperadores da monarquia Austro-Húngara que ao desaparecer nas cinzas da trágica e fútil Grande Guerra, assinalou o fim do equilíbrio contra a Prússia na Europa central com as consequências que conhecemos. Uma Guerra que começou alegadamente pelo combate ao terrorismo Sérvio, destruiu a Europa, marcou o fim do Liberalismo Clássico, o início das Repúblicas de excesso ideológico de esquerda e direita, adiou umas décadas o fim do Império e (Pax) Britânico (entretanto aumentado e definitivamente sem rival) substituído pela Pax da Guerra Fria. Em tempos, o Império Sacro Romano (que mais tarde liderou a Contra-Reforma) foi constituído por cerca de 1600 pequenas entidades políticas (principados, cidades livre, etc).

sábado, 2 de Outubro de 2004

Left Libertarians e Hoppe

E como pista para aquilo que separa os left-libertarians de Hoppe:

Este defende que o Estado tende a destruir todas as instituições de regulação naturais desenvolvidas pela sociedade civil - a autoridade da familia que vive e se perpetua à volta de um legado patrimonial provávelmente liderado por um patriarca em cada geração, ou as comunidades formadas por famílias e indivíduos que partilham determinadas características em comum (religião, valores) e se organizam por relações de vizinhança e partilham o mesmo conjunto de regras intra-comunitárias - sendo que tal só é possivel pela liberdade de auto-regulação num determinado espaço e a capacidade de poder exigir nesse espaço, regras de adesão aos outsiders - a propriedade privada permite-o (ou deve permitir) mas ao Estado (por todas as formas: pelo controle da educação, pela ingerência no contrato de herança, pelos impostos, pela imposição do fim de todo e qualquer sistema alternativo de regulação e arbitragem, etc) interessa destruir qualquer espécie de ordem natural, e sim perpetuar a ideia que só a sua presença cria ordem e lei.

Na América colonial isso era amplamente observável, por exemplo, em Salt Lake city para a comunidade de Mormons ( e em cada região, estabeleceram-se várias comunidades homogéneas bem identificadas e não própriamente um "caldeirão" de multiculturalismo) e por exemplo, mesmo hoje, apesar de tudo, subsistem ainda as comunidades Iamish (obrigadas contra sua vontade a uma integração num sistema do qual pediam e pedem, não fazer parte). Israel, como Estado Judaico, também em parte representa essa acepção.

O left-libertarianism tende a gostar da ideia de um Estado que garanta a liberdade de actos individuais em todo e qualquer lugar e proibindo centralmente que nenhuma comunidade possa, por exemplo, probir a prostituição de rua (proibir ou deixar de ser crime são coisas bem diferentes, no primeiro caso, pode tratar-se de uma auto-regulação decidida de forma descentralizada tal como os condomínios o fazem ou devem poder fazer, mesmo que determinado acto proibido ou sancionado não constitua um crime em si).

Resumindo, primeiro defendem e bem que muitos actos devem deixar de ser considerados crimes (como o consumo e mesmo venda de droga, a prostituição, etc) mas depois querem que esse mesmo Estado impeça que a auto-regulação local (idealmente, e quem sabe um dia - na verdade cada vez são mais bem organizados e de maior dimensão - aglomerados populacionais organizados legalmente/proprietáriamente por Estatutos de Condomínio).

E aqui aparece a questão da imigração que despoletou mais uma vez uma polémica antiga e conclusões apressadas. O argumento de Hoppe é que se na verdade existisse "livre imigração" total isso significaria a imposição pelos Estados, de uma integração forçada de terceiros às comunidades locais, que por causa da própria existência do estatismo, não têm qualquer forma de auto-regular (tal com hoje ainda subsiste na Suiça, com os critérios de exigência localmente fixados - muito próximo daquilo que chamariamos de comunas privadas - para aceitar o estatuto de residência e nacionalidade a imigrantes) o que acham necessário para assegurar a estabilidade das características e valores locais.

Fica aqui mais um citação relevante:

"Predictably, if an agency is permitted to legislate and tax, its agents will not only use these powers but show a tendency toward increasing their tax income and range of legislative interference. And because in so doing they encounter resistance among their subjects, it is in the state's agents' interest to weaken such powers of resistance. Such is the nature of the state, and to expect anything else of it is naive.

For one, this means disarming the citizenry. But it also means eroding and ultimately destroying all intermediating institutions such as the family, clan, tribe, community, association, and church with their internal layers and ranks of authority. Even if only in some limited area of jurisdiction, these institutions and authorities rival the state's claim as ultimate territorial decision maker.

The state, in order to enforce its claim as ultimate judge, must eliminate all independent jurisdictions and judges, and this requires the erosion or even destruction of the authority of the heads of households, families, communities, and churches.

This is the underlying motive of most state policies. Public education and welfare serve this destructive purpose, and so do the promotion of feminism, non-discrimination, affirmative action, relativism, and multiculturalism.

They all undermine family, community, and church. They "liberate" the individual from the discipline of these institutions, in order to render him "equal," isolated, unprotected, and weak vis-a-vis the state.

In particular the extension of the multicultural agenda to the area of immigration so lamented by Buchanan is thus motivated. After the erosion of familial, communal, regional, and religious affiliations, a heavy dose of foreign immigrant invasion, especially if it comes from strange and far-away places, is calculated by the ruling neoconservative-social democratic elites to destroy whatever remains of national identities (...).

Even more radically, reviving the West requires that the central nation state be whittled away, and that the restrictive-protective institutions of family, community, and church be restored to their original position as parts of a natural order composed of a multitude of competing jurisdictions and ranks of authority. "